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Estimativa de moagem das 380 usinas brasileiras mostra um tradicional otimismo

cana-plantacao vista aerea 081014A Conab indicou que a colheita de cana no Centro-Sul deverá atingir 598,04 mi ton em 2017/18. Mais do que uma visão da própria Conab, esta projeção reflete o sentimento das usinas do setor

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Em seu primeiro levantamento da safra de cana-de-açúcar, publicado na semana passada, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicou que a colheita de cana-de-açúcar na região Centro-Sul deverá atingir 598,04 milhões de toneladas na safra 2017/18. O volume representa uma queda de 2,35% em relação à 2016/17, quando a região brasileira moeu 612,48 milhões de cana, de acordo com os números do órgão.

Mais do que uma visão da própria Conab, estas projeções publicadas pela instituição refletem o sentimento das usinas do setor nessa primeira etapa da safra. Afinal, o documento é elaborado com as informações fornecidas pelas próprias usinas aos técnicos da Conab. A Unica, por exemplo, espera o trabalho da Conab para soltar as suas estimativas.

Assim, para entender como a visão das usinas no início das safras difere do real valor obtido ao final da safra, o NovaCana confrontou estes dados nas últimas oito safras e as estimativas iniciais de diversas empresas especializadas. O resultado oferece mais clareza sobre como o tradicional otimismo das usinas é influenciado pelas perspectivas iniciais da safra. E ajuda a dar mais segurança para as projeções de moagem para 2017/18.

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Em seu primeiro levantamento da safra de cana-de-açúcar, publicado na semana passada, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicou que a colheita de cana-de-açúcar na região Centro-Sul deverá atingir 598,04 milhões de toneladas na safra 2017/18. O volume representa uma queda de 2,35% em relação à 2016/17, quando a região brasileira moeu 612,48 milhões de cana, de acordo com os números do órgão.

Mais do que uma visão da própria Conab, estas projeções publicadas pela instituição refletem o sentimento das usinas do setor nessa primeira etapa da safra. Afinal, o documento é elaborado com as informações fornecidas pelas próprias usinas aos técnicos da Conab. A Unica, por exemplo, espera o trabalho da Conab para soltar as suas estimativas.

Assim, para entender como a visão das usinas no início das safras difere do real valor obtido ao final da safra, o NovaCana confrontou os dados da 1ª estimativa da Conab nas últimas oito safras com a moagem final obtida.

Este ano, os números não ficaram muito distantes das 589,85 milhões de toneladas previstas pelas consultorias do setor (média das estimativas de 15 instituições levantadas pelo NovaCana). Dessa maneira, parece que o atual de clima de cautela que ronda o segmento sucroenergético afetou também o tradicional otimismo das usinas no início de cada safra.

A Conab está entre as 13 das 15 empresas especializadas do setor que projetam uma moagem menor na safra em andamento em relação à anterior, ficando mais perto da média das estimativas. 

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Histórico

Colocando em perspectiva os levantamentos realizados pela Conab desde 2009/10, em média, os números divulgados nos primeiros levantamentos de safra apresentam expectativas de moagem acima do que é obtido ao final de cada temporada (número publicado no quarto levantamento).

Ao longo das últimas oito safras, em cinco delas as previsões da Conab estavam acima do resultado verificado no fim da temporada, em uma a previsão foi acertada e em duas a previsão foi menor. Em média, os usineiros esperam uma moagem 20 milhões superior ao que é verificado ao final de cada safra. O otimismo médio no início das safras, constatado pela Conab, é de cerca de 3,3%.

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Safra 2016/17 e 2017/18

A temporada 2016/17 iniciou cheia de expectativas. Com muitas usinas em atividade desde a entressafra anterior e um grande volume de cana bisada no Centro-Sul, nos primeiros meses do ano a safra bateu recordes em comparação com os períodos equivalentes de temporadas anteriores.

Apesar de algumas estimativas indicarem um cenário menos otimista, as atividades de vento em pompa do começo do ano de 2016 trouxeram para a Conab uma das expectativas mais positivas para o início da temporada. Isso não apenas refletiu a animação do setor com a safra, mas também reforçou o tradicional posicionamento do órgão de revelar o otimismo dos usineiros no período de planejamento da safra.

No ano passado, a média das previsões de todas as entidades consultadas pelo NovaCana foi de 622 milhões de toneladas da cana moída, com a maioria das instituições especializadas apostando no crescimento da safra. No entanto, essas expectativas foram frustradas, especialmente em razão de condições climáticas, como o tempo seco em abril e geadas no inverno, além de pragas e doenças que atingiram as lavouras. Assim, as expectativas foram todas frustradas, especialmente as da Conab.

É com a lembrança desse cenário que as usinas entram no ano-safra 2017/18.

Dessa forma, a frustração das expectativas iniciais do ano passado, considerando o breve histórico de projeções, pode explicar em parte o arrefecimento nos ânimos das usinas (já as explicações técnicas estão detalhadas aqui). Os números da Conab em relação à 2017/18 estão mais ‘contidos’, posicionados apenas ligeiramente acima e não muito distantes das estimativas do mercado como um todo. Considerando apenas as últimas quatro safras, quando a pesquisa da Conab mostra um número mais próximo ao da média das estimativas, ela termina chegando mais perto do resultado final da safra.

Até agora, poucas consultorias se arriscaram a projetar uma moagem maior do ciclo 2017/18 em relação à 2016/17. O discurso que ganhou força no setor é de que a temporada que iniciou em abril significará um volume de cana-de-açúcar igual ou menor do que o registrado no último ciclo na região Centro-Sul. Mesmo quem aponta moagem maior para a temporada não se arrisca em falar em ‘otimismo’, mas apenas em uma safra com estabilidade na produção.

Marina Gallucci – NovaCana

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