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Internacional

China quer controlar a produção de etanol de milho em nome da segurança alimentar


Reuters - 23 fev 2022 - 08:02

A China quer plantar soja em cada pedaço de terra possível este ano, disse o ministro da Agricultura nesta quarta-feira, 23, ao tratar sobre o objetivo do país de reduzir sua dependência de enormes importações anuais.

O ministro Tang Renjian anunciou seu plano depois que o governo delineou uma série de ações para elevar a produção de soja entre as medidas para aumentar a segurança alimentar, em um importante documento de política rural. “Faremos um grande esforço para ampliar a produção de soja e oleaginosas”, disse.

O governo também disse que vai lidar “ativamente” com o impacto desfavorável do plantio tardio de trigo e controlar rigorosamente a produção de etanol combustível à base de milho, entre outras medidas que buscam estabilizar a oferta de grãos.

Segundo o cofundador da consultoria Sitonia Consulting, Darin Friedrichs, os preços do milho ainda estão altos, tornando improvável que os agricultores mudem todas as suas terras para oleaginosas. Para completar, as importações de milho da China atingiram um recorde no ano passado, em meio a preços domésticos crescentes e estoques baixos.

O documento do Conselho de Estado, divulgado na noite desta terça-feira, afirma que uma produção agrícola estável e uma renda rural crescente seriam fundamentais para o desenvolvimento saudável do país, que enfrenta desafios com a pandemia de covid-19, além de encarar uma economia global frágil e as mudanças climáticas.

No ano passado, as diretrizes traziam a necessidade de diversificar as importações, algo que não foi mencionado este ano. “Mesmo nos últimos seis meses, houve muito mais foco na autossuficiência e não se falou muito em importações”, disse Friedrichs.

A China também está desenvolvendo variedades de soja adequadas a solos alcalinos e experimentando o consórcio de soja com milho para extrair o máximo de soja possível.

Mas Friedrichs acredita que é improvável que os esforços tenham um grande impacto. “Talvez vejamos meio milhão de toneladas ou um milhão de toneladas a mais em produção, mas no grande esquema das coisas, não mudará muito”, projeta.

Segurança alimentar

Embora a China tenha priorizado a segurança alimentar há muito tempo, o tema se tornou mais proeminente desde o início da pandemia, em 2020. A China é amplamente autossuficiente em alimentos básicos, mas enfrentou uma grande escassez de carne suína e uma crise na oferta de milho nos últimos anos, além de eventos climáticos severos.

As importações de soja recentemente caíram bem abaixo das expectativas, levando Pequim a começar a liberar reservas. Além disso, o maior importador de soja do mundo viu uma queda acentuada em sua pequena safra doméstica no ano passado, quando os agricultores plantaram milho.

Embora reconhecendo o papel dos mercados internacionais, Tang enfatizou a necessidade de aumentar a oferta doméstica. “Uma garrafa de óleo deve conter o máximo de óleo chinês possível”, disse ele a repórteres.

O Conselho de Estado dedicou uma seção completa de seu documento para impulsionar o “projeto” de produção de soja e oleaginosas, usando medidas como aumento de subsídios para programas de rotação de terras e recompensas para municípios que produzem grandes volumes de óleos comestíveis.

Além disso, o Conselho relatou que a China fortaleceria a pesquisa sobre o impacto de médio e longo prazo das mudanças climáticas na agricultura. Também pediu a aceleração do desenvolvimento da agricultura de interior, como estufas, e a promoção de equipamentos e tecnologia avançados.

Dominique Patton e Hallie Gu
Com tradução NovaCana

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