Milho

Com fundamentos firmes, preços do milho sobem até 5,9% no interior do Brasil


Notícias Agrícolas - 23 jul 2021 - 07:27

Apesar das baixas de mais de 1% nos futuros do milho negociados na bolsa de Chicago e de uma alta tímida do dólar frente ao real, os preços do milho voltaram a subir no mercado futuro brasileiro e também no físico. As altas registradas no pregão desta quinta-feira, 22, da B3 foram mais contidas em relação aos últimos dias, mas mantiveram as posições mais negociadas ainda acima dos R$ 99 por saca.

O mercado nacional permanece muito focado na oferta restrita em função não só das adversidades climáticas já registradas, mas também de olho na lentidão da colheita da segunda safra.

“Alguns produtores estão apenas colhendo e entregando contratos e outros afirmam que vão segurar parte do milho que não está negociado para vender mais a frente”, relata o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. “Com isso, o ritmo dos negócios é lento. Nos portos, há chance de R$ 80 por saca, mas o produtor quer mais, muito mais do que isso. Na exportação, praticamente, não há novos negócios”.

Ainda segundo ele, as tradings estão buscando alguma revisão de suas posições e operações, fazendo cálculos entre o milho brasileiro e o milho importado. “Elas estão buscando realocar o milho importado e ficar com o milho nacional, atender a demanda e ter margens aqui dentro, porque o reposicionamento das posições está viável para atender o consumo doméstico”, diz.

Desta forma, o quadro para os preços do cereal é sólido para os atuais patamares, sem espaço suficiente para correções muito agressivas. A demanda interna se mostra ainda forte, a oferta é limitada e a sustentação das cotações é, portanto, bastante consistente.

No interior, algumas praças de comercialização marcaram boas altas no mercado físico, como em São Gabriel do Oeste (MS), onde o preço subiu 5,9% para R$ 90 por saca; Itapetininga (SP), que teve alta de 3,13% para levar a saca a R$ 99; e Campinas (SP), que chegou a R$ 102,00 com ganho de 2%.

Bolsa de Chicago

Na bolsa de Chicago, os futuros do cereal terminaram a quinta-feira com baixas de 6,75 a 7,25 pontos nos principais contratos, depois de marcarem baixas de mais de 20 pontos ao longo do pregão. O foco dos traders permanece sobre o clima e a sinalização de alguma melhora nas condições para o cinturão do milho afetou o mercado. No entanto, as previsões divulgadas no início da tarde já não eram tão favoráveis e algumas commodities, mas principalmente o milho, recuperaram parte das baixas.

“Boa parte do Meio-Oeste e das Planícies irão receber, pelo menos, alguma melhor umidade entre sexta e segunda-feira, mas muitas áreas deverão receber volumes de chuvas de apenas pouco mais de 2,5 mm”, explica a equipe do portal norte-americano Farm Futures. “O tempo quente e seco deve continuar para uma boa parte do país entre 29 de julho e 4 agosto”.

Carla Mendes

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