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Apesar de preços altos, Paraná reduz área de trigo e retoma aposta no milho

Dados recentes indicam uma queda de 4% do cereal ante 2021, para 1,17 milhão de hectares


Folha de S. Paulo - 26 abr 2022 - 08:18

Os produtores paranaenses colocam as máquinas no campo para o início do plantio de trigo. Pouco mais de 0,5% da área que será destinada ao cereal já foi semeada.

Apesar do cenário internacional de preços elevados e de oferta incerta, o que deveria favorecer o plantio, os agricultores do Paraná não estão apostando muito nessa cultura.

O Departamento de Economia Rural (Deral) do Paraná mantém expectativas de uma redução de área neste ano. Os dados mais recentes indicam uma queda de 4% ante 2021, para 1,17 milhão de hectares.

É uma queda esperada desde a safra anterior, diz o analista de trigo da entidade, Carlos Hugo Godinho. Na safra 2020/21, o atraso no plantio da soja retardou o de milho, favorecendo o trigo. O resultado foi um aumento de área de trigo devido à perda do período ideal para a semeadura do milho.

Neste ano, o ritmo de plantio voltou ao normal, e prevaleceu a opção pelo milho onde há um histórico de plantio da safrinha, diz Godinho.

O preço da saca de trigo, a R$ 93, está elevado, mas os custos não deixam muita margem para o agricultor, principalmente para os que deixaram para comprar os insumos nos últimos meses.

Essa opção do produtor paranaense pelo milho safrinha fez a Safras & Mercado refazer seus cálculos para o trigo. O analista Élcio Bento prevê uma área total de 3 milhões de hectares no país, com produção recorde de 9,5 milhões de toneladas. A estimativa anterior era de 3,6 milhões de hectares.

O potencial de produção deste ano é bom, devido ao clima mais frio, e o cenário de preços é favorável, diz o analista. Com isso, a produção do Rio Grande do Sul deverá superar a do Paraná novamente.

O diretor técnico da Emarter-RS, Alencar Rugeri, diz que o cenário é favorável para o Rio Grande do Sul, e o produtor está decidido a aumentar a área de trigo. “Tecnicamente, as perspectivas são boas, mas há alguns entraves para serem resolvidos”, afirma. Entre esses gargalos, o diretor coloca a dificuldade de recursos e a alta do custo dos insumos.

É um ano raro, e o produtor vai plantar mais. Quanto mais ainda, porém, não dá para saber, afirma. “Não dá para brincar. O produtor tem de ser profissional, diante de custos tão elevados. A gestão de negócios será essencial”.

A guerra da Rússia com a Ucrânia não é o único fator de alta dos preços do trigo, mas apenas mais um deles, segundo Bento, da Safras & Mercado.

O tamanho da próxima safra mundial está incerto. O clima afeta EUA e China, dois dos grandes produtores mundiais. Os EUA exportam, e a China, se entrar no mercado mundial comprando, altera os preços. Além disso, a guerra não está definida, e os dois países envolvidos são representativos no mercado internacional.

Antes de a Rússia invadir a Ucrânia, porém, os preços do trigo já vinham subindo. Canadá, Rússia e Estados Unidos tiveram quebra na última safra, e os estoques mundiais, que eram de 300 milhões de toneladas há duas safras, estão em 278 milhões, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, mostra a forte evolução interna do cereal. Em abril de 2019, a tonelada de trigo estava em R$ 881, subindo continuamente até chegar aos atuais R$ 1.916.

Internamente, o milho tem um apelo maior para o produtor do que o trigo. O milho é um mercado mais dinâmico, enquanto o trigo depende muito dos moinhos, segundo o analista da Safras & Mercado.

Nos Estados Unidos, os pesados investimentos na produção de etanol também tornaram o milho mais atrativo do que o trigo, segundo ele.

O mercado nacional de trigo começa a trilhar os caminhos do milho, aumentando as exportações. Nos três primeiros meses deste ano, as vendas externas de trigo somaram 2,21 milhões de toneladas, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Economia.

Neste mês, nos primeiros 14 dias úteis, as vendas atingiram 125 mil toneladas, conforme dados divulgados nesta segunda-feira, 25. Pelo menos 2 milhões de toneladas saíram do Rio Grande do Sul. O produto gaúcho caiu nas graças de importadores, e a presença no mercado externo faz bem para o desenvolvimento do mercado interno, diz Bento.

Ele alerta, no entanto, para o fato de que o custo de produção do produto brasileiro ainda tem uma grande desvantagem em relação a grandes produtores, como Canadá, Rússia e EUA.

Neste momento, os preços internacionais elevados e o câmbio alto facilitam a colocação do trigo brasileiro no exterior. Sem esses fatores condicionantes, será mais difícil.

Mauro Zafalon


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