Milho

Milho encerra quarta-feira desvalorizado no Brasil com colheita em andamento

Preço em Chicago fica em campo misto por conta de esperança de novas chuvas nas lavouras


Notícias Agrícolas - 17 jun 2021 - 07:25

A quarta-feira, 16, viu os preços do milho despencando em muitas regiões no mercado físico brasileiro. Em levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas, foram percebidas valorizações apenas em praça de Castro (PR), com 2,27%, e Brasília (DF), com 0,63%.

Já as desvalorizações apareceram em Ponta Grossa (PR), de 2,22%; Cascavel (PR), de 1,23%; Palma Sola (SC), de 1,18%; Rio do Sul (SC), de 4,60%; Rondonópolis (MT), de 4,55%; Primavera do Leste (MT), de 2,51%; Alto Garças (MT), de 3,36%; Itiquira (MT), de 2,51%; São Gabriel do Oeste (MS), de 11,11%; Maracaju (MS), de 11,36%; Campo Grande (MS), de 12,50%; e Cândido Mota (SP), de 2,41%.

De acordo com o reporte diário da Radar Investimentos, “os indicadores do [mercado] físico têm cedido diariamente com o comprador mais ausente dos negócios em parte das praças neste momento”.

A análise da Agrifatto Consultoria acrescenta ainda que, “com a colheita do milho de segunda safra ainda engatinhando, as negociações partiram para o patamar de R$ 93 por saca em Campinas (SP). No entanto, os compradores pressionam na busca por preços ainda menores”.

Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, o preço da saca do milho se desvalorizou 3,5%, sendo negociado a R$ 82,81. “O preço do cereal em queda é reflexo da desvalorização das cotações no mercado externo somado ao comportamento de queda dólar frente ao real”, aponta a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul).

Já em Goiás, a saca do cereal encerrou a sexta-feira valendo, em média, R$ 80,03 com estabilidade com relação à semana anterior. A semana foi de forte volatilidade no mercado do milho. “Após uma semana de forte queda, o período atual busca pela recuperação. No entanto, com as chuvas aliviando a situação de algumas lavouras e o início da colheita em algumas regiões do país, não permitiram novas altas”, explica o Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag).

B3

Os preços futuros do milho fecharam a quarta-feira contabilizando perdas na bolsa brasileira B3. As principais cotações registraram movimentações negativas entre 1,25% e 2,34% ao final do dia.

O vencimento julho de 2021 foi cotado à R$ 87,21 com queda de 1,68%; o setembro de 2021 valeu R$ 87,70 com desvalorização de 2,34%; o novembro de 2021 foi negociado por R$ 88,73 com baixa de 2,04%; e o janeiro de 2022 teve valor de R$ 91,10 com recuo de 1,25%.

Para o analista de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, as quedas no Brasil acontecem em função da baixa do dólar ante o real. Ele ainda destaca que existe fôlego para o milho cair mais, mesmo com quebras na safrinha. “Quebrou a safrinha? Quebrou, mas se a gente colher o que o mercado está esperando, perto de 60 milhões de toneladas, isto está 20 milhões acima do que o volume a ser consumido no segundo semestre e o país vai ter que exportar, o que, no momento, paga R$ 80 por saca”, explica Brandalizze.

Mercado externo

A bolsa de Chicago (CBOT) subiu em boa parte do dia, mas encerrou a quarta-feira em campo misto para os preços internacionais do milho futuro. As principais cotações registraram movimentações entre 3,25 pontos negativos e 5,5 pontos positivos ao final do dia.

O vencimento julho de 2021 foi cotado à US$ 6,73 com ganho de 5,5 pontos; o setembro de 2021 valeu US$ 5,88 com perda de 3,25 pontos; o dezembro de 2021 foi negociado por US$ 5,72 com baixa de 1,25 ponto; e o março de 2022 teve valor de US$ 5,79 com queda de 1,25 ponto.

Estes índices representaram alta, com relação ao fechamento da última terça-feira, de 0,9% para o julho de 2021, além de recuos de 0,51% para o setembro de 2021, de 0,17% para o dezembro de 2021 e de 0,17% para o março de 2022.

Segundo informações do site internacional Successful Farming, na quarta-feira, os mercados agrícolas do CME Group fecharam com os futuros do milho em julho mais altos e os demais vencimentos mais baixos, com os investidores acreditando que a chuva está chegando para as lavouras norte-americanas.

“Os modelos meteorológicos vão virar. Na semana passada, eles mostraram condições de crescimento quentes, secas e difíceis. Agora, cinco dias depois, as modelos projetam de 7 a 15 centímetros de chuva com um alvo em Iowa. Se atingir isso, o problema provavelmente está resolvido; 2,5 a 5 centímetros ajudam, mas não resolvem o déficit de umidade de longo prazo”, afirmou o analista Al Kluis, da Kluis Advisors, em uma nota aos clientes.

Guilherme Dorigatti Borges

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