Milho

Preço da saca de milho retorna aos R$ 100 na B3 após novas quedas na quinta-feira

Cotação em Chicago ainda sobe, com investidores de olho no clima e no trigo


Notícias Agrícolas - 30 jul 2021 - 07:28

A estabilidade marcou presença nos preços do milho no mercado interno brasileiro nesta quinta-feira, 29. O levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas averiguou que as cotações seguiram inalteradas na maior parte das praças nacionais.

As únicas valorizações apareceram em Ponta Grossa (PR) e Londrina (PR), enquanto as únicas desvalorizações estiveram presentes em Itapetininga (SP) e Campinas (SP).

De acordo com a análise da Agrifatto Consultoria, “notícias sobre a importação de milho argentino esfriam os negócios no interior do Brasil, mas a saca do cereal em Campinas está firme nos R$ 100”.

O reporte diário da Radar Investimentos ainda aponta que, os negócios do milho ficaram travados no mercado físico. “No entanto, o tom do FED (Banco Central dos EUA) mantém pressionada a relação cambial, principalmente se os juros subirem no Brasil na próxima semana. Vale a pena ficar atento às indicações de preços nos portos”, alerta.

B3

A quinta-feira foi de recuos para os preços futuros do milho, que voltaram a se aproximar dos R$ 100 para os primeiros contratos na bolsa brasileira B3.

O vencimento em setembro de 2021 foi cotado à R$ 100,10 com desvalorização de 1,47%; o novembro de 2021 valeu R$ 100,40 com perda de 1,47%; o janeiro de 2022 foi negociado por R$ 101,38 com baixa de 1%; e o março de 2022 teve valor de R$ 101,37 com queda de 0,8%.

Para o analista de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, a pressão de vendas segue aumentando para os produtores, que começam a querer vender milho da safrinha enquanto os trabalhos de colheita avançam.

Brandalizze aponta que 50% das lavouras do Brasil já foram colhidas, com Mato Grosso chegando a 80% e São Paulo e Paraná começando a ganhar ritmo, mostrando um potencial maior do que se esperava nestas primeiras lavouras. Mas o analista destaca que, aquelas áreas que foram afetadas pela seca e pela geada entram em colheita após 10 de agosto e seria preciso aguardar para verificar as produtividades.

Enquanto isso, os negócios estão fluindo de forma pontual, com compradores do Sudeste e Sul pagando cerca de R$ 100 por saca, e poucas vendas confirmadas.

Mercado externo

Já os preços internacionais do milho futuro estenderam os ganhos nesta quinta-feira na bolsa de Chicago (CBOT).

O vencimento em setembro de 2021 foi cotado à US$ 5,58 com valorização de 8,75 pontos; o novembro de 2021 valeu US$ 5,56 com elevação de 7,5 pontos; o março de 2022 foi negociado por US$ 5,64 com ganho de 7,5 pontos; e o maio de 2022 teve valor de US$ 5,68 com alta de 8 pontos.

Esses índices representaram valorizações ante o fechamento da última quarta-feira, de 1,64% para o setembro de 2021, de 1,28% para o novembro de 2021, de 1,44% para o março de 2022 e de 1,43% para o maio de 2022.

Segundo informações da agência Reuters, os contratos de milho seguem avançando cada vez mais, apoiados por mercados de trigo mais fortes, mesmo com chuvas em partes do Meio-Oeste dos Estados Unidos limitando os ganhos.

“O mercado de Chicago também está avançando, apegando-se ao clima, com posições em 5,5 dólares ou mais para praticamente todas as posições de curto, médio e longo prazo; somente os muito longos estão abaixo disso”, afirma Brandalizze.

O analista ainda observa que estes valores representam um preço de R$ 80 nos portos brasileiros, o que deve manter o ritmo lento de exportações. “O milho segue com alta no mercado internacional, mas, mesmo assim, as cotações externas não são atrativas para a exportação brasileiras”, disse.

Guilherme Dorigatti

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