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Para EPE, setor sucroenergético caminha para a recuperação dos indicadores do campo

cana plantacao vista aerea 081014Até 2026, o setor sucroenergético deve vivenciar uma recuperação nos indicadores de produção da cana. Ao longo do período, serão feitos investimentos em renovação dos canaviais e em tratos culturais

NovaCana 9 min de leitura

Até 2026, o setor sucroenergético deve vivenciar uma recuperação nos indicadores de produção da cana. Ao longo do período, serão feitos investimentos em renovação dos canaviais e em tratos culturais, além do enfrentamento dos desafios da mecanização.

O diagnóstico da situação da produção de cana-de-açúcar, incluindo o que deve marcar os próximos anos para as usinas sucroenergéticas, é um dos assuntos do Plano Decenal de Expansão de Energia 2026 (PDE), aberto para consulta pública neste mês.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), organização pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), aposta na redução de custos de produção e em um aumento da competitividade do etanol frente à gasolina. Fator esse, que, associado à necessidade de incremento da capacidade de moagem, motivará investimentos em unidades greenfields e na expansão de usinas já existentesgreenfields e na expansão de usinas já existentes.

Para o governo, o setor encontra-se em um período de ajustes, afirma a empresa governamental, no qual busca o equacionamento da sua situação financeira. É neste contexto que estão inseridas ações para melhoria dos fatores de produção, as quais propiciam redução dos custos e aumento de margem, elevando sua sustentabilidade financeira.

Leia mais:

- Perspectivas de moagem, área de colheita de cana, produtividade e a evolução do volume de cana destinado ao açúcar e o etanol
- Momento de virada para as sucroenergéticas
- Consequências da dificuldade de acesso ao crédito
- Indicadores que afetam a safra 2017/18

Até 2026, o setor sucroenergético deve vivenciar uma recuperação nos indicadores de produção da cana. Ao longo do período, serão feitos investimentos em renovação dos canaviais e em tratos culturais, além do enfrentamento dos desafios da mecanização.

O diagnóstico da situação da produção de cana-de-açúcar, incluindo o que deve marcar os próximos anos para as usinas sucroenergéticas, é um dos assuntos do Plano Decenal de Expansão de Energia 2026 (PDE), aberto para consulta pública neste mês.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), organização pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), aposta na redução de custos de produção e em um aumento da competitividade do etanol frente à gasolina. Fator esse, que, associado à necessidade de incremento da capacidade de moagem, motivará investimentos em unidades greenfields e na expansão de usinas já existentesgreenfields e na expansão de usinas já existentes.

O governo analisa que o alto endividamento, somado à situação econômica mais restritiva, trouxe reflexos negativos para a manutenção e para o aprimoramento do ativo biológico nos últimos anos. No campo, isso engloba atividades básicas como tratos culturais, renovação de canavial, desenvolvimento e inserção de novas variedades, entre outros elementos. A falta de investimento nessa área acabou por afetar os parâmetros de produtividade e rendimento da indústria de açúcar e etanol de forma abrangente.

Registra-se ainda que esse cenário do setor e do país contribuiu para que os recursos captados pelas usinas sucroalcooleiras, junto ao BNDES, recuassem significativamente nos últimos anosjunto ao BNDES, recuassem significativamente nos últimos anos, o que agravou ainda mais a situação.

Momento da virada para as sucroenergéticas

Desde o final de 2015, no entanto, o setor sucroenergético tem aproveitado a elevação dos preços internacionais do açúcar para engordar seu faturamento e quitar parte de suas dívidas. Como já se sabe, o direcionamento do ATR (açúcar total recuperável) para a produção do adoçante aumentou significativamente, “passando de 40% em 2015/16 para 46% na safra 2016/17”, conforme destaca o documento da EPE, citando dados do Ministério da Agricultura.

Esse novo cenário faz com que que o setor se encontre em um período de ajustes, afirma a empresa governamental, no qual busca o equacionamento da sua situação financeira. É neste contexto que estão inseridas ações para melhoria dos fatores de produção, as quais propiciam redução dos custos e aumento de margem, elevando sua sustentabilidade financeira.

Perspectivas para os canaviais em 2026

No horizonte decenal, a área de colheita não terá um crescimento expressivo, saindo de 9 milhões de hectares para 9,8 milhões de hectares, uma variação de apenas 8,9% em 10 anos. Associado a este aumento de área, a produtividade crescerá 1,3% ao ano, atingindo 83 toneladas de cana por hectare em 2026. Outro dado citado pela EPE é o de rendimento, que deve experimentar crescimento de 0,6% ao ano e alcançar 142 kg de ATR por tonelada em 2026.

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Segundo o documento, os investimentos em formação de canavial, que incluem o preparo do solo, plantio e tratos culturais, serão da ordem de R$ 3 bilhões, sem considerar o arrendamento de terra. Para a determinação desses custos, utilizou-se como base o valor médio para as regiões tradicional e de expansão da cana, de cerca R$ 17,50 por tonelada de cana.

Por sua vez, a partir da área de colheita e produtividade, a EPE estimou que a projeção de cana colhida cresça a uma taxa de 2% ano. Dessa maneira, a moagem de cana em todo o Brasil deve passar de 671 milhões de toneladas (dados de 2016) para 830 milhões de toneladas em 2026 – um crescimento de mais de 22%. Vale relembrar que, no PDE 2026, a EPE projetou que o número de usinas deva crescer no período de 378 unidades para 396.

