Índices de vegetação estão menores do que na primavera-verão do ano passado e, com isso, moagem em 2018/19 é prevista em 585 milhões de toneladas de cana
Munida de imagens de satélite, a consultoria Agroconsult observa o desenvolvimento do índice vegetativo dos canaviais e utiliza esse fator como um dos elementos em seu cálculo de estimativas de safra.
Para a próxima temporada, segundo o sócio da consultoria, Fabio Meneghin, o modelo de índice vegetativo, combinado com outros fatores, assinala uma moagem de 585 milhões de toneladas.
Inicialmente, a Agroconsult chegou a projetar um potencial de 625 milhões de toneladas cana. A revisão foi feita após a realização de novas leituras de imagens de satélite no mês de setembro e outubro.
O que ainda pode trazer surpresa para o resultado da safra é o clima. Embora o El Niño já esteja descartado, há ainda a possibilidade de ocorrência do La Niña no próximo ano.
Leia mais:
- Fatores altistas e baixistas para a safra 2018/19
- Consultoria explica mudanças nas estimativas ao longo de 2017/18
- Como é realizada a análise do índice de vegetação
- O que dizem as imagens sobre a taxa de renovação dos canaviais
- Embora o El Niño já esteja descartado, ainda há a possibilidade do La Niña
Munida de imagens de satélite, a consultoria Agroconsult observa o desenvolvimento do índice vegetativo dos canaviais e utiliza esse fator como um dos elementos em seu cálculo de estimativas. Para a próxima safra, segundo o sócio da consultoria, Fabio Meneghin, o modelo de índice vegetativo, combinado com outros fatores, assinala uma moagem de 585 milhões de toneladas.
Inicialmente, a Agroconsult chegou a projetar um potencial de 625 milhões de toneladas cana para a próxima safra. A revisão foi feita após a realização de novas leituras de imagens de satélite no mês de setembro e outubro.
A análise do índice de vegetação nos últimos meses aponta que o início da curva de desenvolvimento de cana para a próxima temporada está abaixo da média dos últimos anos.
O índice de vegetação avalia a quantidade de folhas verdes em determinado talhão. Quanto mais alta a planta e mais folhas, maior é o índice de vegetação. Segundo Meneghin, a correlação com esse valor e a produtividade média é muito estreita. “Olhando as imagens e extraindo os índices de vegetação, conseguimos fazer uma projeção da produtividade média das regiões”, relata.
A leitura é realizada a cada oito dias e o índice é construído a partir dos resultados. A evolução dele é formada por uma curva. “Em setembro, por exemplo, o índice ainda é baixo e, à medida em que você vai tendo o alongamento do dia, mais exposição à luz, e as chuvas vão voltando, a cana vai crescendo e esse índice começa a subir”, explica o consultor sobre o estágio em que se encontram atualmente.
“A única diferença é que ela [a curva de vegetação] começou a subir mais rápido esse ano do que no mesmo período de 2016”, aponta o consultor.
O índice atinge um pico entre os meses de fevereiro e março, depois, quando a cana começa a ser colhida, ele volta a cair.

Como o modelo de índice vegetativo é apenas uma das ferramentas para realizar a previsão, Meneghin ainda aponta alguns fatores subjetivos que influenciam na safra. “Como ponto altista para a safra, ainda estamos considerando o novo recorde nas vendas de fertilizantes nos estados canavieiros, principalmente São Paulo – fundamentos já inclusos na nova previsão”, afirma.
Outro aspecto que está na equação é área plantada a ser colhida. “Como tivemos uma renovação ligeiramente melhor na safra 2017/18, pode ser que a área colhida seja um pouco menor do que foi em 2017 devido à recuperação da renovação. Nesse caso, a cana que deixaria de ser colhida agora entraria no montante da safra 2019/20”.
Segundo o consultor, no ano passado, a renovação ficou perto dos 9,5%. Agora, a previsão é que o indicador tenha condições de chegar a 11%. “Nesse sentido, além do mercado de fertilizantes, há indícios de uma melhora no segmento de mudas”, completa.
Em relação aos fatos que podem surpreender, o analista aponta que, embora o El Niño já esteja descartado, ainda há a possibilidade do La Niña. “Se o fenômeno não ocorrer, as previsões climáticas estão mostrando chuvas dentro do normal e isso poderia levar a uma produtividade um pouco melhor do que a observada na atual safra, o que pode levar a um resultado próximo dos 600 milhões de toneladas”, aponta.
Mudanças nas estimativas de 2017/18
No ano passado, a consultoria chegou a prever um potencial de 620 milhões de toneladas de cana-de-açúcar moída para a temporada em andamento. Meneghin justifica que as chuvas foram muito boas no período de primavera e verão, referente à entressafra, o que contribuiu para um desenvolvimento da cana, ou seja, para um índice de vegetação positivo. Além disso, estava no radar da consultoria a melhora no trato das lavouras, com compras recordes de adubo em São Paulo.
No entanto, o clima surpreendeu ao longo da safra. De acordo com Meneghin, a seca vista da metade de maio até meados de outubro foi um ponto decisivo para que as previsões não se concretizassem. “Houve regiões com mais de 120 dias sem chuvas. Mesmos nos anos mais secos isso não é comum. Isso prejudicou muito a produtividade da cana que está sendo colhida agora no final da safra”, justifica.
Ele analisa ainda que, embora a cana esteja com um ATR muito bom – sendo essa a grande surpresa da temporada –, em termos de toneladas por hectare o resultado está menor do que o previsto incialmente. Ainda assim, a consultoria aumentou a previsão de moagem neste final de safra de 590 para 595 milhões de toneladas. A produção adicional de cana deve ir praticamente toda para a fabricação de etanol.
Importância das estimativas de safra
Ao longo dos últimos anos, as estimativas de safra cresceram em importância e influência. À medida que foram aperfeiçoadas, essas projeções se tornaram uma importante ferramenta estratégica para as empresas que atuam no segmento.
Dada a importância desse trabalho, o NovaCana realiza periodicamente um levantamento com as avaliações do setor para a safra. A última edição trouxe visões atualizadas para 2017/18 e as primeiras leituras para a safra 2018/19. Estão presentes 19 companhias diferentes, entre consultorias, traders e usinas do setor que realizam suas próprias projeções para cada ciclo.
Marina Gallucci – NovaCana