Agência de classificação de risco manteve índices da companhia apesar do maior endividamento e fluxo de caixa menor. Investimentos da Louis Dreyfus estabilizam o perfil financeiro
Na sequência da reestruturação de uma dívida de R$ 3,66 bilhões e de um aumento de capital que prevê, entre outras coisas, um aporte de US$ 1,05 bilhão da Louis Dreyfus, a Biosev conquistou uma pequena vitória no mais recente relatório da agência de classificação de risco Fitch Ratings sobre a companhia. Mas isso não significa que a situação melhorou o suficiente para elevar a nota da Biosev.
Na modalidade de longo prazo em moedas estrangeira e local, o Índice de Probabilidade de Inadimplência do Emissor (Issuer Default Ratings, ou IDR) se manteve em patamar B+. O índice nacional de longo prazo da Biosev também permanece em A-(bra). Porém, a perspectiva desses índices foi revisada pela agência e subiu de negativa para estável. Dessa forma, a Fitch acredita que a nota da Biosev não deve sofrer um rebaixamento na próxima avaliação – ainda que a agência também não aposte em uma elevação.
“Apesar de a Biosev registrar alavancagem maior e fluxos de caixa operacionais mais fracos em comparação aos seus pares brasileiros, sua associação com a Louis Dreyfus é considerada altamente positiva para os ratings”
O NovaCana detalha a visão da Fitch sobre os riscos enfrentados pela Biosev na reportagem a seguir.
E mais:
- Perspectivas financeiras da Biosev
- Destinação dos recursos da Louis-Dreyfus
- Risco de inadimplência da companhia
- Comparativo com outras sucroenergéticas
Na sequência da reestruturação de uma dívida de R$ 3,66 bilhões e de um aumento de capital que prevê, entre outras coisas, um aporte de US$ 1,05 bilhão da Louis Dreyfus, a Biosev conquistou uma pequena vitória no mais recente relatório da agência de classificação de risco Fitch Ratings sobre a companhia. Mas isso não significa que a situação melhorou o suficiente para elevar a nota da Biosev.
Na modalidade de longo prazo em moedas estrangeira e local, o Índice de Probabilidade de Inadimplência do Emissor (Issuer Default Ratings, ou IDR) se manteve em patamar B+. O índice nacional de longo prazo da Biosev também permanece em A-(bra). Porém, a perspectiva desses índices foi revisada pela agência e subiu de negativa para estável. Dessa forma, a Fitch acredita que a nota da Biosev não deve sofrer um rebaixamento na próxima avaliação – ainda que a agência também não aposte em uma elevação.
Segundo o documento, a Biosev encerrou o exercício em 31 de março de 2018 com posição de caixa de R$ 1,5 bilhão e dívida de curto prazo de R$ 550 milhões, um resultado favorável em comparação aos R$ 1,6 bilhão e R$ 2,2 bilhões reportados no mesmo período do ano anterior. A agência ainda projeta vencimentos de dívidas bancárias administráveis, de R$ 300 milhões, nos exercícios de 2019 e 2020.
Mais dinheiro para organizar a casa
A melhora da perspectiva, de acordo com o relatório, leva em conta as melhoras no perfil financeiro da Biosev, que aliviaram consideravelmente a pressão sobre os índices divulgados. A injeção de capital do grupo Louis Dreyfus Commodity Holding e os novos termos e condições envolvidos na renegociação da dívida reduziram a alavancagem líquida ajustada, em base pro forma, de 4,6 vezes (em 31 de dezembro de 2017) para 3,4 vezes.
Estes recursos também deverão beneficiar, em cerca de R$ 200 milhões, em bases anuais, a margem de operação (FFO) da Biosev, devido à redução dos pagamentos de juros.
Conforme a Fitch, da injeção de R$ 3,5 bilhões da Louis Dreyfus, R$ 2,6 bilhões serão utilizados para o pré-pagamento de exportações. O saldo restante será utilizado para fortalecer a posição de caixa da companhia e para outras finalidades corporativas. Além disso, a renegociação das dívidas da Biosev inclui a extensão dos prazos de pagamento por cinco anos, com um período de carência de três anos e redução dos juros.
No entanto, o documento da Fitch Ratings aponta que os índices de inadimplência da Biosev continuam pressionados pelo alto risco inerente aos negócios no setor de açúcar e etanol. Entre os fatores para essa instabilidade, a agência de controle de risco cita a exposição da matéria-prima às condições climáticas. “Em bases individuais, a companhia teria índices mais baixos, mas sua associação com a Louis Dreyfus contribui para um melhor perfil de crédito”, ressalva a agência.
O texto salienta, também, o desafio da Biosev de avançar mais rapidamente em indicadores operacionais e em estabelecer fluxo de caixa livre (FCF) positivo. Segundo a Fitch, a questão do fluxo de caixa deve perdurar devido ao direcionamento de capital em investimentos para impulsionar a produção agrícola e preencher a capacidade de suas usinas. A perda de caixa se acentua também pelos preços relativamente baixos do açúcar no mercado global.
Mesmas notas, perfis diferentes
O relatório da Fitch Ratings também apresenta comparações dos indicadores da Biosev com o de outras empresas do setor sucroenergético. De acordo com o documento, os índices da empresa estão patamares graus abaixo dos da Tereos Union de Cooperatives Agricoles a Capital Variable, com nota atual BB e perspectiva estável.
Assim como nas comparações com a performance financeira da Jalles Machado, a agência atribui o melhor desempenho do grupo francês ao modelo de negócios caracterizado pela diversificação geográfica das fontes de matéria-prima, bem como da cartela de produtos.

Por sua vez, o forte apoio recebido pela Louis Dreyfus posiciona os ratings da Biosev no mesmo patamar da Usina Santo Ângelo, com índice nacional de longo prazo também em A-(bra) e perspectiva estável, embora a Santo Ângelo apresente desempenho superior, custos de caixa menores e posição de liquidez satisfatória.
“Apesar de a Biosev registrar alavancagem maior e fluxos de caixa operacionais mais fracos em comparação aos seus pares brasileiros, sua associação com a Louis Dreyfus é considerada altamente positiva para os ratings”, enfatiza o relatório.
Nicholle Murmel – NovaCana