NovaCana

ANP faz análise das influências e do comportamento do preço do etanol

Análise do preço do etanolOs técnicos da agência fizeram uma extensa análise do mercado de etanol e gasolina em 2012 (produção, distribuição e revenda)
NovaCana 7 min de leitura
Confira a seguir:
- Os quatro fatores para explicar a variação de preço do etanol
- Um resumo da competição etanol x gasolina em 2012
- A influência da qualidade da cana no equilíbrio de preços
- Trajetória de preços do etanol e da gasolina
- A evolução dos preços médios na produção, distribuição e revenda
- A preocupação com a oferta de etanol
- A trajetória de preços de revenda
- Os efeitos dos preços relativos entre gasolina e etanol hidratado sobre a necessidade de importação
- As explicações para preço maior da gasolina importada
- A situação de difícil reversão no mercado de combustíveis
- A influência dos preços de produção de etanol anidro sobre os preços da gasolina
- Os dados de São Paulo exemplificam os argumentos da análise
- Comparativo da faixa de preços entre 2012 e 2011
- Como o preço da gasolina não acompanha o mercado internacional, quais são os fatores que mais influenciaram o preço da gasolina?

A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgou, no início do mês, a versão preliminar de maio do Boletim Anual de Preços 2013, em que analisa a situação dos preços dos combustíveis nos mercados nacional e internacional. De acordo com a avaliação da agência, em 2012, o mercado doméstico foi marcado por estabilidade nos preços médios da gasolina e redução da volatilidade nos preços de etanol anidro e hidratado.

A ANP destaca que, como o preço da gasolina no Brasil não acompanha o praticado no mercado internacional, são dois os fatores mais importantes para a formação de preços do combustível fóssil no Brasil: "Os tributos incidentes sobre o produto e o preço do etanol anidro".

Porém, estas não são as única formas de influência que o etanol exerce. Com a popularização dos veículos flex, aumentou a capacidade de substituição entre etanol hidratado e gasolina, fazendo com que a variação de preços de um dos combustíveis reflita mais direta e imediatamente na demanda do outro.

No caso do combustível fóssil, o cenário verificado aponta para uma continuidade da trajetória iniciada nos últimos anos, praticamente linear devido à compensação dos reajustes por mudanças na Cide. "Em 2012, essa questão não foi diferente", diz o boletim, "o aumento de 7,83% nos preços dos produtores, ocorrido em 25 de junho, foi compensado pela alteração da alíquota da CIDE, que foi reduzida a zero".

Etanol

No caso do biocombustível, a ANP avalia que a trajetória de preços não foi tão estável quanto à da gasolina. Contudo, houve uma "redução da volatilidade dos preços", que pode estar relacionada ao disposto da resolução 67/2011, que teve efeito em abril de 2012 e passou a regular os estoques de etanol anidro de acordo com os contratos de compra e venda para garantir o abastecimento. Esta resolução direcionou produtores e distribuidores a fecharem contratos de pelo menos 90% do consumo estimado de etanol anidro.

Além disso, esse maior equilíbrio dos preços também é atribuído à melhor qualidade da cana da safra de 2012/2013, que teve mais tempo para se desenvolver já que a moagem da safra 2011/2012 terminou mais cedo do que o habitual.

Para exemplificar os argumentos da análise, a agência usa os dados do estado de São Paulo, responsável pela produção de 51,6% da produção de etanol do país e por 26% das vendas de gasolina e 59% das vendas de etanol hidratado, segundo o quarto levantamento de safra da Conab.

Observando o gráfico de preços semanais de produção de etanol (abaixo), é possível notar que, apesar de variar entre valores próximos a R$ 1,00 e R$ 1,25, o etanol hidratado mantém-se numa faixa de preços bem mais estreita do que a de 2011. O etanol anidro seguiu tendência similar em 2012, quando, em 2011, a escassez do produto gerou uma alta significativa nos preços.

graf33-preco-etanolanidro-hidratado-150513

Sobre a influência dos preços de produção de etanol anidro sobre os preços da gasolina, a agência comenta: "Não ascenderam o suficiente ao longo de 2012 para ocasionar elevações nos preços de distribuição e de revenda de gasolina comum, como aconteceu entre a segunda quinzena de março e a primeira semana de maio de 2011, quando o etanol anidro ficou mais caro do que a gasolina A".

