Internacional

EUA consome mais energia renovável do que carvão pela primeira vez

Fontes limpas de eletricidade bateram recorde de geração pelo quarto ano seguido. Energia eólica foi a mais consumida, ultrapassando a hidrelétrica


Exame - 29 mai 2020 - 16:00

Os Estados Unidos atingiram um marco histórico no setor de energia. Após 134 anos de reinado do carvão como a principal fonte energética, as energias renováveis se tornaram as mais consumidas pelos americanos, no ano passado. A conta leva em consideração todas as modalidades de geração limpa, como eólica, solar e hidrelétrica.

Em 2019, o consumo de renováveis bateu a marca de 11,5 quatrilhões de BTUs, medida padrão de consumo. A eletricidade proveniente do carvão apresentou o sexto ano seguido de queda, encerrando o ano com um consumo de 11,3 quatrilhões, de acordo com EIA, agência federal americana responsável por coletar e analisar estatísticas sobre energia.

O consumo de energia a carvão está no seu menor nível desde 1964, segundo a EIA. Cerca de 90% do carvão consumido no país é utilizado para gerar eletricidade. Em grande parte, essa fonte de energia foi substituída pelo gás natural, tendência que acelerou nos últimos dez anos. A agência atribui o movimento ao baixo preço do gás e ao rápido declínio dos custos de construção de sistemas solares e eólicos.

Em outro marco histórico, a energia eólica ultrapassou a hidrelétrica como a principal fonte limpa dos Estados Unidos. O crescimento das renováveis se deve quase inteiramente ao avanço das energias provenientes do sol e do vento.

O crescimento das fontes renováveis chegou, inclusive, ao Texas, onde está a maior parte da produção de petróleo dos Estados Unidos. O estado concentra um quarto dos projetos de geração eólica atualmente em curso e já é o maior gerador de energia dos ventos do país.

A aposta nas renováveis se mostra acertada neste momento de pandemia. Enquanto a indústria petroleira amarga a maior crise da história, neste ano, o setor de energia limpa será o único a apresentar crescimento no mercado de energia, globalmente, segundo a Agência Internacional de Energia. Embora o avanço esperado seja menor do que 1%, é um valor mais amigável do que os -9,1% do setor de petróleo e os -7,7% do setor carvoeiro.

Rodrigo Caetano