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Brasil pode ter concorrência acirrada com os EUA no volátil mercado internacional de etanol

export-global-261113Se a redução proposta pela EPA for aprovada, produtores americanos podem disputar mercado global com o Brasil e, até, tentar vender mais etanol de milho para o país do etanol de cana
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Mesmo antes de a Agência de Proteção Americana (EPA, na sigla em inglês) sinalizar que pretende cortar o mandato de biocombustível para 2014, os produtores americanos de etanol já estavam na expectativa de aumentar as exportações do produto, já que a safra de milho deste ano deve ser recorde.

Mas agora que o corte – e um corte significativo – foi oficialmente proposto, a indústria de etanol provavelmente terá que disputar o mercado de exportação. Veja a seguir a opinião de analistas e mais:

- O tamanho da demanda global para 2014: quanto de etanol pode ser absorvido pelo mercado externo
- A estratégia da ADM para ampliar o mercado internacional de etanol
- "Deve haver alguns produtores capazes de exportar para o Brasil"
- A preocupação da Unica com a competição com os EUA
- Como estão as exportações de etanol dos EUA

Mesmo antes de a Agência de Proteção Americana (EPA, na sigla em inglês) sinalizar que pretende cortar o mandato de biocombustível para 2014, os produtores americanos de etanol já estavam na expectativa de aumentar as exportações do produto, já que a safra de milho deste ano deve ser recorde.

Mas agora que o corte – e um corte significativo – foi oficialmente proposto, a indústria de etanol provavelmente terá que disputar estes mercados para exportar o excesso da produção doméstica do biocombustível.

Indo ainda mais longe, especialistas dizem que a proposta da EPA para o Padrão de Combustíveis Renováveis (RFS, na sigla em inglês) coloca todo o setor em um limbo, já que, se a demanda doméstica foi limitada, os produtores dependerão única e exclusivamente de exportação para crescer.

"Para este ano, as exportações estão, definitivamente, em um caminho de crescimento", disse Benjamin Salisbury, um analista da FBR Capital Markets baseado em Washington. "A questão para o mercado é: qual o significado disso [da proposta] para o cultivo e o rendimento nos próximos anos?"

Na semana passada, a EPA propôs, pela primeira vez desde o estabelecimento do RFS, uma redução significativa nas metas do mandato, pedindo que 15,21 bilhões de galões de biocombustíveis – incluindo um volume de até 13,01 bilhões de galões de etanol de milho – sejam misturados à gasolina e ao diesel em 2014.

A proposta, que deve passar por um período de consulta pública e uma revisão antes de ser finalizada, o que deve acontecer entre o primeiro e o segundo trimestre do ano que vem, representa um corte de aproximadamente 1,34 bilhões de combustíveis renováveis, em comparação com as metas para 2013. A justificativa dada pela agência para isso é a incapacidade de o mercado americano absorver misturas superiores a 10%.

Enquanto isso, a indústria Americana de etanol estima que a produção doméstica do biocombustível à base de milho pode chegar a 14 bilhões de galões este ano, devido à safra de milho, projetada em 14 bilhões de bushels, e margens favoráveis aos produtores de biocombustíveis.

Exportações voláteis

O vice-presidente de pesquisa e análise da Associação de Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês), Geoff Cooper, disse que a indústria de etanol americana deve exportar entre 600 e 650 milhões de galões este ano, uma queda de 739 milhões de galões em comparação com o ano anterior.

Isso significa que as vendas ao exterior precisam aumentar significativamente em 2014 para compensar o excesso de oferta. Ainda assim, Cooper lembrou que as exportações americanas do biocombustível atingiram 1,2 bilhões de galões em 2011.

"Acreditamos que exista demanda global suficiente para absorver, pelo menos, entre 700 e 750 milhões de galões, o que equivale à metade do volume perdido no RFS", disse. "Acredito que o volume recorde de 2011 mostra que há espaço para a exportação crescer além dos atuais volumes".

O maior comprador de etanol americano tem sido o Canadá, que adquiriu 55% do total exportado pelos EUA este ano, seguido dos Emirados Árabes (8%), as Filipinas (7%) e o Brasil (7%), de acordo com a RFA.