Avaliando também os preços de distribuição e revenda do biocombustível hidratado em São Paulo, a ANP concluiu que os preços médios apresentaram queda e chegaram ao final de 2012 2,29% (produção), 4,31% (distribuição) e 3,97% (revenda) menores.

graf34-preco-mensais-150513

Apesar da leve queda e da maior estabilidade, o boletim ressalta que, historicamente, os preços do etanol combustível, tanto anidro quanto hidratado, variam mais em todos os segmentos (produção, distribuição e revenda), quando comparados com os da gasolina. Isso se deve, segundo a agência, a quatro fatores: o nível de preços e demanda da gasolina, à concorrência gerada pelo açúcar e às alterações no volume ofertado nos períodos de safra e entressafra.

Sobre a possibilidade de expansão significativa da oferta de etanol no curto prazo, a ANP reforçou uma preocupação do setor, classificando-a como "pouca", justificando com o seguinte parecer, retirado do terceiro levantamento de safra 2012/2013 da Conab: "A falta de investimento em novas unidades, ou mesmo na ampliação da capacidade de processamento das já existentes, bem como a renovação das áreas já cultivadas dificultam maior crescimento".

Ano favorável à gasolina

Depois de analisar os preços da gasolina e do etanol separadamente, o boletim da ANP avalia a relação entre os preços do combustível fóssil e do biocombustível hidratado, concluindo o que os produtores de etanol sentiram na pele no ano passado: 2012 foi mais favorável ao consumo de gasolina, como mostra o gráfico abaixo:

graf37-preco-mensais-revenda-150513

É possível notar que, mesmo com uma variação maior nos preços do etanol, principalmente devido à variação da oferta do produto nos períodos de safra e entressafra, a trajetória de preços de revenda dos dois combustíveis foi semelhante.

Além disso, os dados mostram que apenas no período de julho a novembro de 2012 foi mais vantajoso abastecer com álcool hidratado do que com gasolina, considerando os preços médios do país.

Quando avaliados os dados por capitais, os preços médios de 2012 em Cuiabá, Goiânia e São Paulo deram vantagem ao biocombustível. Segundo o boletim, valeu mais a pena abastecer com etanol em 69%, 77% e 83% do ano nas cidades mencionadas, respectivamente.

A agência destaca, porém, que nestes mesmos locais o crescimento do consumo de gasolina superou o de etanol e observa que "alíquotas de ICMS incidentes sobre os combustíveis diferem substancialmente entre as Unidades da Federação".

graf39-preco-etanol-gasolina-150513

Os preços relativos e a importação de gasolina

O boletim da ANP trata também dos efeitos dos preços relativos entre gasolina e etanol hidratado sobre a necessidade de importação do combustível fóssil para atender à demanda interna, o que aumentou a dependência externa. Segundo o documento, "em 2012, comparando-se com o ano imediatamente anterior, o incremento na quantidade importada de gasolina A foi de 72,7%, totalizando 3,78 bilhões de litros importados". Vale lembrar que, entre 2000 e 2010, o Brasil era um exportador deste combustível fóssil.

Monetariamente, o aumento foi de 87,5%, totalizando US$ 3 bilhões. Ele é justificado não apenas pelo maior volume importado, mas também pela elevação dos preços do petróleo e derivados no mercado internacional e à desvalorização do real em relação ao dólar.

graf40-importacoes-gasolina-150513

Segundo a agência, os preços relativos tiveram papel fundamental nesse aumento da dependência externa, já que com preços mais favoráveis à gasolina, a demanda e o consumo cresceram. Indiretamente, a ANP reforça o argumento de que o etanol deve ser incentivado, pois esta é uma situação de difícil reversão, já que as refinarias brasileiras estão mais voltadas para o incremento da produção de diesel. "Quando os preços do etanol eram competitivos, o País produziu excedentes significativos de gasolina que foram destinados ao mercado internacional" e, assim, optou por mudar o perfil das usinas de refino.

O boletim mostra a ainda a disparidade de preços entre a gasolina nacional e a importada, que custaram, em 2012, US$ 98,6/barril e US$ 121,7/barril, respectivamente, deixando evidente a manutenção artificial dos preços do combustível fóssil.

graf41-gasolina-naciona-importada-150513

Vivian Faria  - NovaCana
Compartilhar: