Portugal alcança matriz elétrica totalmente renovável em março e suspende subsídios para fósseis

Autoridades no país e na União Europeia elogiam iniciativa e apontam limpeza total da matriz energética para o futuro próximo

As fontes de energia renovável em Portugal conseguiram gerar eletricidade suficiente para abastecer toda a rede do país no mês de março deste ano. Esse novo patamar deve se tornar a norma em breve.

De acordo com a distribuidora portuguesa Redes Energéticas Nacionais (REN), a produção de energia elétrica limpa ao longo do mês passado chegou a 4.812 GWh, ultrapassando a demanda nacional total de 4.647 GWh. Nesse período, a eletricidade gerada pelas usinas hidrelétricas portuguesas correspondeu a 55% do consumo mensal, graças às chuvas que – após um período de seca no país – chegaram a quatro vezes a média de março. Já as usinas eólicas forneceram 42% da eletricidade consumida.

A marca de 100% de fontes renováveis no abastecimento energético chega quase dois anos após fontes hidrelétricas, eólicas e solares ajudarem o país ibérico a manter seu consumo totalmente limpo durante quatro dias em maio de 2016. Em março do ano passado, porém, a média de oferta de energia limpa correspondeu a apenas 62% do total consumido.

O novo recorde coincide com a medida oficializada pelo governo português na última terça-feira (3) de suspender os subsídios anuais de cerca de 20 milhões de euros para produtores de energia certificados. A maior parte da verba ia para usinas termelétricas abastecidas por combustível fóssil, que ficavam de prontidão caso precisassem complementar a matriz energética.

“A conquista do mês passado é um exemplo do que acontecerá com cada vez mais frequência no futuro próximo”, declararam a Associação Portuguesa de Energias Renováveis e a ONG Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável, em relatório publicado na semana passada. O documento ainda aponta: “Estima-se que até 2040 a produção de eletricidade por fontes renováveis será capaz de suprir, de forma eficiente economicamente, a demanda anual do território português”.

As duas organizações apontam que, ainda que termelétricas tenham operado em março deste ano, isso ocorreu em períodos curtos e para complementação da oferta. Assim, os períodos de produção por fontes limpas compensaram com margem ampla o uso de combustíveis fósseis. “Esses dados, além de indicarem um marco no setor energético português, demonstram que é possível confiar na energia renovável como fonte segura e viável”.

O esforço português foi elogiado pelo ministro e vice-presidente do chamado Grupo dos Verde no Parlamento Europeu, Claude Turmes, que citou o exemplo de Portugal como evidência de que a União Europeia deveria apoiar uma meta de produção de energia renovável na casa dos 27% para todo o bloco até 2030.

A rede de jornalismo independente europeia Euractiv informa que o Parlamento, a Comissão Europeia (CE) e Estados integrantes do bloco estão, no momento, negociando a atualização da regulamentação da energia limpa em toda a UE. Os ministros pedem que a meta obrigatória chegue a 35% até 2020, enquanto as capitais nacionais e administrativas do bloco são a favor dos 27%.

Enquanto isso, a meta de Portugal não é tão distante do que a União almeja como um todo. De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), o objetivo de Lisboa é chegar a 2020 com energia limpa correspondendo a 31% de toda a matriz nacional. Isso seria possível com as fontes renováveis atendendo a 59,6% da demanda no setor elétrico com; 35,9% no setor de aquecimento e refrigeração; e 11,3% no setor de transportes.

Sophie Vorrath – Reneweconomy
Tradução e adaptação novaCana.com

Etanol e Cana direto em seu email

Antes de sair, cadastre-se para receber as principais notícias do setor
Obrigado, não quero ficar informado.
Esqueci minha senha close modal