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Banco Pine atualiza projeções para 2016/17 e analisa possibilidade de quebra de safra

banco-pine-310816Instituição se reposiciona em relação ao mix mais açucareiro e aponta que as condições climáticas ainda colocam grande incógnita sobre o resultado da temporada

NovaCana 6 min de leitura

O Banco Pine revisou suas projeções para a safra 2016/17 no Centro-Sul, principal região produtora de cana-de-açúcar do país. O banco assinala um clima maior de incerteza do que o esboçado na análise que acompanhou as estimativas anteriores.

Entre os destaques estão as novas projeções para o mix de produção, que amenizam a visão mais pessimista da instituição sobre a capacidade do setor em destinar maior parte da produção para o açúcar.

Além disso, o relatório analisa o cenário de quebra de safra que começa a ser visualizado devido à diminuição da produtividade agrícola nos últimos relatórios da Unica.

Confira a análise completa e os gráficos com as estimativas atualizadas do Banco Pine:

- Comparativo entre as estimativas de maio e agosto de 2016
- Moagem
- Mix de produção
- Produção de Açúcar
- Produção de Etanol Total, Hidratado e Anidro
- ATR por tonelada de cana
- Sazonalidade da produtividade
- Cenários de produtividade

Atualização (06/09): O texto abaixo teve adições para refletir a abrangência do conteúdo apresentado.

O Banco Pine revisou suas projeções para a safra 2016/17 no Centro-Sul, principal região produtora de cana-de-açúcar do país. Entre os destaques estão as novas projeções para o mix de produção. Quando publicou as primeiras estimativas em maio, os números da instituição refletiam uma visão mais pessimista sobre a capacidade do setor em destinar maior parte da produção para o açúcar.

Além disso, o banco assinala um clima maior de incerteza do que o esboçado na análise que acompanhou as estimativas anteriores. A razão está principalmente nas dúvidas que estariam sendo levantadas pelo mercado sobre a influência do clima na produção de cana-de-açúcar, conforme apontou documento publicado pela instituição.

Outro fator de influência para a revisão das estimativas foi o que o banco considera “uma grande mudança dos preços relativos no setor no início desse ano”. Segundo o Pine, tal mudança foi aproveitada em parte pelas usinas, para maior remuneração das atividades.

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Estimativas: moagem e mix de açúcar

A instituição prevê que agora sejam processadas 620 milhões de toneladas da planta, volume inferior aos 625 milhões de toneladas estimadas inicialmente. Ainda assim, a safra seria relativamente maior do que a temporada 2015/16, quando a moagem foi de 617,7 milhões de toneladas.

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Outro ponto revisto, foi em relação ao quanto de cana será destinado à produção de açúcar. Em maio, ao NovaCana, o economista do Banco Pine, Lucas Brunetti, demonstrou a visão pessimista da instituição em relação ao mix açucareiro.

Apesar da recuperação da cotação de exportação do açúcar devido à expectativa de déficit global e do câmbio desvalorizado, o banco não previa um crescimento significativamente maior do que três pontos percentuais na parcela destina à produção de açúcar em relação ao ano anterior. Assim, a instituição trabalhava com uma estimativa de 43% frente aos 40,65% na última safra.

Na recente atualização, o economista assinalou em sua análise que o limite deve ser próximo a 45% no agregado da safra 2016/17. A justificativa para a revisão foi a forte atração dos preços do açúcar no mercado internacional, concomitantemente com a queda nos valores do etanol com o início antecipado da safra no Centro-Sul. “Dessa forma, as usinas foram atraídas pela fabricação do açúcar de maneira inexorável”, diz a análise. 

No entanto, o documento destaca: “Esse aumento do mix vem de encontro ao consenso de mercado, mas reforçamos que existe um limite [industrial] ao aumento do mix de açúcar, além da remuneração das usinas”. Segundo Brunetti, o limite da fabricação de açúcar nessa safra é a capacidade de cristalização das usinas, que ficaram vários anos sem investimentos nesse segmento.

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Além da mudança do mix, foi revisada para cima a expectativa para os volumes do adoçante. A estimativa para a produção de açúcar passou de 34,1 milhões de toneladas, conforme dados disponibilizados para o NovaCana em maio, para 35,5 milhões de toneladas na nova projeção.

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Já a perspectiva para a destilação de etanol hidratado caiu de 17,2 para 16,5 bilhões de litros. Por sua vez, o etanol anidro também caiu, indo de 10,6 para 10,4 bilhões de litros.

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Clima e produtividade agrícola

O Banco Pine, que trabalhava com uma das mais baixas previsões de ATR para atual temporada (133 kg/t), elevou pouco sua expectativa para o índice, que foi para 133,5 kg/t.

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O documento do banco ainda destaca que o clima seco tem levantado algumas dúvidas no mercado sobre a produtividade agrícola na atual temporada, o que faz com que o cenário de quebra de safra chegue a ser visualizado. Outro dado que cria dúvidas, discorre a análise, é a diminuição da produtividade agrícola nos últimos relatórios da Unica frente aos meses anteriores dessa safra.

Entretanto, isso não significa que existam motivos para alarme. Sobre esses pontos, a instituição reforça que prevê a sazonalidade da produtividade agrícola cadente nos próximos meses – com uma produtividade maior no começo da safra e caindo até o final dela.

“O histórico da evolução mensal da produtividade agrícola nos últimos anos não apresenta episódios de queda extrema no meio da safra. As safras que apresentaram quebra já iniciavam com produtividade bem abaixo dos níveis atuais”, destaca Brunetti no relatório do Banco Pine.

Além disso, o documento aponta: “Mesmo que a produtividade continue a cair, dificilmente teremos uma disponibilidade abaixo dos 600 milhões de toneladas de cana [no Centro-Sul]”.

Segundo o relatório, a produtividade projetada pode ser menor do que na antiga safra sem que seja necessária uma redução das projeções de moagem. “Nossa projeção é de 79 ton/ha – o que se traduz em 630 milhões de toneladas disponíveis”, afirma.

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A instituição ainda aponta que, para uma produção de 590 milhões de toneladas de cana disponível, a produtividade teria que cair até que a média ficasse em 74 ton/ha, o mesmo nível da safra 2014/15 (um ano de quebra de safra). “Porém as médias mensais de produtividade da safra 2014/15 estavam bem abaixo da safra atual”, encerra o economista.

Marina Gallucci – NovaCana

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