Milho

Preços elevados do milho vão inibir demanda da indústria, afirma Céleres


Agência Estado - 22 jul 2021 - 14:31

Os preços elevados do milho no mercado interno tendem a inibir a demanda pelo cereal, avalia o analista da Céleres Consultoria, Anderson Galvão. “A conta (para a indústria) não está fechando e dificilmente vai fechar no próximo semestre até a entrada da safra de verão”, disse Galvão no evento Abertura Nacional da Colheita do Milho 2021, transmitido de Primavera do Leste (MT) nesta manhã. “Em algum momento, esses preços altos vão inibir a demanda pelo cereal”, afirmou.

Na avaliação de Galvão, mesmo que o Brasil recorra à importação do cereal, em virtude da quebra da segunda safra 2020/21, as cotações tendem a continuar no atual patamar ou até subir no segundo semestre do ano. “Importação não é sinônimo de preço barato, principalmente pelos custos de câmbio e logística. Também há um problema de falta de milho no mundo”, apontou Galvão.

O analista da Céleres acrescentou que a importação do cereal não é uma alternativa viável para fábricas mais distantes dos portos. “Regiões mais próximas dos portos de desembarque como Paranaguá (PR) e São Francisco do Sul (SC) conseguem equacionar a demanda com importação, mas, para o consumidor localizado no interior do Brasil, importação não é solução”, disse.

Galvão também destacou que a importação será necessária para abastecimento interno nesta safra mesmo que as tradings estejam redirecionando milho de exportação para processamento local.

A Céleres Consultoria estima que a produção da safrinha do país deve ficar abaixo de 60 milhões de toneladas no ciclo 2020/21. “É muito difícil acreditar em produção acima de 60 milhões de toneladas nesta safra com os problemas observados desde o início do plantio”, avaliou.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima colheita de 67 milhões de toneladas do cereal de segunda safra na temporada 2020/21.

O analista Paulo Molinari, da Safras & Mercado, também considerou a previsão da Conab otimista diante das condições atuais das lavouras. “Tivemos 60 dias de seca e quatro episódios de geadas, além de 45% do plantio sendo feito em março. Nossa previsão é de 56,7 milhões de toneladas de safrinha. Podemos reduzir ainda mais esse número nas próximas estimativas em virtude das produtividades abaixo do esperado”, afirmou durante o evento.

Isadora Duarte

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