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Etanol para a Califórnia: os 17 parâmetros exigidos para as usinas que querem exportar

california-placa 210115Por meio de um programa que valoriza combustíveis com menores emissões de GEE, o governo da Califórnia garante uma vantagem competitiva para o etanol brasileiro de cana-de-açúcar

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Por meio de um programa que valoriza combustíveis com menores emissões de gases de efeito estufa, o governo do estado norte-americano da Califórnia garante uma vantagem competitiva para o etanol brasileiro de cana-de-açúcar. Contudo, historicamente, as usinas do país nunca conseguiram cumprir todo esse potencial.

Ainda assim, uma nova oportunidade surgiu com a mudança no texto do Padrão de Combustíveis de Baixa Emissão de Carbono (LCFS), aprovada ao final de 2015. Esse ano, 16 usinas brasileiras já conseguiram uma nova certificação para seus caminhos de produção ou uma recertificação de seus caminhos antigos, que tiveram a intensidade de carbono (CI) recalculada. Com isso, a maior parte delas ampliou sua vantagem em relação às usinas de etanol de milho – a exceção ficou a cargo do etanol celulósico da GranBio, que perdeu seu status de combustível mais limpo do mundo.

Para entender as exigências desse cadastro, conheça 17 parâmetros que são essenciais para as usinas de etanol de cana-de-açúcar.

Por meio de um programa que valoriza combustíveis com menores emissões de gases de efeito estufa, o governo do estado norte-americano da Califórnia garante uma vantagem competitiva para o etanol brasileiro de cana-de-açúcar. Contudo, historicamente, as usinas do país nunca conseguiram cumprir todo esse potencial.

Ainda assim, uma nova oportunidade surgiu com a mudança no texto do Padrão de Combustíveis de Baixa Emissão de Carbono (LCFS), aprovada ao final de 2015. Esse ano, 16 usinas brasileiras já conseguiram uma nova certificação para seus caminhos de produção ou uma recertificação de seus caminhos antigos, que tiveram a intensidade de carbono (CI) recalculada. Com isso, a maior parte delas ampliou sua vantagem em relação às usinas de etanol de milho – a exceção ficou a cargo do etanol celulósico da GranBio, que perdeu seu status de combustível mais limpo do mundo.

Contudo, esse ainda é um número de usinas muito baixo para um país como o Brasil, segundo maior produtor de etanol do mundo. Para auxiliar aos interessados em se cadastrar para participar do programa, o Conselho de Qualidade do Ar da Califórnia (Carb) elaborou um guia que explica como um produtor pode calcular sua CI, tanto para o etanol convencional de cana-de-açúcar quanto para o etanol de melaço. O arquivo, contudo, não é recomendado para o etanol celulósico.

A tabela CA-Greet 2.0, utilizada para o cálculo da CI, conforme explica o documento do Carb, faz uma análise de todo o ciclo de produção e consumo do combustível, incluindo desde o cultivo e a colheita até transporte, distribuição e uso final no veículo. “Além disso, a energia produzida e consumida internamente e a energia exportada para a rede pública podem entrar no cálculo da CA-Greet 2.0”, afirma. Com isso, a usina pode gerar créditos e diminuir sua CI.

O Carb ainda alerta para a necessidade de os produtores brasileiros preencherem os relatórios mensais e anuais do Sapcana, pois eles são necessários para o cadastro. Nesse caso, assim como em outros pontos do processo de registro, os dados utilizados envolvem uma média dos resultados registrados nos últimos dois anos.

Parâmetros para o etanol de cana-de-açúcar

Entre todos os pontos analisados pelo Carb, o conselho destacou 17 parâmetros que são essenciais para as usinas de etanol de cana-de-açúcar. Em alguns casos, conforme especificações do sistema, serão necessárias médias dos últimos anos, a pior possibilidade dentro de um cenário específico ou, simplesmente, os números mais recentes.

Abaixo, conheça esses parâmetros de forma resumida. Para acessar o documento completo do Carb, clique aqui.

