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Itaú BBA detalha aperto no mercado de milho por conta da queda produtiva ucraniana

Durante evento, gerente do banco esclarece as principais dificuldades que o país europeu deve enfrentar e aponta a produção de outras nações relevantes


NovaCana - 04 abr 2022 - 15:53

O mundo terá uma menor produção de milho no ciclo 2022/23 muito por conta da guerra entre Rússia e Ucrânia. Ao conflito se soma a preocupação já existente de um balanço apertado entre oferta e demanda para grãos e oleaginosas, situação que deve sustentar as cotações das commodities em patamares elevados.

A visão do gerente da consultoria agro do Itaú BBA, Guilherme Bellotti, foi apresentada durante a oitava edição do Agro em Pauta, realizado pelo banco na última terça-feira, 29.

“Analisando a participação do Mar Negro nas exportações globais de milho, a região é responsável por quase 20% do que o mundo negocia, com grande destaque para a produção ucraniana”, explica Bellotti.

Ele destaca que a preocupação é maior porque o atual período marca o início do plantio de milho no Hemisfério Norte. “Existem apreensão sobre qual será a área final plantada na Ucrânia; recentemente, o ministro da agricultura ucraniano disse que há possibilidade de a Ucrânia plantar só 50% do que foi plantado no ano anterior”, diz.

O gerente complementa que grande parte do milho produzido no país se localiza mais ao norte, havendo certa sobreposição com o local onde ocorre o conflito bélico. A disponibilidade de insumos, combustíveis, fertilizantes e mão de obra para as lavouras ucranianas também é um problema. “O país exporta 30 milhões de toneladas por ano e, sem ele, o mercado global de milho tende a seguir bastante apertado”, pontua Bellotti.

O Itaú BBA também analisa a situação de outros importantes produtores globais. Para a safra 2022/23, incorporou na análise os dados divulgados durante o Agricultural Outlook Forum, realizado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em fevereiro. O país estadunidense deve gerar 387 milhões de toneladas do grão.

Para Brasil e Argentina, o banco projetou um pequeno crescimento no comparativo com 2021/22: o primeiro com 117 milhões de toneladas e, o segundo, com 54 milhões de toneladas. Já no caso da Ucrânia, o Itaú prevê uma “redução razoavelmente tímida”, em torno de 15%, para 36 milhões de toneladas.

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“Deveremos ter mais um ano de redução dos estoques finais, pressão da relação estoque-uso e, consequentemente, uma possibilidade de preços internacionais em patamares ainda bastante elevados no próximo ano-safra, mesmo assumindo que não teremos uma grande intempérie climática”, complementa Bellotti.

Especificamente para o Brasil, o gerente aponta que a expectativa do banco é de que os preços comecem a refletir um pouco do cenário de bom desenvolvimento da segunda safra. “Sabemos que ainda é muito cedo. Mas de forma geral, a despeito da quebra que tivemos na safra de verão, a safrinha foi implantada em uma janela bastante ideal, o clima até agora tem sido positivo para o desenvolvimento da lavoura”, apresenta.

Com isso, a expectativa é que a safrinha fique em torno de 88 a 89 milhões de toneladas, fazendo com que os prêmios sobre as paridades de exportação se reduzam. “Por isso, as curvas futuras [de preços] nas últimas semanas cederam em relação aos patamares do início do mês. Mas ainda assim são preços bastante elevados do ponto de vista histórico”, complementa.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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