
O objetivo é ter mais lucro. Por isso, as usinas brasileiras estão atualmente redirecionando o máximo possível de sua produção para o açúcar. A perspectiva de preço para a commodity é positiva não só para esta safra, mas também para 2017/18. Esta situação afeta diretamente o desenvolvimento do mercado de etanol.
Pensando em como o déficit global de açúcar vai mexer com o mercado nacional de etanol, um relatório se propôs a avaliar o comportamento das usinas e do mercado para esta e a próxima safra (2017/18).
Saiba mais:
- Usinas em operação e taxa de ocupação
- 8 gráficos detalham as apostas de curto prazo
- Perspectivas de moagem para 2016/17 e 2017/18
- Estimativas para produção de etanol em 2016 e 2017
- Projeções para importação e exportação de etanol
- Números do etanol de milho
O objetivo é ter mais lucro. Por isso, as usinas brasileiras estão atualmente redirecionando o máximo possível de sua produção para o açúcar. A perspectiva de preço para a commodity é positiva não só para esta safra, mas também para 2017/18. Esta situação afeta diretamente o desenvolvimento do mercado de etanol.
Pensando em como o déficit global de açúcar vai mexer com o mercado nacional de etanol, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) avaliou o comportamento das usinas e do mercado consumidor para esta e a próxima safra (2017/18).
O relatório indicou que a capacidade das usinas para o etanol vai aumentar, mas as vendas (e produção) do biocombustível devem sofrer uma estagnação.
Perspectivas de moagem para 2016/17 e 2017/18
Com base em fontes da indústria, o USDA estima que a moagem brasileira de cana-de-açúcar fique entre 670 e 680 milhões de toneladas na safra 2016/17 – um ligeiro aumento frente a safra passada, que registrou 667 milhões de toneladas.
Nesse contexto, de acordo com o USDA, a região Centro Sul ficaria responsável por uma moagem que somaria entre 620 e 625 milhões de toneladas, enquanto o Norte-Nordeste seria responsável por um volume entre 50 e 55 milhões. Em 2015/16, as regiões acumularam 618 e 49 milhões de toneladas, respectivamente. O principal motivo nesse crescimento, de acordo com o USDA seria a melhora nas condições climáticas.
A estimativa é bem similar ao que já foi apresentado por outras consultorias do setor que, em maio deste ano, giravam em torno de 623 milhões de toneladas para o Centro Sul – ainda que algumas consultorias tenham revisado para baixo as estimativas.
Já com relação à safra do Norte-Nordeste, a estimativa do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE) é de uma moagem de 53 milhões de toneladas.
Por sua vez, para a próxima safra (2017/18), a estimativa do USDA é de uma moagem de 680 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Esse volume é consideravelmente superior às 640 milhões de toneladas previstas pela consultoria Agroconsult.
Segundo o USDA, as atuais projeções são baseadas no prevalecimento das condições de tempo regulares ao longo de todo o ciclo e em todas as regiões. Para completar, foi considerada uma renovação de canavial abaixo da média dos últimos anos e a expectativa é que o déficit na oferta de açúcar continue em 2017.
Produção de etanol estagnada
A produção total de etanol para o ano-civil 2016 foi estimada pelo USDA em 30,37 bilhões de litros, um valor similar ao montante revisado para o período de janeiro a dezembro de 2015 (30,38 bilhões de litros). Em 2017, no entanto, ocorreria uma queda de 1%, com o volume total indo para 30,15 bilhões de litros. Isso indica que, apesar da maior moagem, os produtores brasileiros devem concentrar suas atenções no mercado de açúcar.
Considerando apenas a produção de etanol para uso como combustível, o USDA prevê um crescimento de 2% na produção em 2016, que iria para 28,02 bilhões de litros. Já para 2017, haveria uma queda e a produção iria para 27,78 bilhões de litros.

