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Milho

Guerra no leste europeu aumenta demanda por milho brasileiro, diz presidente da Cargill

Alta das commodities puxou receita da companha em 2021, mas quebra na safra de milho e custo elevado afetaram lucro


Agência Estado - 26 abr 2022 - 09:13

A guerra entre Rússia e Ucrânia eleva a demanda por óleo vegetal e milho no Brasil, disse o presidente da Cargill, Paulo Sousa, em entrevista ao Broadcast Agro. “A demanda por óleo vegetal, que já estava muito alta, ficou dois graus além. O mercado de óleo global está muito apertado, tem demanda muito forte. O óleo subiu bastante de preço, e a expectativa é que continue assim por um futuro previsível”, afirmou o executivo.

“Em relação à safra de milho, se continuarem as incertezas sobre a Ucrânia, tanto sobre o crescimento da safra quanto à capacidade de embarcar, a tendência é de que isso venha a ser positivo para a demanda do milho brasileiro”, completou.

O executivo, ponderou, contudo, que os problemas na região do Mar Negro representam “risco grande” em relação à disponibilidade de fertilizante para a safra de verão 2022/23 do país.

Resultados

A Cargill obteve receita líquida de R$ 103 bilhões no Brasil em 2021, aumento de 50% ante o ano anterior, puxado pela valorização das commodities, disse Sousa. “Essa diferença de preço das commodities foi muito significativa entre 2020 e 2021. O faturamento foi beneficiado com o aumento das commodities de maneira geral”, afirmou.

O lucro líquido da empresa no país, entretanto, caiu 15% ante o ano anterior, para R$ 1,8 bilhão, prejudicado pela combinação de aumento de custo, principalmente com energia, e quebra da safrinha de milho em 2021 em virtude da seca. “O negócio de grãos é muito dependente de volume. Essa redução de 15% no nosso lucro líquido vem basicamente de menor volume por conta da redução climática da safrinha”.

Para 2022, a expectativa é de recuperação da safra de inverno do cereal mas com custos elevados para operar no país, não só de energia mas também de transporte. “A expectativa é de uma safrinha muito boa; tudo indica que venha a ser recorde. O lado mais complicado é que a inflação de custos continua muito forte”, disse Sousa. “Um fator que afetou o setor durante a safra de verão, além da quebra (de produção), são os fretes rodoviários muito altos”.

Segundo o executivo, um ano atrás, quando compradores adquiriram parte da safra de soja, não havia como antever o salto do petróleo, agravado pela guerra entre Rússia e Ucrânia. “A execução de programas de exportação e de abastecimento das fábricas no mercado doméstico de fevereiro até agora foi bem mais cara do que o que havia sido planejado. O setor sofreu com esse valor de frete muito acima do esperado”, completa.

Perspectivas

Para a receita em 2022, o cenário previsto é de preços firmes, mas com alta volatilidade, segundo Sousa, citando as incertezas sobre o clima nos EUA e na América do Sul e os rumos da guerra entre Rússia e Ucrânia.

“O mercado vai estar muito nervoso com relação ao clima nos EUA. Vamos torcer para que no Brasil a safrinha continue se desenvolvendo bem e que o fertilizante chegue a tempo para a distribuição e plantio da nossa safra de verão”, disse.

Segundo o executivo, o risco de faltar fertilizante “existe, mas é pequeno”. “O principal risco é o timing da chegada desse fertilizante na fazenda, na mão da produtor”, relata.

A operação da Cargill em 2021 também foi marcada por um avanço no monitoramento da cadeia de suprimentos da soja, com 100% da compra direta da oleaginosa no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) mapeada.

A Cargill apontou ainda crescimento de 75% no volume de vendas de grãos certificados por meio do Programa 3S, que qualifica produtores para fornecer grãos para os mercados mais exigentes do mundo, como o europeu, e teve a participação de 142 agricultores.

Investimentos

Em 2021, a Cargill investiu R$ 1,023 bilhão no Brasil, aumento de 11% ante o observado no ano anterior. Um dos destaques foi a conclusão da nova fábrica de pectina em Bebedouro (SP), que recebeu aporte de R$ 229 milhões no ano passado, como parte do plano de R$ 550 milhões anunciado em 2019. A unidade passou a funcionar em setembro.

“Nossos investimentos em 2021 foram recordes”, disse Sousa, destacando ainda o valor desembolsado para melhoria de eficiência operacional e energética nas fábricas do Brasil. A empresa assinalou em nota a ampliação das unidades destinadas ao processamento de soja, com mais de 20 projetos desenvolvidos ao longo do ano.

Sousa ponderou que o aporte da empresa pode ser menor em 2022 em virtude de a Cargill já ter aplicado grande volume na fábrica de pectina nos últimos anos, mas disse que a empresa está atenta a oportunidades.

“Temos chance de surpreender para cima, porque sempre estamos olhando oportunidades de mercado de aquisição de novos negócios, seja na área de grãos, seja na área de ingredientes para alimentação”, afirmou. “Havendo oportunidade de crescimento não orgânico, via aquisições, estaremos acompanhando”.

A empresa monitora, também, como ficará a mistura do biodiesel no diesel. Em 2021, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou a proposta do Ministério da Economia de reduzir a mistura para 10% (B10), mas o setor produtivo defende ser possível aumentá-la novamente para B12.

“Trouxe bastante frustração toda a incerteza com relação ao mandato”, disse Sousa. Segundo o executivo, a expectativa é que seja possível retomar o B12 e depois o ritmo previsto de elevação da mistura.

“O grande problema para qualquer empresa que quer investir e crescer é se você não tem certeza das regras pelas quais vai estar jogando”, afirmou. “Está dentro da regra fazer redução de até 3%, mas 3% é a diferença entre ter um mercado em que faz sentido operar e um mercado em que não faz sentido crescer com base em capacidade instalada. Essas alterações de mandato são bem complicadas para a confiabilidade do investimento”.

Leticia Pakulski


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