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Monitoramento agrometeorológico é importante para a produtividade da cana


Informe publicitário - Arable - 13 out 2022 - 11:04
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Por Fabiana Quaggio*, Pedro Barbieri** e Juliana Chini***

Um dos maiores desafios da agricultura global é o aumento da produtividade em um cenário de incertezas econômicas e climáticas. A pandemia de covid-19, seguida pela guerra da Ucrânia, causou temores sobre uma crise alimentar, com o aumento do preço de itens básicos, como o trigo. Do ponto de vista energético, durante a COP26 realizada em 2021, o Brasil se comprometeu com a meta de redução de gases poluentes pela metade até 2030.

Dado o contexto de aumento da população mundial e consequente aumento da demanda por alimentos e energia, a produção agrícola tem o desafio de otimizar a produção. Para isto, é necessário minimizar as perdas agrícolas e aumentar a eficiência das operações. E o setor de cana-de-açúcar possui o potencial de protagonizar as transformações necessárias por já investir em tecnologias há décadas, além de produzir alimento (açúcar) e energia renovável.

Porém, há um fator-chave nesta equação: o clima. Entre 60% e 70% da produção agrícola é dependente das condições climáticas e cerca de 30% a 50% da produção potencial de cana-de-açúcar é perdida todos os anos em decorrência de estresses hídricos prolongados no campo, segundo o Prof. Dr. Rubens Duarte Coelho, da Esalq-USP.

As incertezas climáticas causam perdas quando não mensuradas

Não tem como falarmos de agricultura sem falar do clima. Quase todas as atividades que acontecem no ambiente agrícola dependem direta ou indiretamente dele. Por exemplo, ao se analisar as práticas de colheita e plantio, ambos só são realizados se houver condições climáticas ideais para aquela cultura se desenvolver. E, entre o plantio e a colheita, todas as atividades de manejo da cultura também dependem do clima.

Por estes motivos, o monitoramento agroclimático é importante para colocar a ciência da meteorologia a serviço da agropecuária. “O que não pode ser medido, não pode ser gerenciado”, já dizia a célebre frase de Edwards Deming. Não monitorar impacta em risco e a tomada de decisão sem dados pode gerar perdas consideráveis.

Segundo o Prof. Dr. Fabio Marin, da Esalq-USP, “nada afeta mais a produtividade do que o clima. É o fator que mais toma dinheiro do agricultor, e o que ele menos conhece”.

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E como fazer o monitoramento agrometeorológico?

O Brasil ainda não apresenta uma rede de estações meteorológicas suficientemente grande para atender as necessidades em todo o país. Porém, devido à crescente importância dada aos impactos no meio ambiente, o número de estações meteorológicas vem aumentando.

Atualmente, o Brasil conta com diversas redes de estações meteorológicas, sendo a mais importante a coordenada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O instituto possui uma rede de mais de 550 estações automáticas (onde a coleta de dados é totalmente automatizada) e de 157 estações convencionais (exigem a presença diária de uma pessoa para coletar os dados medidos) espalhadas pelo país.

Outra rede de estações, não menos importante, é a sistematizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que possui várias estações meteorológicas pelo país.

Entretanto, uma parte dessas estações meteorológicas do Brasil estão sem manutenção ou sem novos investimentos para busca de melhorias, contratações e atualizações. Considerando este cenário, novas tecnologias de monitoramento agrícola, com o uso de estações meteorológicas modernas, estão surgindo para auxiliar o produtor com informações para viabilizar o planejamento e atuar como suporte para medidas de curto, médio e longo prazo no durante a safra.

Por que é importante monitorar dados agrometeorológicos para a cana-de-açúcar?

O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, sendo que São Paulo responde por 55% da área plantada no país. A cana-de-açúcar tem uma importância econômica importante tanto na geração de empregos (diretos e indiretos) quanto no número e função de seus usos alternativos, como matéria-prima para fabricação de açúcar, melaço, etanol, aguardente entre outros (SZMRECSÁNYI, 1979).

Os canaviais têm alta produtividade por hectare e isso deve-se a fatores como qualidade do solo e das condições climáticas favoráveis, às pesquisas realizadas por institutos de pesquisa públicos e privados, investimentos em tecnologia sustentável, entre outros.

Diversos fatores podem interferir na produtividade e na qualidade da cana-de-açúcar que, no final, representam a integração das diferentes condições a que a cultura ficou sujeita (GILBERT 2006).

