Milho

Milho começa a semana subindo na B3 com medo de impacto da geada nas lavouras

Preço em Chicago dispara 6% por conta do clima e das compras de barganha


Notícias Agrícolas - 29 jun 2021 - 07:20

A segunda-feira, 28, teve preços do milho voláteis no mercado físico brasileiro. Em levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas, foram percebidas desvalorizações em Rio do Sul (SC), Tangará da Serra (MT), Campo Novo do Parecis (MT), Jataí (GO), Rio Verde (GO), Brasília (DF) e no oeste da Bahia.

Já as valorizações apareceram nas praças de Ubiratã (PR), Londrina (PR), Marechal Cândido Rondon (PR), Pato Branco (PR), São Gabriel do Oeste (MS), Eldorado (MS), Cândido Mota (SP), Itapetininga (SP) e Campinas (SP).

De acordo com a análise da Agrifatto Consultoria, “em dia de poucas negociações e de dólar em alta, o preço do milho fechou o dia estabilizado na casa dos R$ 86 por saca em Campinas (SP)”. Os analistas da Agrifatto destacam ainda que, “com a colheita da safrinha ainda em fase inicial, nota-se que os compradores diminuíram seu apetite e aguardam um aumento da oferta”.

Ainda nesta segunda-feira, o Cepea divulgou sua nota semanal apontando que, com compradores afastados do mercado spot, os valores do milho seguem em queda na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea. “Demandantes têm postergado as aquisições de novos lotes, à espera de melhores oportunidades à medida que a colheita avança”, aponta.

Pesquisadores do Cepea ressaltam ainda que as recentes desvalorizações do câmbio e, consequentemente, do cereal nos portos também influenciaram a queda dos preços no interior do país: “Do lado vendedor, os que não necessitam ‘fazer caixa’ resistem e evitam negociar – esses agentes aguardam sustentações nos valores, fundamentados na possível queda de produtividade, devido ao atraso na semeadura e ao baixo volume de chuvas”.

Na parcial de junho (até o dia 25), o Indicador Esalq/BM&FBovespa referente a Campinas (SP) recuou 13,8%, fechando a R$ 86,27 por saca de 60 kg.

B3

Os preços futuros do milho começaram a semana subindo na bolsa brasileira B3. As principais cotações registraram movimentações positivas entre 4,81% e 5,24% ao final da segunda-feira.

O vencimento julho de 2021 foi cotado à R$ 87,16 com ganho de 4,82%; o setembro de 2021 valeu R$ 88,41 com alta de 4,81%; o novembro de 2021 foi negociado por R$ 89,67 com elevação de 4,88%; e o janeiro de 2022 teve valor de R$ 92,82 com valorização de 5,24%.

Para o analista de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, o fator clima está puxando as cotações do cereal para cima tanto no mercado internacional quanto no brasileiro. “Aqui no Brasil, o clima seria o tiro morteiro para muitos produtores porque já sofreram com seca, com granizo, vento, geadas precoces que já apareceram e, agora, uma geada, que se confirmada, será muito forte e vai causar estragos”, diz.

Brandalizze destaca que, no Paraná, por exemplo, 30% das lavouras ainda estão suscetíveis à danos por geadas caso elas apareçam nesta semana. “São as lavouras que tinham maior potencial produtivo, que se desenvolveram melhor e, por isso, o mercado está se protegendo”.

Mercado externo

A bolsa de Chicago (CBOT) também contabilizou flutuações altistas para os preços internacionais do milho futuro nesta segunda-feira. As principais cotações registraram movimentações positivas entre 28 e 39 pontos ao final do primeiro dia da semana.

O vencimento julho de 2021 foi cotado à US$ 6,75 com valorização de 39 pontos; o setembro de 2021 valeu US$ 5,58 com elevação de 28 pontos; o dezembro de 2021 foi negociado por US$ 5,47 com ganho de 28 pontos; e o março de 2022 teve valor de US$ 5,54 com alta de 28,25 pontos.

Esses índices representaram elevações, com relação ao fechamento da última sexta-feira, de 6,13% para o julho de 2021, de 5,28% para o setembro de 2021, de 5,39% para o dezembro de 2021 e de 5,32% para o março de 2022.

Segundo informações da Reuters, os traders estão focados nas previsões de calor no oeste do Meio-Oeste dos Estados Unidos, que secará rapidamente os solos nas principais áreas de produção. De acordo com comerciantes ouvidos pela agência, as chuvas do fim de semana pouco fariam para proteger as safras em áreas que enfrentaram graves déficits de umidade durante o mês passado.

“O calor que estava no extremo oeste parece que está voltando para o cinturão do milho ocidental. Você não quer ter um calor de 35 graus levando à polinização (do milho)”, disse o analista-chefe de mercado da Northstar Commodity, Mark Schultz.

A publicação destaca ainda que alguma compra de barganha também foi observada depois que o mercado registrou quedas acentuadas na semana passada.

Guilherme Dorigatti Borges


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