O aumento é de 27% em seis semanas; despachos brasileiros de açúcar bruto do porto de Santos caíram 12% no ano
Por Nicolle Monteiro de Castro*
O valor do prêmio para a exportação de açúcar brasileiro foi limitado pelo rali dos custos de embarque de produtos a granel que começou no início de junho deste ano, dois meses após o início da safra de cana 2021/22 no Centro-Sul, em 1º de abril.
A S&P Global Platts registrou o preço de US$ 64,50 por tonelada para granéis sólidos, considerando o embarque do açúcar saindo do porto de Santos até o porto chinês de Rizhao. Esta é a maior avaliação semanal desde 11 de junho de 2010, quando a Platts calculou o custo de US$ 66/t.
A curva de alta de preços começou em 3 de junho e, desde então, a avaliação semanal disparou em 27%.
Os participantes do mercado têm relatado que, nos níveis atuais de preço, algumas negociações feitas no início da safra a um preço CFR (custo e frete) fixo se tornaram impraticáveis, encorajando os comerciantes a adiarem o embarque.
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Por Nicolle Monteiro de Castro*
O valor do prêmio para a exportação de açúcar brasileiro foi limitado pelo rali dos custos de embarque de produtos a granel que começou no início de junho deste ano, dois meses após o início da safra de cana 2021/22 no Centro-Sul, em 1º de abril.
A S&P Global Platts registrou o preço de US$ 64,50 por tonelada para granéis sólidos, considerando o embarque do açúcar saindo do porto de Santos até o porto chinês de Rizhao. Esta é a maior avaliação semanal desde 11 de junho de 2010, quando a Platts calculou o custo de US$ 66/t.
A curva de alta de preços começou em 3 de junho e, desde então, a avaliação semanal disparou em 27%.
Os participantes do mercado têm relatado que, nos níveis atuais de preço, algumas negociações feitas no início da safra a um preço CFR (custo e frete) fixo se tornaram impraticáveis, encorajando os comerciantes a adiarem o embarque.
Evitando o alto custo do embarque, mais companhias têm favorecido o carregamento de açúcar para os próximos meses. Entretanto, a capacidade de armazenamento de adoçante parece estar chegando ao limite.
Em 20 de julho, a Platts avaliou o açúcar bruto VHP brasileiro para embarque em agosto com um desconto de 39 pontos em relação aos futuros do açúcar negociados na ICE para outubro. Trata-se de uma queda de 46 pontos, ou US$ 10/t, ante 11 de maio, quando a Platts começou sua avaliação referente aos embarques de agosto.
O desconto visto no mercado seria a prova de que as tradings estão aceitando abatimentos no valor da commodity e saindo da posição comprada em vez de entregar o produto ao consumidor final.
Embora o prêmio de carregamento imediato tenha sido limitado pela capacidade de armazenamento restrita, o mercado está sugerindo prêmios muito mais altos neste trimestre.
Também em 20 de julho, a Platts avaliou o açúcar bruto VHP brasileiro para carregamento em outubro com um prêmio de 4 pontos sobre o contrato da ICE para o mesmo mês, sugerindo que o carregamento em outubro estava com um prêmio de 43 pontos, quase US$ 9,48/t, em relação a agosto.
“Hoje, o custo financeiro para transportar açúcar é de 6 a 7 pontos por mês. Se o armazém estiver cheio, é necessário ter um spread muito mais amplo para incentivar o transporte”, disse um trader de açúcar com atuação na Europa.
Safra brasileira
A safra brasileira de cana-de-açúcar no Centro-Sul tem se movido em um ritmo mais lento em comparação com o ciclo 2020/21, pois a temporada atual está sofrendo os efeitos de uma seca severa.
Como referência, a produção de açúcar entre 1º de abril e 1º de julho somou 12,26 milhões de toneladas, queda de 8,2%, ou quase 1,1 milhão de toneladas, na comparação anual.
Apesar do cenário de redução na produção de açúcar e de fortes preocupações quanto a novas perdas de safra, a estratégia de transporte amplo desencadeou o colapso no prêmio para embarque imediato.
Estrutura portuária e exportações
As exportações brasileiras de açúcar bruto do porto de Santos, de 1º de abril a 19 de julho, totalizaram 6,2 milhões de toneladas, uma queda de quase 12% em relação aos 7,04 milhões de toneladas despachadas no mesmo período do ano anterior, mostraram dados da consultoria brasileira SA Commodities.
O lento ritmo de exportação, explicado pelo aumento dos custos para o granel seco, está alterando a dinâmica do porto santista e as tradings estão favorecendo o carregamento de pequenos lotes de açúcar em cada terminal para evitar que a capacidade de armazenamento atinja seu limite.
Uma fonte de um terminal açucareiro de Santos comentou a atuação das tradings: “Eles estão respeitando os contratos com os terminais, mas no limite, pois estão tentando negociar taxas de embarque mais baixas com os donos dos navios”.
Segundo fontes consultadas pela Platts, o terminal da Rumo tem 270 mil toneladas de capacidade de armazenamento de açúcar na zona portuária e mais 600 mil toneladas no interior. Em ambos os casos, ele está totalmente carregado.
Embora a possibilidade de carregar em mais de um terminal de açúcar possa ser uma opção para reduzir a pressão sobre o estoque, o custo para transferir um navio de açúcar de 70 mil toneladas de um terminal para outro é de quase US$ 20 mil.
“Nesse cálculo estamos considerando uma manobra direta, caso o navio precise esperar fora da área portuária para depois ser chamado para o segundo ancoradouro. Mas esse custo pode ser bem maior”, disse o diretor de commodities da SA, Luiz Carlos dos Santos.
* Nicolle Monteiro de Castro é especialista sênior de preços da S&P Global Platts
Com tradução NovaCana