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AgRural reduz 2ª safra de milho do Centro-Sul, mas eleva colheita do Norte-Nordeste


Reuters - 28 jun 2022 - 07:57

A segunda safra de milho do Centro-Sul do Brasil em 2021/22, que está sendo colhida, foi estimada em um recorde de 80,3 milhões de toneladas pela consultoria AgRural, que reduziu em 600 mil toneladas sua previsão na comparação com a estimativa divulgada em maio para a principal região produtora do país.

Apesar de uma visão de uma segunda safra menor que a esperada para o Centro-Sul, a AgRural aumentou a projeção para colheita total do país, considerando números mais elevados para o Norte e Nordeste levantados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A produção total do cereal do Brasil em 2021/22 agora está estimada em 113,8 milhões de toneladas, também uma máxima histórica, ante as 112,3 milhões da estimativa anterior, quando a previsão para a colheita do Norte e Nordeste era menor, disse à Reuters o analista Adriano Gomes, da AgRural, nesta segunda-feira.

Com um aumento da área plantada, diante de preços favoráveis, a produção poderia ter sido ainda maior, não fosse uma seca em partes do Centro-Oeste, na segunda safra, e no Sul, na primeira.

A estiagem no Centro-Oeste, aliás, resultou em novo ajuste negativo na estimativa de maio para junho no Centro-Sul, explicou. “O que pesou para essa redução foram as perdas no Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, que já tinham sido o motivo do corte de 5 milhões de toneladas feito pela AgRural de abril para maio”, disse Gomes.

Segundo ele, a safra está praticamente “salva” nas regiões com lavouras mais adiantadas, como Mato Grosso, oeste do Paraná e parte de Mato Grosso do Sul. “Mas, caso ocorram geadas, mesmo em áreas prontas e dependendo da intensidade, isso pode causar perdas de qualidade”, completou.

Ele disse ainda que o avanço da colheita tem feito aparecer mais oferta do produtor, principalmente em Mato Grosso, para entrega no curto prazo.

Colheita

Segundo a AgRural, o tempo mais quente e seco da semana passada deu mais fôlego à colheita da safrinha de milho 2022, especialmente em Mato Grosso.

Levantamento da consultoria indicou que 20,3% da área cultivada na segunda safra do Centro-Sul do Brasil estava colhida até quinta-feira, 23, contra 11,4% uma semana atrás e 5,3% no mesmo período do ano passado.

No Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás, a perda de umidade dos grãos ainda foi lenta e, por isso, a colheita seguiu tímida. “Sem chuva nos radares, os produtores preferiram esperar a umidade baixar para avançar com a colheita e evitar descontos. A expectativa é de que os trabalhos avancem com mais rapidez nesta semana”, afirma.

Roberto Samora

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