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Milho

Calor intenso e estiagens na região Sul já ameaçam safra de milho em 2022


Folha de S. Paulo - 10 jan 2022 - 07:49

A supersafra de grãos de 290 milhões de toneladas projetada para este ano começa a ter alguns pontos de interrogação. E, mais uma vez, os desafios se iniciam pela região Sul. Calor intenso e estiagens afetam o plantio e a evolução das lavouras de milho, de soja e de arroz.

O calor afeta, ainda, pastagens, produção de leite e plantações de frutas. Na avaliação do presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro), Paulo Pires, 2022 começa de forma melancólica.

Segundo ele, os primeiros números indicam perdas de 59% no milho sequeiro e perspectivas atuais de quebra de 24% na soja no estado. A chuva está chegando tarde, e os prejuízos são irreversíveis.

A Emater-RS ainda não tem números, mas este será um ano ruim para o milho, diz o diretor-técnico da entidade, Alencar Rugeri.

Dezembro é o principal mês para o desenvolvimento da cultura do milho, e as lavouras sofreram muito com a seca intensa, segundo ele.

As perdas são localizadas e a intensidade dos prejuízos depende de região. Alguns produtores relatam perdas de 6%; em outros casos, no entanto, o índice chega a 90%.

Esse número de perdas não está fechado, e as próximas semanas serão decisivas, inclusive para a soja. Janeiro é um mês decisivo para as lavouras da oleaginosa.

Segundo Rugeri, 245 municípios do estado estão afetados pela estiagem e 138 mil propriedades foram atingidas. Em alguns casos, as famílias já não têm mais água para beber e para dar aos animais, diz o diretor da Emater.

A seca fica aparente na produção de silagem, que teve uma quebra de 57% no Rio Grande do Sul.

Produção de leite e fruticultura também entram na lista das atividades agropecuárias afetadas pela estiagem.

A seca influi ainda na produção de arroz, devido à redução de água nos reservatórios das propriedades. O estado é o maior produtor nacional desse cereal, com potencial de 8,1 milhões e toneladas.

A situação no Paraná, o segundo maior produtor de grãos do país, também é preocupante. O potencial de produção de soja, de milho e de feijão da primeira safra ficaram para trás. As perdas na soja serão de 7,8 milhões de toneladas; as de milho, 1,4 milhão; e as de feijão 107 mil. Os prejuízos, em relação ao potencial de arrecadação inicial, já somam R$ 24 bilhões.

As perdas no Paraná ganham uma dimensão complicada, pois o estado é o principal produtor nacional de feijão, o primeiro em aves e o segundo em suínos e em leite. O custo da produção de proteínas será bem maior.

O cenário pela frente não é animador, diz o chefe do Departamento de Economia Rural (Deral) do Paraná, Salatiel Turra, uma vez que as condições das plantas se agravam.

Há duas semanas, 13% das lavouras de soja eram consideradas como ruins. Agora, são 31%. No mesmo período, o quadro para o milho subiu de 10% para 25%.

Pelos cálculos do Deral, o estado já reduziu em 10 milhões de toneladas o potencial de produção de milho na soma da safrinha de 2021 e da atual, considerada como de verão.

A preocupação agora fica com a safrinha deste ano, que será semeada após a colheita de soja.


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