Nesse contexto, o percentual de cana destinada ao etanol varia de 54%, em 2016, para 61%, em 2026, aumento que se deve à maior demanda pelo biocombustível.

Para a divisão do ATR total entre o açúcar e o etanol, o chamado mix de produção, a EPE considerou a maior rentabilidade do açúcar e a grande participação do Brasil no seu comércio mundial. Dessa forma, foi retirado do ATR total a quantidade necessária para atender à demanda projetada de açúcar, obtendo-se, como resultado, a parcela destinada ao etanol, explica o documento.

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Segundo a EPE, o índice de transformação industrial do hidratado variará, no período decenal, de 1,669 para 1,657 kg ATR/litro e o do anidro, de 1,746 para 1,734 kg ATR/litro, ambos por causa de uma melhora na eficiência do processo de transformação do ATR em etanol. Já o fator de conversão do açúcar deve permanecer constante, em 1,049 kg ATR/kg.

Permanece tendência de concentração do setor

Para avaliar o potencial de recuperação dos indicadores do campo, a EPE sublinha que foram consultados diversos agentes do mercado, como consultorias especializadas, centros de pesquisa e gerentes agrícolas. “Concluiu-se que, de fato, existem tecnologias e sistemáticas de produção capazes de elevar o rendimento. No entanto, o nível de endividamento do setor foi um impeditivo para a adoção dessas práticas por todos os grupos”, ressalta.

Por essa razão, o governo considera que apenas uma parcela das companhias terá acesso a crédito e condições de implementar inovações que podem reduzir os custos de produção e, consequentemente, melhorar seus resultados financeiros. Ou seja, as sucroenergéticas que já estão com dificuldades ficarão ainda mais prejudicadas na corrida por elevação dos rendimentos.

“Apenas parte do setor buscará a implementação dessas práticas e tecnologias de forma a reduzir seus custos de produção, elevando a sustentabilidade econômica. Ficará de fora a parcela altamente endividada de empresas sucroalcooleiras” (EPE)

É movido por esse grupo de empresas, em melhores condições financeiras, que o setor verá a evolução do manejo varietal e agronômico. A EPE ainda cita ações importantes que devem ser adotadas nesse sentido, como “a adequação do espaçamento entre linhas do canavial, o dimensionamento do talhão, de forma a evitar o pisoteio durante as manobras das colhedoras e o agrupamento de variedades e altura das leiras, para realizar o corte o mais próximo ao solo, bem como o plantio de variedades mais adequadas para cada tipo de solo e colheita”.

Em relação ao uso de outras variedades, a EPE frisa que no PDE 2026 já foi considerada a inserção da cana-energia. Contudo, estima-se que esta variedade representará, em ao final do período, apenas uma pequena parcela da área total de produção de cana – o equivalente a 100 mil hectares. Além disso, a cana-energia deverá ser empregada apenas na produção de etanol, já que para a fabricação de açúcar ainda existem problemas a serem resolvidos na etapa de cristalização.

Indicadores que afetam a safra 2017/18

Para trazer um olhar para o futuro dos campos de cana-de-açúcar, a EPE traz um histórico sobre o que traz a cana para os indicadores que o setor apresentou nos últimos anos no campo.

Na safra 2016/17, a idade média do canavial foi de 3,8 anos, modificando a trajetória de queda que vinha sendo observada desde a safra 2012/13, com a introdução do Programa de Apoio à Renovação e Implantação de Novos Canaviais (Prorenova). A renovação em percentuais abaixo dos desejáveis é um problema porque traz reflexos negativos à produtividade média. Inclusive, a participação da cana de primeiro corte na safra 2016/17 foi de aproximadamente 10%. O ideal, de acordo com o documento da EPE, seria 18%.

A empresa ainda afirma que a atual safra, 2017/18, também preocupa, visto que a área de plantio foi reduzida em 1%. “Ou seja, ainda menos cana nova em um canavial já envelhecido”, cita o documento a partir de dados da Conab.

Outro ponto relevante, relacionado à safra passada, 2016/17, foi a colheita da cana prematuramente (cana de menos de 12 meses), pois a colheita da cultura fora do período ótimo resulta na diminuição da produtividade agrícola e industrial. Além disso, o quadro ainda é dificultado pela atual realização dos tratos culturais, como fertilizantes e defensivos agrícolas, que estariam em níveis aquém dos desejáveis. Esses elementos teriam impactado diretamente na quantidade de açúcares da cana.

A EPE ainda evidencia a colheita mecanizada, implantada, principalmente, para atingir as metas impostas pelas leis e acordos ambientais de redução das queimadas. “Observa-se um descompasso entre a mecanização da colheita e do plantio, além de outras operações ligadas ao cultivo da cana”, assinala.

Dessa maneira, o percentual de impurezas vegetais na cana colhida cresceu cerca de 4 pontos percentuais entre 2007 e 2016, comprometendo a qualidade da matéria-prima que entra na usina. “Além disso, aspectos como o clima, o uso de variedades não específicas, tratos culturais inadequados e falta de investimentos nos canaviais tem prejudicado a evolução do rendimento (kg de ATR/por tonelada de cana)”.

Marina Gallucci – NovaCana

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