Após os problemas climáticos vistos no último ano, os canaviais estão mais propensos a ataques da cigarrinha: descubra as principais características desta praga, as localidades em maior risco e as estratégias recomendadas para combate

BASF 18 jan 2009 - 13:47 - Última atualização em: 25 jan 2022 - 11:30

A última safra de cana-de-açúcar foi difícil para os produtores. Em um ano com estiagem e geadas rigorosas, eles ainda precisaram lidar com um aumento no registro de incêndios. Agora, prestes a entrar oficialmente na safra 2022/23, os canaviais ainda estão em processo de recuperação – e é neste momento que o ataque da cigarrinha-das-raízes pode ser ainda mais danoso.

Para completar, grandes mudanças climáticas – como o fenômeno La Niña, que deve atingir o Sul do Brasil ainda neste verão –, podem influenciar o ataque desta praga, que já é uma velha conhecida dos produtores.

E para garantir que a cigarrinha não seja um problema recorrente nesta próxima safra, é preciso entender mais sobre a praga, seu comportamento e as melhores formas de manejo de acordo com cada área afetada.

Um problema já conhecido

A cigarrinha-das-raízes é um inseto que apresenta uma cor mais avermelhada nos machos e amarronzada nas fêmeas. Ela interfere diretamente na produtividade da lavoura, medida em toneladas de cana por hectare, e no nível de açúcares totais recuperáveis (ATR) da planta, como explica o técnico em desenvolvimento de mercado da Basf, Rafael Factor Feliciano.

De acordo com ele, as regiões que em geral são mais afetadas seriam o Triângulo Mineiro e parte do Mato Grosso do Sul, que tende a apresentar chuvas uniformes durante o ano.

Os ovos da cigarrinha são geralmente postos no solo, bem próximo ao colmo da planta e ficam em repouso – processo chamado de diapausa –, até duas semanas após as primeiras chuvas de verão. Com a eclosão dos ovos aparecem as ninfas na base da cana, juntamente com uma espuma branca muito característica. A substância é uma proteção natural da praga contra predadores naturais.

Feliciano inclusive relata que a cigarrinha já é conhecida dos canavieiros há muitos anos, mas ela não representava um problema tão recorrente na época da colheita manual. Devido à queima da palha e ao aumento da incidência de luz na raiz da planta, o inseto tinha dificuldades para se desenvolver. Entretanto, esta prática agora é proibida em alguns estados.

De acordo com o técnico da Basf, o ar quente e úmido representa a condição climática ideal para a praga crescer e ampliar sua população no canavial. Neste ambiente, as ninfas passam a se alimentar das raízes da cana, “roubando” energia da planta de forma que ela não consegue explorar todos os recursos do ambiente e defasando tanto a altura quanto a espessura do colmo.

Para completar, a cigarrinha adulta também causa danos à cana. Ao se alimentar das folhas, o inseto acaba injetando toxinas que causam distúrbios de crescimento.

Danos ao canavial

Dependendo da variedade de cana-de-açúcar plantada, a cigarrinha costuma reduzir a produtividade do canavial em uma taxa entre 20% e 30%. Em plantas mais sensíveis, a perda pode chegar a até 70%, conforme alerta o técnico da Basf.

“A cigarrinha tem capacidade de reduzir o perfilamento, o desenvolvimento do sistema radicular e o crescimento dos colmos. Tudo isso acarreta uma redução de produtividade”, Rafael Feliciano (Basf)

Além dos prejuízos agrícolas, a cigarrinha também traz problemas industriais para as usinas que recebem a matéria-prima afetada. As canas atingidas têm seu caldo contaminado e exigem um número maior de insumos industriais para atingir um nível de qualidade adequado para seguir com a produção de açúcar.

Feliciano explica que a praga pode causar problemas tanto no processo de clarificação do caldo quanto na cor do adoçante final produzido. Desta forma, sobe também o custo de fabricação.

Ao mesmo tempo, como muitos fornecedores são remunerados de acordo com o teor de sacarose, seus rendimentos diminuem.

Manejo correto contra a praga

Mas, com um bom controle, o produtor pode evitar a interferência do inseto. “A cana consegue aprofundar o sistema radicular, perfolhar mais, crescer mais e ter mais espessura de colmo, garantindo produtividade”, afirma Feliciano.

O primeiro passo para controlar a cigarrinha-das-raízes no canavial é fazer um monitoramento da praga com o objetivo de definir a melhor estratégia de manejo.

Em determinados ambientes, os produtores podem recorrer a medidas paliativas, como o recolhimento de palha. Esse processo aumenta a incidência solar, causando desidratação da ninfa e desfavorecendo o ambiente para a praga.

Já em áreas que contam com uma menor incidência da praga existe a alternativa biológica. Neste caso, o controle é feito à base de fungos, especialmente o metarhizium, que deve ser utilizado em canaviais que possuam, em média, cerca de meia ninfa por metro.

A estratégia, entretanto, não reduz de forma rápida a população da cigarrinha porque o agente biológico precisa se estabelecer no ambiente, como explica Feliciano. E como o fungo também é sensível à luz, a aplicação deve ocorrer em dias nublados para garantir o sucesso da ação.

Ainda assim, o manejo mais utilizado e com melhor índice de eficiência contra a cigarrinha-das-raízes é o controle químico. Os produtos utilizados reduzem a população do inseto de forma rápida e podem ser utilizados mesmo quando o produtor perde a janela de monitoramento do seu canavial, mas deve ser priorizado em áreas que já contem com mais de duas ninfas por metro.

A eficiência da estratégia de controle químico está diretamente relacionada com a molécula a ser utilizada no canavial. O técnico da Basf explica que, por muitos anos, foram usados os mesmos inseticidas para combate à cigarrinha, o que tornou alguns insetos resistentes a esta aplicação. Segundo ele, uma das formas de reduzir esta barreira é a integração de métodos de controle, como o químico associado ao biológico, por exemplo.

Ele ainda relata que o ideal é não fazer uma aplicação sequencial da mesma molécula em uma mesma safra, trabalhando com alternância de produtos. Desta forma, o produtor reduz o risco de resistência da cigarrinha contra os inseticidas.

Além disso, o proveito do produto também vai depender da modalidade de aplicação escolhida para o canavial em questão. Feliciano afirma que uma das mais eficientes é a fórmula 70:30 – 70% do produto é enterrado, atuando na base da planta, e os 30% são pulverizados com jato dirigível na folha. Entre as opções neste sentido está o Entigris, desenvolvido pela Basf especificamente para o combate à cigarrinha-das-raízes.

Em áreas mais suscetíveis a ataques também pode ser utilizado o corte de soqueira antes da aplicação. Desta forma, a praga tem um maior contato direto com o produto, melhorando o controle populacional.

Existem também as opções de aplicação na área total, com tratores, ou ainda aérea, com aviões agrícolas. Entretanto, Feliciano ressalta que essas formas não são recomendadas e podem diminuir a eficiência dos produtos utilizados.

Em regiões com pouco controle pode ser necessário fazer de duas a três aplicações de inseticidas. Além disso, o técnico destaca a importância de seguir as instruções na bula dos produtos a serem utilizados, afinal uma subdosagem também pode levar a um aumento na resistência dos insetos.

“Fazer um bom controle [da cigarrinha] é garantir produtividade, é garantir o potencial genético da planta”, resume Feliciano.

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Conteúdo patrocinado por BASF – NovaCana

Texto: Giully Regina
Infográficos: Lais Mizuta