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Brasil deve exportar menos de 400 milhões litros de etanol aos EUA em 2014

terminal exportacao etanol 121213Especialistas avaliam que, se proposta da EPA de redução das metas do RFS 2014 for aprovada, vendas do biocombustível serão cinco vezes menores do que as de 2013
NovaCana 4 min de leitura
Economistas americanos analisaram os prováveis cenários para o etanol nos EUA em 2014 e 2015 e deixaram claro qual deve ser o espaço do etanol brasileiro.

A análise apresentou a vantagem de se limitar a entrada do etanol de cana e levantou dois fatores que reduzirão a importação do Brasil.

Depois de a Agência de Proteção Ambiental americana (EPA, na sigla em inglês) divulgar a sua proposta para o Padrão de Combustíveis Renováveis (RFS, na sigla em inglês) 2014, com reduções significativas nas metas de consumo de todos os combustíveis renováveis, os economistas da Universidade de Illinois Scott Irwin e Darrel Good publicaram uma análise dos impactos potenciais das sugeridas alterações.

O texto, focado principalmente no mercado americano, traz uma informação relevante para o mercado brasileiro: em qualquer cenário previsto pelos especialistas, seja com a aprovação da proposta na íntegra ou com a aprovação apenas da redução das metas para combustíveis celulósicos e avançados, as exportações brasileiras devem ser cinco vezes menores do que as deste ano, ficando em torno de 378,5 milhões de litros de etanol.  De acordo com os analistas, o baixo volume também se manteria em 2015.

Esta redução expressiva nas exportações de etanol de cana aos Estados Unidos estaria relacionada não apenas à diminuição do mandato para combustíveis avançados, categoria na qual está o biocombustível brasileiro, mas também à manutenção das metas para biodiesel, que também é classificado como "avançado" e deve suprir boa parte da demanda originada pelo RFS 2014.

Caso a proposta da EPA seja aprovada na íntegra, os especialistas avaliam a diminuição das compras de etanol brasileiro pelos EUA como positiva, já que o etanol de cana também não deve suprir a demanda por etanol de milho, como aconteceu este ano, e o biocombustível produzido no país norte-americano deve ganhar mais mercado doméstico. Já no cenário de redução única e exclusivamente dos mandatos de combustíveis avançados, os pesquisadores levantam a possibilidade de a importação ser incentivada caso o produto comprado do Brasil seja mais barato do que o biodiesel americano.

Demais impactos

Segundo Irwin e Good, caso a proposta da EPA seja adotada oficialmente, os problemas de implentação do RFS, relacionados principalmente à "parede de mistura", serão "largamente resolvidos". O consumo de etanol deve permanecer baixo, já que não há pressão para aumentá-lo e os estoques de RINs devem ser grandes, baixando os preços dos créditos, principalmente os de D6.

A produção de biodiesel deve continuar estável e os impactos para o mercado de milho serão mínimos, já que o uso do cereal para a produção do biocombustível deve se manter num nível alto e, desde que as margens de mistura de etanol se mantenham fortemente positivas, há pouco incentivo para uso de RINs no lugar de etanol.

Por outro lado, com a redução apenas das metas para consumo de biocombustíveis avançados, os problemas com a parede de mistura devem continuar e ficar cada vez mais evidentes durante 2014 e 2015, assim como o aumento nos preços dos RINs, que podem ficar acima dos registrados na segunda metade de 2013.

Caso o mandato seja cumprido principalmente com o uso de biodiesel, a produção necessária para alcançar o objetivo será de 2,8 bilhões de galões. Se ele for cumprido primariamente com o uso de E85, a produção de etanol de milho necessária para isso será de 2,6 bilhões de galões – o que pode beneficiar o mercado de soja ou milho.

Apesar da conclusão positiva com relação à proposta da Agência, os pesquisadores deixam claro que ela é controversa e há quem questione até a autoridade da EPA para promover tamanhas mudanças.

Vivian Faria – NovaCana
Foto: Assessoria de Comunicação da Appa

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