Milho

Andamento da safra de milho em MS preocupa e pode pressionar custo da avicultura


Agência Estado - 27 mai 2021 - 15:46

O comprometimento no desenvolvimento da segunda safra de milho 2020/21, provocado pelo atraso na colheita da soja e pelas condições inadequadas para o plantio, deve manter sustentado o preço do grão e pode pressionar o custo de outras atividades do agronegócio sul-mato-grossense, como a avicultura e suinocultura.

As conclusões são do mais recente levantamento do Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio (Siga-MS), projeto realizado pela Associação dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS) e pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro) por meio do Fundo para Desenvolvimento das Culturas para o Milho e para a Soja (Fundems).

Conforme o boletim circular 408 do Siga-MS, referente à terceira semana de maio, a segunda safra 2020/21 em Mato Grosso do Sul teve um fim de semana marcado por pancadas de chuva entre 2 e 100 milímetros, volume de precipitação considerado insuficiente para suprir a necessidade hídrica da cultura.

“Com isso, o desenvolvimento do milho está sendo afetado gradativamente em algumas lavouras e já podem ser observadas espigas não granadas (sem grãos)”, informa o boletim, que mantém estimativa de 2 milhões de hectares de lavoura de milho no estado, produtividade média de 75 sacas por hectare, com produção de 9 milhões de toneladas.

“Temos uma estimativa de crescimento de área de 5,7% nesta safra, mas tivemos um elevado porcentual de produção do grão plantado fora do zoneamento climático, o que tem aumentado muito o risco para essa cultura e temos perdas significativas em relação à produtividade, já consolidadas em algumas regiões”, comenta o secretário Jaime Verruck, da Semagro. “A partir da próxima semana, as equipes da Aprosoja vão a campo dimensionar dessa perda”, completa.

Os dados sobre desenvolvimento inadequado do grão em diversas regiões do estado preocupam o governo. “Existe uma demanda muito forte de crescimento do consumo de milho, portanto, os preços vão ficar sustentados. Nos preocupa essa pressão de custo que vamos ter sobre a avicultura, suinocultura e a própria bovinocultura, dado que o milho está realmente em um preço elevado. Isso ocorre não somente em Mato Grosso do Sul, mas no Brasil. Devemos ter uma quebra de safra substancial em MT, MS, PR e GO”, finaliza Jaime Verruck.

Conforme os dados do boletim do Siga-MS, Mato Grosso do Sul possui boas condições em 25% de suas lavouras, 78% em estado regular e 17% ruim. As regiões sul fronteira e sudoeste apresentam entre 2% e 9% de lavouras em boas condições, regulares 88% e 98% e, ruim até 10%. As regiões norte, nordeste, sul e sudeste de Mato Grosso do Sul variam entre 4% e 12% de boas condições, regulares entre 66% e 81% e ruins até 21%. Em algumas lavouras já pode se verificar redução de até 60% da média da produtividade, passando de 110 para 66 sacas por hectare.

Luis Filipe Santos


Acompanhe as notícias do setor

Assine nosso boletim

account_box
mail