Milho

Preço do milho na B3 recua em meio a falta de pressão de vendas

Seca nos Estados Unidos sustenta altas do grão em Chicago


Notícias Agrícolas - 09 jun 2021 - 07:27

Os preços do milho tiveram pouco movimento no mercado físico brasileiro nesta terça-feira, 8. Em levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas, foram percebidas desvalorizações em Amambaí (MS) e Brasília (DF). Já as valorizações apareceram apenas nas praças de Itiquira (MT), Primavera do Leste (MT) e Rondonópolis (MT).

De acordo com o reporte diário da Radar Investimentos, “no mercado físico brasileiro, os negócios estão travados e há mais revisões para baixo da produtividade da safrinha”.

A análise da Agrifatto Consultoria destaca ainda que “a semana se iniciou com poucas novidades no mercado físico e mesmo o início da colheita não esfria os preços no mercado nacional, assim, a saca negociada em Campinas permanece em R$98”.

Enquanto isso, a comercialização da safrinha 2021 de milho no Brasil atinge 42,7% da produção prevista de 61,592 milhões de toneladas, segundo levantamento de Safras & Mercado. Em junho do ano passado a comercialização da safrinha 2020 estava mais lenta, atingindo 40,2%.

A comercialização de milho safrinha atinge 26,9% no Paraná, 12,8% em São Paulo, 42,3% em Mato Grosso do Sul, 44,2% em Goiás e Distrito Federal, 18,5% em Minas Gerais e 51,1% no Mato Grosso.

B3

Os preços futuros do milho operaram em alta durante boa parte do dia, mas encerraram a terça-feira recuando na bolsa brasileira B3. As principais cotações registraram movimentações negativas entre 0,25% e 0,66% ao final do dia.

O vencimento julho de 2021 foi cotado à R$ 94,64 com perda de 0,48%; o setembro de 2021 valeu R$ 97,05 com baixa de 0,31%; o novembro de 2021 foi negociado por R$ 98,35 com queda de 0,25%; e o janeiro de 2022 teve valor de R$ 99,85 com desvalorização de 0,66%.

Para o analista de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, o mercado brasileiro segue sem pressão de venda e com poucos vendedores disponíveis. “O pouco milho que está sendo colhido é rapidamente negociado regionalmente com valores acima do potencial de exportação, que mesmo em alta, paga R$ 85 por saca nos portos, o que é muito abaixo do mercado interno”, diz.

Brandalizze complementa que, assim, não há negócios na exportação e nem mesmo no mercado interno, onde os grandes compradores estão de fora esperando a colheita que deve ganhar ritmo a partir da próxima semana.

Mercado externo

Os preços internacionais do milho futuro também acumularam novos ganhos nesta terça-feira na bolsa de Chicago (CBOT). As principais cotações registraram movimentações positivas entre 0,75 e 7 pontos ao final do dia.

O vencimento julho de 2021 foi cotado à US$ 6,80 com alta de 0,75 pontos; o setembro de 2021 valeu US$ 6,28 com valorização de 7 pontos; o dezembro de 2021 foi negociado por US$ 6,09 com ganho de 6,75 pontos; e o março de 2022 teve valor de US$ 6,14 com elevação de 6,25 pontos.

Esses índices representaram altas em relação ao fechamento da última segunda-feira: de 0,15% para o julho de 2021; de 1,13% para o setembro de 2021; de 1,16% para o dezembro de 2021; e de 0,99% para o março de 2022.

Segundo informações da agência Reuters, os contratos futuros de milho nos Estados Unidos subiram na terça-feira depois que um relatório do governo mostrou que a condição das safras estava pior do que o esperado, com uma onda de calor que atingiu o Meio-Oeste dos Estados Unidos.

“O relatório de progresso da safra de ontem forneceu bastante suporte para as altas. Nenhuma mudança ainda nas previsões de tempo quente e seco daqui para frente”, disse o diretor de informações de mercado da StoneX, Matt Zeller, em uma nota aos clientes.

“O clima nos EUA continua sendo o principal foco. Os meteorologistas mostram que o noroeste do Meio-Oeste está em um caminho para uma área em expansão de seca e estresse das safras na próxima quinzena”, aponta o diretor de estratégia agrícola do Commonwealth Bank of Australia, Tobin Gorey.

Guilherme Dorigatti


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