Milho

Preço do milho segue pressionado no Brasil pelo início da colheita

Cotações em Chicago ficam em campo misto com piora das lavouras e a previsão de clima melhor


Notícias Agrícolas - 16 jun 2021 - 07:17

Na terça-feira, 15, os preços do milho acumularam perdas em muitas regiões no mercado físico brasileiro. Em levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas, não foram percebidas valorizações em nenhuma das praças.

Já as desvalorizações apareceram em Não-Me-Toque (RS), Panambi (RS), Ubiratã (PR), Londrina (PR), Cascavel (PR), Castro (PR), Marechal Cândido Rondon (PR), Pato Branco (PR), Palma Sola (SC), Rondonópolis (MT), Primavera do Leste (MT), Alto Garças (MT), Itiquira (MT), Jataí (GO), Rio Verde (GO), Brasília (DF), Dourados (MS), Eldorado (MS) e Cândido Mota (SP).

De acordo com o reporte diário da Radar Investimentos, “os primeiros lotes da safrinha começam a chegar ao mercado, mas com volume pouco relevante neste primeiro momento”.

A análise da Agrifatto Consultoria acrescenta ainda que, “as melhores condições climáticas em regiões produtoras de milho nos Estados Unidos ajudaram a pressionar o preço para baixo; o mercado físico negocia a saca na casa dos R$ 94 em Campinas (SP)”.

Enquanto isso, no Mato Grosso, 1,94% dos 5,68 milhões de hectares cultivados de milho foram colhidos no estado, patamar inferior ao registrado no mesmo período da safra passada (8,48 pontos percentuais a menos) e da média das últimas cinco safras (6,37 pontos percentuais a menos).

“O atraso na semeadura do milho postergou a colheita do cereal, como já era aguardado”, explica o Imea.

Já a comercialização desta safra avançou para 77,34%, um aumento de 3,54 pontos percentuais em relação ao último mês. O preço médio das vendas foi indicado em R$ 70,26 a saca.

“O que pautou, em grande parte, o ajuste no volume comercializado foi a redução na produção esperada para a safra e não de fato novas vendas do cereal, uma vez que os produtores seguem retraídos e aguardam o progresso da colheita para tomada de novas decisões”, aponta o Imea.

No Paraná, a colheita da segunda safra de milho permanece em 1%. Das lavouras ainda em campo, 13% avançaram para fase de maturação, 67% estão em frutificação, 19% em floração e apenas 1% ainda está em descanso vegetativo.

B3

Os preços futuros do milho acumularam novas perdas na bolsa brasileira B3 nesta terça-feira. As principais cotações registraram movimentações negativas entre 1,43% e 2,28% ao final do dia.

O contrato julho de 2021 foi cotado à R$ 88,70 com baixa de 1,51%; o setembro de 2021 valeu R$ 89,80 com queda de 1,43%; o novembro de 2021 foi negociado por R$ 90,58 com desvalorização de 2,28%; e o janeiro de 2022 teve valor de R$ 92,25 com perda de 2,07%.

Para o analista de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, o mercado interno segue quase sem negócios com todo mundo esperando pela safrinha, que está começando a ser colhida, ainda com dúvidas sobre o real tamanho desta produção.

“Hoje já se fala de R$ 88,00 a R$ 92,00 nas indústrias de ração com o mercado um pouco mais fraco e recuando frente a semana passada”, destaca Brandalizze.

Mercado externo

A bolsa de Chicago (CBOT) operou em grande parte do dia com quedas para os preços internacionais do milho futuro, mas encerrou a terça-feira em campo misto. As principais cotações registraram movimentações entre 7,5 pontos negativos e 8,25 pontos positivos ao final do dia.

O contrato julho de 2021 foi cotado à US$ 6,67 com ganho de 8,25 pontos; o setembro de 2021 valeu US$ 5,91 com baixa de 6,75 pontos; o dezembro de 2021 foi negociado por US$ 5,73 com desvalorização de 7,5 pontos; e o março de 2022 teve valor de US$ 5,80 com perda de 7,25 pontos.

Esses índices representaram alta em relação ao fechamento da última segunda-feira, de 1,21% para o julho de 2021, além de quedas de 1,17% para o setembro de 2021, de 1,38% para o dezembro de 2021 e de 1,36% para o março de 2022.

Segundo informações da agência Reuters, as previsões para condições mais frias e úmidas no final deste mês pressionaram os futuros do milho de nova safra na CBOT, embora o milho do mês de julho tenha ganhado contra os meses anteriores nos spreads.

“Estamos vendo vendas contínuas com a melhora do clima. As temperaturas estavam um pouco mais frias do que o previsto no dia anterior”, disse o analista sênior da Futures International, Terry Reilly.

Segundo a reportagem, as expectativas de que a umidade aumentaria as perspectivas da safra ajudaram a ofuscar uma queda nas avaliações semanais das condições da safra nos EUA para os contratos do segundo semestre.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) classificou, na noite de segunda-feira, 68% da safra de milho dos EUA como boa a excelente, quatro pontos abaixo da semana anterior, e 62% da safra de soja como boa a excelente, uma queda de cinco pontos.

“Embora as classificações tenham caído, provavelmente vão melhorar em algumas semanas, porque devemos chover”, disse o analista do Price Futures Group, Jack Scoville.

Guilherme Dorigatti

Tags: Milho

Acompanhe as notícias do setor

Assine nosso boletim

account_box
mail