  1. Presença de suco na cana-de-açúcar: Do total de cana moída, esse número representa a porcentagem de suco que é usada ou enviada para a usina açucareira ou diretamente para a destilaria.
  2. Quantidade de cana moída por ano: Medida em toneladas, essa métrica envolve tanto a quantidade de cana-de-açúcar própria quanto a adquirida de fornecedores. Para esse caso são usados dados do Sapcana.
  3. Quantidade de eletricidade exportada por ano: Esse dado de cogeração em quilowatts-hora representa a média dos últimos dois anos e precisa ser acompanhado de um documento comprobatório.
  4. Distância transportada de cana-de-açúcar do campo para a usina: Valor médio estimado da distância entre o campo até a central coletora da cana adicionado de duas milhas (3,22 km).
  5. Declaração das práticas de colheita: Esse documento tem um formulário próprio e deve listar o nome das fazendas onde a cana é produzida, a área total, a quantidade de cana produzida em cada fazenda, o período de colheita e a forma de colheita realizada (manual ou mecânica)
  6. Quantidade de açúcar fermentável (sucrose) no suco por tonelada de cana: Esse parâmetro – que normalmente varia de 0,11 a 0,15 toneladas – depende de uma medida laboratorial e mede a quantidade de açúcar fermentável após a moagem da cana.
  7. Eficiência da fabricação de açúcar bruto: Medida em toneladas de sucrose por tonelada de açúcar fabricado. Específico das usinas de açúcar, esse parâmetro determina as variações entre a produção de açúcar e de etanol.
  8. Eficiência da destilaria de etanol: É calculada em toneladas de etanol por toneladas de açúcar fermentável na destilaria. Esse parâmetro deve possui o valor máximo de 0,51, determinado pela própria molécula de açúcar.
  9. Relatório anual do Sapcana (últimos dois anos): Os relatórios são utilizados para estimar a quantidade anual de cana-de-açúcar produzida e devem ser utilizados no formulário sobre a produção de açúcar e também no formulário específico do etanol.
  10. Localização da usina de etanol: As coordenadas de GPS podem ser obtidas localizando o centro da planta industrial no Google Earth ou em outro software de Sistema de Informação Geográfica (SIG).
  11. Distância de transporte do etanol: Envolve o modo de transporte e a distância entre a planta industrial e o porto a partir do qual o combustível será enviado para a Califórnia.
  12. Mapas das áreas de colheita de cana-de-açúcar: Para validar os créditos de colheita mecanizada, o Carb exige mapas que tragam os limites das áreas de colheita de cana-de-açúcar. É preciso utilizar um software de SIG que permite exibir as coordenadas, com os limites estabelecidos por polígonos – e não por linhas simples.
  13. Qualidade do açúcar produzido: Nesse caso, o Carb aceita o valor padrão de 0,95 toneladas para o açúcar VHP. No entanto, é possível conseguir índices mais elevados por produtos de qualidade superior.
  14. Qualidade do melaço (como produto secundário): Medido em toneladas de açúcar fermentável por toneladas de melaço, esse índice tem o valor padrão de 0,5. No entanto, ele pode variar para mais ou para menos de acordo com a qualidade do melaço.
  15. Preencher formulários de todos os produtos: Para usinas de produção integrada, o Carb afirma que é importante colocar as informações de açúcar, etanol de suco puro e etanol de melaço, mesmo que a CI buscada pelo produtor seja apenas a do etanol produzido com a maior parte da matéria-prima.
  16. Tabela resumida do fornecimento mensal de energia: Nesse caso, são necessárias informações de venda dos últimos dois anos para todos os clientes da usina, expressas em quilowatts-hora por mês. Esses dados precisam estar de acordo com as vendas feitas para a rede pública.
  17. Tabela resumida do fornecimento para rede pública em períodos instáveis ou de startup: Essa informação é utilizada para fazer ajustes na tabela de cálculo, uma vez que é utilizado um valor padrão para a quantidade de energia gerada por galões de etanol produzidos.

A partir desses parâmetros é calculada a CI de cada caminho de produção. Com essa certificação aprovada pelo Carb, as usinas se tornam autorizadas a exportar para a Califórnia – quanto menor o número, mais competitivo é considerado o combustível. O NovaCana DATA possui a relação completa de usinas brasileiras cadastradas e de seus números de CI (acesso exclusivo para assinantes).

Renata Bossle – NovaCana

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