Milho

Milho acumula perdas na B3 nesta quinta-feira com dólar e colheita da safrinha

Preço em Chicago bate limite de baixas com clima e alta do dólar


Notícias Agrícolas - 18 jun 2021 - 07:17

A quinta-feira, 17, terminou com os preços do milho perdendo força no mercado físico brasileiro. Em levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas, foram percebidas valorizações apenas em Brasília (DF).

Já as desvalorizações apareceram nas praças de Não-Me-Toque (RS), Panambi (RS), Ubiratã (PR), Londrina (PR), Cascavel (PR), Castro (PR), Marechal Cândido Rondon (PR), Rio do Sul (SC), Dourados (MS), Eldorado (MS) e Cândido Mota (SP).

De acordo com o reporte diário da Radar Investimentos, “as cotações do milho têm recuado consecutivamente no mercado físico durante os últimos dias. Os fundamentos para isto são a queda do dólar, o início das primeiras áreas de safrinha no Brasil e um regime de chuvas ligeiramente melhor em boa parte do cinturão produtivo norte-americano”.

A análise da Agrifatto Consultoria acrescenta ainda que, “o milho continua se desvalorizando no mercado físico com a referência de preços para o cereal em São Paulo rondando a casa dos R$ 92,50 por saca. Os agricultores que detêm cereal e ainda não negociou está aceitando valores cada vez menores, e com isso, o peço recua”.

B3

Os preços futuros do milho caíram na bolsa brasileira B3 nesta quinta-feira. As principais cotações registraram movimentações negativas entre 5,06% e 5,3% ao final do dia.

O vencimento julho de 2021 foi cotado à R$ 82,80 com perda de 5,06%; o setembro de 2021 valeu R$ 83,05 com desvalorização de 5,3%; o novembro de 2021 foi negociado por R$ 84,24 com baixa de 5,06%; e o janeiro de 2022 teve valor de R$ 86,44 com queda de 5,12%.

Para o analista de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, a pressão de baixa no mercado brasileiro vem de Chicago. “A B3 também está em queda e o mercado vai se acomodando abaixo dos R$ 90 por saca com a entrada da safrinha, mesmo com quebra. Os indicativos nos portos também recuaram e agora se fala em R$ 77 ou R$ 75, perdeu os R$ 80 que vinha trabalhando no começo da semana para exportações de setembro e com isso aumenta a pressão de baixa no mercado doméstico”.

Brandalizze aponta ainda que estamos em um período de calmaria no mercado e otimismo no setor de granjeiros, vendo que os insumos devem começar a perder valor. “A colheita ainda é pontual, devendo ganhar ritmo provavelmente a partir de 10 de julho em vários locais no Brasil. Mesmo assim, o produtor segue otimista, com muita gente procurando sementes para a safra de verão que vai crescer, saindo de 5,4 milhões de hectares para perto de 6 milhões de hectares”, diz.

Mercado externo

A bolsa de Chicago (CBOT) despencou nesta quinta-feira para os preços internacionais do milho futuro. As principais cotações registraram movimentações negativas de 40 pontos ao final do dia.

O vencimento julho de 2021 foi cotado a US$ 6,33; o setembro de 2021 valeu US$ 5,48; o dezembro de 2021 foi negociado por US$ 5,32; e o março de 2022 teve valor de US$ 5,39.

Esses índices representaram desvalorizações, com relação ao fechamento da última quarta-feira, de 5,94% para o julho de 2021; de 6,8% para o setembro de 2021; de 6,99% para o dezembro de 2021; e de 6,91% para o março de 2022.

Segundo informações da agência Reuters, os futuros de milho nos Estados Unidos caíram acentuadamente na quinta-feira, pressionados pelas perspectivas de chuva e temperaturas mais amenas no cinturão da safra do Meio-Oeste, bem como fraqueza nas vendas de base ampla no setor de commodities.

Segundo a reportagem, traders esperam que as chuvas tragam alívio para as áreas secas do cinturão do milho dos EUA nas próximas duas semanas, melhorando as perspectivas de produção.

O US Drought Monitor semanal de quinta-feira, preparado por um consórcio de climatologistas, mostrou uma severa seca em 41% de Iowa, o maior produtor de milho dos Estados Unidos e o segundo maior produtor de soja.

“Quando o mercado parece chover, ele extrai o prêmio de acordo”, disse o presidente da AgResource Co em Chicago, Dan Basse.

A publicação também destaca que os grãos seguiram as quedas do petróleo e do ouro, com o dólar americano subindo acentuadamente após o Federal Reserve dos EUA sinalizar que pode aumentar as taxas de juros em um ritmo muito mais rápido do que o previsto.

Guilherme Dorigatti Borges


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