Milho

BRF não vê China como fator para preço do milho no Brasil e garante estoque adequado


Reuters - 11 nov 2022 - 08:11

A empresa de alimentos BRF, uma das maiores compradoras de grãos para fabricação de rações para aves e suínos, avalia que a chegada da China como compradora de milho do Brasil não influenciará o mercado brasileiro do cereal, disse o vice-presidente financeiro e de relações com investidores da companhia nesta quinta-feira, 10.

Fábio Mariano afirmou ainda, em teleconferência para comentar os resultados trimestrais, que a companhia tem aproveitado oportunidades após a colheita recorde de milho no Brasil, realizando compras nos melhores momentos do mercado para garantir estoques adequados da matéria-prima.

A China habilitou recentemente diversas tradings para exportar milho brasileiro, e o mercado está na expectativa do início das vendas do cereal aos chineses.

“A gente entende que isso (a importação de milho brasileiro pelos chineses) não deve ter influência nos preços, porque em termos relativos isso não exercerá uma mudança em relação ao que é a exportação de milho do Brasil, em relação à safra total”, disse o executivo.

Segundo ele, a exportação de milho do Brasil – segundo exportador global do produto, atrás dos Estados Unidos – “representa algo próximo de um terço (da produção), e os dados sugerem, vendo os dados da Conab e USDA, que esse número se mantém em termos relativos”.

Alguns analistas, contudo, veem a China como possível fator de alta, especialmente para os prêmios do milho brasileiro sobre os mercados futuros globais.

As compras chinesas de milho do Brasil podem ainda remodelar os fluxos globais de comércio.

Importadores tradicionais do cereal brasileiro, como Espanha e Egito, poderiam transferir algumas das suas compras para os Estados Unidos, tradicionalmente maior produtor e exportador do grão.

As habilitações para que o Brasil possa iniciar exportações aos chineses ocorreram após problemas nos fluxos com a guerra na Ucrânia, um grande país produtor e que fornece volumes à China.

Menores custos em 2023

Mariano disse ainda confiar que, após uma grande safra de milho em 2021/22, o Brasil volte a colher uma produção recorde em 2022/23, o que deverá reduzir custos para a empresa em termos de matéria-prima no ano que vem.

“Fazendo um ‘link’ com as nossas projeções para a safra, e nesse contexto incluímos a safra de soja, há uma ótima expectativa no Hemisfério Sul tanto em área plantada quanto em produtividade”, acrescentou o executivo da BRF, lembrando projeções de safras recordes.

Baseado nessas estimativas, ele disse que os modelos já sugerem “um custo de ração declinante ao longo de 2023”.

Disse também que a nova administração da companhia trabalha em formas de otimizar processos para ter o melhor aproveitamento da matéria-prima pelas criações.

Sobre compras de milho, ele ressaltou que é comum que os estoques da companhia cresçam quando acontece a colheita da segunda safra.

“É uma oportunidade de originação a preços mais baixos. A gente tem os estoques, de maneira estratégica, dentro de ‘range’ que consideramos adequado, e que ainda assim, se observarmos novas oportunidades de originação, a gente poder materializar”, explica.

Os preços do milho no mercado interno têm oscilado perto de R$ 85 a saca de 60 kg no mercado interno desde meados de outubro, segundo indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. O patamar está inferior aos níveis nominais recordes acima de R$ 100 vistos no início do ano.

Roberto Samora


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