A CEO da Archer Daniels Midland, Patricia Woertz, disse que o potencial para crescimento das exportações é significativo, já que o etanol de milho americano é o combustível de transporte mais barato no mundo, custando, por galão, cerca de 80 centavos de dólar a menos do que a gasolina reformulada (RBOB).

"A oportunidade é de crescimento para as exportações, em especial para países como o Brasil, o Canadá e alguns da Europa", disse Woertz em uma conferência promovida pelo Morgan Stanley pouco antes de a EPA divulgar sua proposta para o RFS 2014. "Há até exportações para a Ásia e o Oriente Médio".

"Então, as exportações vão crescer por motivos econômicos, mas elas podem crescer também se formos atrás de alguns dos países que compram o etanol americano e fizermos um bom marketing dele", declarou.

Condições para exportação

Por outro lado, analistas alertaram que as exportações dependem de diversos fatores, muitos dos quais não dependem dos produtores, como competitividade de preço com etanol de outros países, principalmente o feito à base de cana-de-açúcar no Brasil; políticas governamentais para estimular o consumo de biocombustíveis; e impostos.

A União Europeia, por exemplo, instaurou este ano uma tarifa antidumping de U$ 83,03/mt sobre o etanol americano, a qual vem sendo combatida pela indústria americana.

"Sinto que as exportações podem, em alguma extensão, compensar a diferença no curto prazo, mas que são uma fonte nada confiável de demanda", disse um analista da Brock Associates, Ian Berry, observando a volatilidade das exportações de ano para ano.

Os produtores americanos, mesmo querendo novos mercados para destinar o excesso do produto, têm o pensamento mais alinhado com Berry e acreditam que a proposta da EPA pode causar fechamento de usinas e desemprego.

"Deve haver alguns produtores capazes de exportar para o Brasil, mas, em termos de oferta e demanda, o país está em uma situação equilibrada no momento", disse o CEO da Abengoa Bioenergia, Javier Garoz Neira.

Ainda assim, um provável aumento das exportações de etanol americano para o Brasil também causa preocupação à Unica, diz um texto publicado pela Governors' Biofuels Coalition, especialmente se o preço do milho se mantiver na faixa dos US$ 4 por bushel, ante os US$ 8 no ano passado, devido à seca.

"Competição é sempre bem-vinda, mas você estaria criando um desequilíbrio ao reduzir drasticamente a demanda nos Estados Unidos, tendo milho a preços tão baixos que as pessoas não vão parar de produzir [etanol]", disse Leticia. "Os produtores vão manter suas produções no volume em que elas estão agora e vão jogar o produto em mercados como o nosso. Isso é preocupante para o mercado e o Brasil vai falar sobre isso, se a proposta for aprovada".

Brasil também é competição

Para os produtores de etanol brasileiro, a alteração do RFS proposta pela EPA, se finalizada, faria com que o mercado global de etanol se tornasse muito mais competitivo. Eles também estão fazendo lobby para que os mandatos sejam aumentados.

A EPA determinou que o etanol de cana brasileiro, devido à sua baixa emissão de carbono, qualifica como biocombustível avançado, grupo que tem um mandato exclusivo, ao contrário do etanol de milho americano. Mas na proposta da EPA, o mandato para combustíveis avançados sofrerá um corte de 550 milhões de galões ante as metas para 2013, e muitos observadores esperam que boa parte do mandato seja cumprido com o uso de biodiesel americano.

Isso poderia levar os produtores brasileiros a procurar por outros mercado para vender seu produto, o que os colocaria em competição com os produtores americanos que também pretendem exportar mais.

O Brasil, segundo maior produtor mundial de etanol, atrás apenas dos Estados Unidos, recentemente estimou que vai produzir 7,02 bilhões de galões de etanol este ano e que as exportações devem atingir cerca de 750 milhões de galões.

"A regra obviamente vai afetar o fluxo do comércio de etanol entre os países que o utilizam para o transporte", disse a representante norte-americana da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Leticia Phillips. "A EPA deve pensar nisso antes de finalizar o mandato".

Herman Wang (Platts)
Tradução e adaptação: Vivian Faria – NovaCana
Com informações da Governors' Biofuels Coalition
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