Segundo Marin (2008), os fatores climáticos influenciam em 43% a eficiência produtiva da cana-de-açúcar e são eles: radiação solar, deficiência hídrica, temperatura máxima e mínima e precipitação. O solo é responsável por 15%, enquanto os demais fatores, como biológicos e de manejo representam um total de 42% na produtividade dos canaviais.

A cana precisa de pelo menos três fatores climáticos para se desenvolver: radiação solar, temperatura e água. O primeiro fator está relacionado à fotossíntese e ao acúmulo de açúcares, além de influenciar no perfilhamento. A temperatura afeta o crescimento da planta, o sistema radicular e, também, a emissão de folhas. E por fim, a água define todo o crescimento e desenvolvimento da cultura (CANAL BIOENERGIA, 2015).

Marin (2015) também cita que as condições climáticas são um importante fator para o desenvolvimento da cana pois o clima é essencial para o cultivo e garantia de boas produtividades e assim como a aplicação de defensivos e fertilizantes é realizada meticulosamente, o clima também deve ser monitorado para antever e planejar ações para quaisquer mudanças climáticas.

De acordo com o 4° levantamento sobre a cultura divulgado pela Conab (abril 2022), a produção de cana-de-açúcar na safra 2021/22 registrou um total de 585,2 milhões de toneladas e esse volume representa uma queda de 10,6% em relação à colheita registrada na temporada passada.

Esta redução é explicada, principalmente, pelas condições climáticas adversas registradas, como a estiagem durante o ciclo produtivo das lavouras e às baixas temperaturas registradas em junho e julho de 2021 que impactaram nas produtividades de importantes regiões produtoras. Alguns analistas consideram que o mercado global de açúcar terá superávit na safra 2022/2023 apenas se o clima contribuir nos grandes polos produtores da cultura.

Por fim, os fatores como precipitação, umidade relativa e horas de luz são condicionantes climáticos importantes e devem ser monitorados constantemente pelo produtor pois possuem efeito sobre o comportamento fisiológico da cultura como metabolismo de brotação, perfilhamento, crescimento e desenvolvimento dos colmos, florescimento, maturação e produtividade, e, também, sobre planejamento das atividades da cultura ao longo da safra como, por exemplo, o monitoramento e controle de pragas e doenças também.

Como o monitoramento pode ajudar na otimização do uso de insumos e água na cana?

A gestão do clima e o monitoramento meteorológico são alguns dos exemplos de práticas que vêm sendo incorporadas pelos produtores com a finalidade de alcançar melhores resultados em seus canaviais. Apesar de ser impossível controlar as condições climáticas, é fundamental e importante saber como utilizar as previsões e projeções para se preparar para suas oscilações.

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Estação agrometeorológica Mark 2 em uma plantação de cana

O monitoramento agrometeorológico é uma ferramenta indispensável para que o produtor possa fazer o planejamento das culturas, o seu monitoramento, a correção de variáveis, o controle de pragas e doenças e a colheita de qualquer lavoura. Isso é o que permite minimizar os efeitos negativos que os fatores climáticos podem exercer sobre seus cultivos.

Além disso, os efeitos climáticos devem ser observados na aplicação de defensivos agrícolas, podendo influenciar os parâmetros de aplicação ou até mesmo a impossibilitar em alguns casos. Para a otimização das aplicações de defensivos devem ser observados todos esses fatores a fim de minimizar prejuízos, aumentar a eficácia dos produtos e evitar problemas provindos de perdas por deriva e evaporação (SHIRATSUCHI; FONTES, 2002).

Outra importante ferramenta aliada ao uso correto e consciente dos defensivos agrícolas é a tecnologia de aplicação, que aliada ao monitoramento agrometeorológico, emprega todos os conhecimentos técnicos-científicos para proporcionar a correta colocação do produto biologicamente ativo no alvo, em quantidade necessária, de forma econômica e com o mínimo de contaminação de outras áreas (MATUO, 1998).

Alinhado ao planejamento e execução das pulverizações, o monitoramento agrometeorológico pode auxiliar em modelos de previsibilidade de incidência de pragas no seu canavial também. Algumas pragas se proliferam em condições amenas e outras em condições mais quentes e quanto se tem acesso às condições climáticas de determinado local e se correlaciona com as principais pragas da cana-de-açúcar, é possível fazer uma gestão sustentável desses organismos no canavial e sem comprometer a produtividade.