“As usinas de etanol e açúcar devem direcionar menos cana-de-açúcar para a produção de etanol na atual temporada devido aos preços favoráveis do açúcar nos mercados internacionais e domésticos, favorecidos pelo déficit mundial na oferta”, observa o estudo. Assim, o USDA aposta em um mix onde 55% da cana moída será utilizada para a produção de etanol. Em 2015/16 essa relação foi de 59%.
Em volume, a expectativa é que sejam utilizadas 377,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar para a fabricação de etanol em 2016, montante que deve cair para 375 milhões de toneladas em 2017.

Novas usinas
Além disso, o governo dos Estados Unidos não aposta na abertura ou reabertura de novas usinas. A estimativa é que esse número fique congelado em 386 unidades durante 2016 e 2017, sendo três usinas de etanol celulósico e o restante de etanol de primeira geração. Essa quantidade de unidades é 10,23% menor que a registrada em 2010, quando o Brasil alcançou a marca de 430 unidades produtoras do biocombustível, de acordo com dados do USDA.

Ainda assim, está previsto um pequeno aumento na capacidade nacional de produção de etanol, que deve subir de 38 bilhões de litros em 2015 para 39,65 bilhões em 2016, mantendo-se estável em 2017. Contudo, o USDA aponta que essa maior capacidade será contrabalanceada pela redução na taxa de ocupação das usinas, que cairá – em média – de 80% em 2015 para 77% em 2016 e 76% em 2017.

Em retrospecto, essas taxas de aproveitamento da capacidade podem ser consideradas altas. Em 2011, no auge nacional da capacidade de produção nacional (42,8 bilhões de litros), esse índice foi de 53%.
Mudanças na demanda doméstica e internacional
Além de projetar a produção de etanol, o USDA também estipulou números para o consumo interno do biocombustível – que deve cair expressivamente já em 2016. A perspectiva é que os 28,8 bilhões de litros de 2015 sejam reduzidos para 25,72 bilhões neste ano, indo para 25,98 bilhões em 2017.
Segundo o órgão, deve acontecer uma queda de 19% no consumo de hidratado ao longo de 2016, a qual será apenas parcialmente recuperada por um aumento de 1% em 2017. Essa falta de interesse dos consumidores pelo hidratado resultará em um acréscimo do consumo de anidro, indicando que a gasolina terá crescimento de participação em sua venda nas bombas. Segundo o USDA, o consumo de anidro deve subir 3% em 2016 e outros 1% em 2017.

Mesmo com essa redução, o USDA acredita que o Brasil deve continuar importando etanol. De acordo com a projeção divulgada, as compras do combustível devem subir de 513 milhões de litros em 2015 para 550 milhões de litros em 2016, mantendo esse patamar em 2017.

Além disso, o país também não deve aproveitar completamente o potencial para exportação de etanol. A estimativa é que as vendas caiam 25% na comparação com 2015, voltando para 1,4 bilhões de litros – o mesmo nível de 2014. Segundo o USDA, desse montante, apenas 750 milhões de litros seriam de etanol-combustível, um número em linha com os 757 milhões de litros potenciais estipulados pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos para o etanol de cana em 2017.

Etanol de milho também está no radar
Já a produção brasileira de etanol a partir do milho deve chegar a 140 milhões de litros em 2016 – ou 0,4% do total projetado. “A expectativa é que a produção seja originária das poucas plantas industriais nos estados de Goiás e Mato Grosso”, comenta o USDA.
Para atingir essa produção, a expectativa do USDA é que sejam moídas 341,46 mil toneladas do grão com o objetivo da fabricação de etanol – um montante 0,7% menor que o observado em 2015. Em 2017, por sua vez, a moagem deve permanecer estável.

Contudo, o relatório do USDA alerta que ainda é cedo para a realização de previsões para a safra 2017/18. “Números mais precisos devem estar disponíveis a partir do primeiro trimestre de 2017, com o desenvolvimento da matéria-prima em novas plantações de cana-de-açúcar e a recuperação das áreas atualmente sendo colhidas”, afirma.
Renata Bossle – NovaCana