Etanol

União Europeia considera reduzir pela metade o uso de biocombustíveis até 2030

Sai a primeira geração, entra a segunda: proposta, no entanto, quer incentivar os biocombustíveis de 2ª geração, como o etanol celulósico


novaCana.com - 23 nov 2016 - 10:32

A Comissão Europeia está considerando reduzir para metade o volume máximo de biocombustíveis usados nos transportes depois de 2020, pautada na preocupação de que eles aumentem as emissões de carbono ao invés de reduzirem, de acordo com um projeto visto pela Reuters.

Embora os biocombustíveis à base de produtos agrícolas reduzam a dependência de combustível fóssil, eles são produzidos a partir das matérias-primas como o açúcar e o óleo de colza (canola), que poderiam ser utilizados para o consumo humano ou animal, levando à crítica de que os renováveis causariam mudanças indiretas no uso da terra.

De acordo com a proposta da Comissão Europeia, a contribuição máxima dos biocombustíveis líquidos para as metas de energias renováveis da União Europeia (UE) deveria cair de 7% em 2021 para 3,8% em 2030.

Paralelamente, a Comissão propõe um aumento do nível dos biocombustíveis chamados de avançados, ou de segunda geração, produzidos a partir de resíduos provenientes da indústria agrícola ou florestal.

Uma fonte da UE, próxima ao assunto, disse que a Comissão vai propor que a participação de biocombustíveis de segunda geração suba para 5,5% em 2030, após atingir 1,5% em 2021.

“A redução progressiva dos biocombustíveis que tem como matéria-prima produtos alimentares e a sua substituição por biocombustíveis avançados tornarão possível a descarbonização do setor de transportes”, afirmou a Comissão no projeto, que faz parte de um conjunto de regras destinadas a garantir a redução das emissões até 2030.

Os agricultores europeus, por sua vez, argumentaram que a redução dos biocombustíveis produzidos a partir de culturas agrícolas terá efeitos indesejáveis. Segundo eles, os biocombustíveis auxiliam na rotação de culturas e na redução das importações de alimentos para animais.

A associação europeia de etanol renovável, ePURE, afirmou que a proposta da Comissão corre o risco de prejudicar inclusive os investimentos em biocombustíveis de segunda geração.

“Uma eliminação gradual levará a mais e mais investimentos em biocombustíveis, de primeira e segunda geração, acontecendo fora da Europa”, declarou o secretário geral da ePURE, Robert Wright.

Em 2012, a UE dedicou 3% da sua área de cultivo total à produção de matéria-prima para biocombustíveis consumidos pelos seus 28 Estados-membros. Os biocombustíveis são em grande parte compatíveis com os veículos de hoje e podem ser misturados com os combustíveis fósseis atuais. De acordo com a ePURE, toda a gasolina vendida na UE contém tipicamente até 5% de etanol.

Por outro lado, há quem afirme que a proposta da Comissão não foi longe o suficiente.

“O biodiesel de óleo vegetal leva a emissões cerca de 80% maiores do que o diesel fóssil o qual substitui”, citou a organização ambiental Transport & Environment (T&E), de Bruxelas.

“O biodiesel deve ser gradualmente eliminado antes de 2030, devido ao seu impacto devastador no clima mundial e nas florestas tropicais”.

No seu projeto, a Comissão não faz distinção entre o bioetanol, produzido principalmente a partir da beterraba sacarina e de cereais, e o biodiesel, produzido a partir de culturas oleaginosas, especialmente a colza, mas afirma que os Estados-membros podem fazer essa distinção na aplicação das regras.

Reportagem de Robert-Jan Bartunek, Sybille de La Hamaide e Alissa de Carbonnel, Edição de Hugh Lawson e Alexandra Hudson

Reuters

Tradução e adaptação novaCana.com


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