Etanol

Desafios do etanol celulósico e o ajuste nas cotas dos EUA


The New York Times - 03 jan 2013 - 18:06
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Nos próximos dias, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) deverá estabelecer uma norma para a quantidade de biocombustíveis avançados que os refinadores serão obrigados a misturar na oferta de gasolina e diesel em 2013. O problema é difícil porque a produção não alcançou a meta estabelecida pelo Congresso Americano em uma categoria: combustível celulósico de fontes não alimentícias como espigas de milho, talos, placas de madeira e resíduos. A EPA tem autoridade para ajustar as cotas conforme o necessário, mas a questão é complicada.

As cotas foram definidas em 2007, quando o Congresso estabeleceu uma norma de combustíveis renováveis. Sob essas metas, a produção de combustível celulósico deveria atingir um bilhão de galões em 2013, além de 500 milhões em 2012, 250 milhões em 2011 e 100 milhões em 2010. Mas até o momento a produção está perto de zero, porque ninguém conseguiu uma receita bem sucedida comercialmente.

Até o momento, a EPA não teve muita escolha a não ser protelar repetidamente quase todas as exigências para combustíveis celulósicos. Mas isso levou a reclamações amargas dos refinadores, que dizem que eles ainda são obrigados a usar pequenas quantidades de um combustível que não existe, ou enfrentar multas.

Mesmo a agência tendo abandonado a maior parte das exigências de combustível celulósico, ela manteve intacta uma cota maior de 2,75 bilhões de galões para biocombustíveis "avançados" em geral, que incluem o celulósico, o etanol feito de cana-de-açúcar brasileira e o biodiesel produzido principalmente de óleo de soja. A produção de biodiesel ou de etanol de cana-de-açúcar é favorecida porque esses processos emitem relativamente menos dióxido de carbono, o principal gás de efeito estufa, o que significa que essa produção tem vantagem na frente do aquecimento global.

Manter a cota para combustíveis avançados intacta não trouxe muitos problemas porque a agência desistiu dos mandatos celulósicos menores, disse Jeremy I. Martin, cientista sênior do programa de veículos limpos da Union of Concerned Scientists (organização sem fins lucrativos de cientistas para proteção ambiental com sede nos Estados Unidos). Mas será um problema se a agência abandonar a exigência de um bilhão de galões para 2013, ele alertou.

Se a cota total de 2,75 bilhões de galões de combustíveis avançados não for reduzida, o biodiesel e o etanol terão que compensar a diferença. E, se isso acontecer, argumenta Martin, a cota começará a colocar mais pressão na oferta de alimentos.

Enquanto isso, várias outras indústrias que usam alimentos, principalmente companhias que produzem frangos, perus, suínos e gado, estão tentando fazer com que o mandato de etanol de milho seja reduzido, mas a EPA tem recusado. A indústria de biocombustíveis tem pressionado para que as cotas sejam mantidas, com dispensas para os combustíveis celulósicos conforme necessário, ano a ano.

Um novo relatório da indústria registra um número crescente de esforços para produzir biocombustíveis celulósicos, ainda que sem sucesso comercial. "No fim das contas, o ambiente pós-eleitoral em Washington parece prometer continuidade de apoio à política estável para a comercialização de biocombustíveis avançados e o crescimento robusto da indústria", disse Brent Erickson, vice-presidente executivo da Biotechnology Industry Organization, em carta a apoiadores em dezembro.

A teoria de Martin é a de que a EPA deve manter o curso. "Nós teremos que aceitar que os combustíveis celulósicos estão atrasados", disse, mas seria melhor adiar as cotas do que eliminá-las. "Ir na direção certa um pouco mais devagar é melhor do que ir na direção errada", disse.

Matthew L. Wald
Fonte: Blog Green, do New York Times
Tradução: novaCana.com

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