A possibilidade de tornar a água disponível ao canavial de acordo com suas necessidades através de um sistema de irrigação é um dos fatores que podem ajudar com que a sua lavoura alcance o máximo de sua produtividade, já que comentamos anteriormente que os fatores climáticos e ambientais são importantes limitantes para garantia de bons resultados na safra. A oferta de água em quantidades ideais, no momento certo e em pontos estratégicos ajuda a controlar a questão hídrica, como também auxilia na umidade e temperatura do ar. Com a cana-de-açúcar não é diferente.

No caso do cultivo da cana-de-açúcar com o sistema de irrigação, pode ocorrer aumento da produtividade e do número de cortes por plantio, além de requerer maior eficiência na economia da atividade sucroenergética. O sistema de irrigação e o manejo adequado e racional são fatores muito importantes no aumento da produtividade desse setor que produz açúcar e etanol, deve ter um destaque nas estratégias de manejo de irrigação aplicadas à cana-de-açúcar, o sistema de irrigação ajuda a controlar o déficit hídrico na cultura, com a irrigação suplementar junto com irrigação plena faz com que a produtividade aumente cada vez mais (LOPES SOBRINHO et al. 2019).

Vale ressaltar, que segundo Lopes Sobrinho et al. (2019) a irrigação na cultura da cana-de-açúcar tem sido a salvação que consiste, em duas a três aplicações de água ou vinhaça, tendo como intenção garantir a germinação e o desenvolvimento inicial das plântulas. Buscando melhorar a atividade de manejo de irrigação da cultura, é preciso também observar os valores de transpiração e de evapotranspiração da cultura junto com evaporação do solo, que podem ser ajustados e determinados ao clima e ao solo da região. É importante conferir também o ciclo da planta, o espaçamento, a variedade e o sistema de irrigação (LOPES SOBRINHO et al. 2019).

Na lavoura, o manejo do sistema de irrigação é um parâmetro que contribui significativamente para o sucesso da empresa. Muitos sistemas são dimensionados e apresentam a deficiência de água em função da aplicação inadequada, sem considerar os critérios planta, solo e atmosfera que indicam o momento e a quantidade ideal da lâmina de irrigação para fazer a distribuição.

Estações agrometeorológicas tecnológicas

As estações meteorológicas tradicionais necessitam de manutenção constante principalmente com a necessidade de enviar equipes para limpar os pluviômetros semanalmente para garantir a acurácia dos dados. Estações agrometeorológicas modernas com o Mark 2 da Arable, além de não medirem apenas dados climáticos, mas também agronômicos, possuem baixa manutenção. Não é necessário enviar equipes para limpar ou calibrar as estações porque elas são conectadas a uma rede global de dados e calibradas todos os dias.

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Estações meteorológicas mais modernas, como a Mark 2 da Arable, possuem baixa manutenção e alta precisão

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, os pluviômetros tradicionais podem subnotificar a precipitação em até 30% ou mais. A análise comparativa a seguir mostra como a captura do dado confiável de chuva é vulnerável através de pluviômetros tradicionais e o sensor tecnológico Mark 2 da Arable.

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Estudo de medição de chuva realizado pela organização global de irrigação. O pluviômetro tradicional (Other) subnotificou significativamente o nível de precipitação até ser limpo no dia 10 do estudo. México, junho de 2022.

Com o serviço de estações agrometeorológicas em mais de 40 países, a Arable possui casos de redução de água em até 50% e 30% de defensivos químicos em um ano, além de ajudar agricultores de todo o mundo a tomar decisões diárias no momento ideal.

Referências

MATUO, T. Fundamentos da tecnologia de aplicação de agrotóxicos. In: GUEDES, J.V.C.; DORNELES, S.H.B. (Org.). Tecnologia e segurança na aplicação de agrotóxicos: novas tecnologias. Santa Maria: Departamento de Defesa Sanitária: Sociedade de Agronomia de Santa Maria, 1998.

SZIMRECSÁNYI, T. O planejamento da agroindústria canavieira do Brasil: 1930-1975. São Paulo: HUCITEC, Universidade Estadual de Campinas, 1979. p540. São Paulo.

CANAL BIOENERGIA, O Clima e sua Influência na Produtividade da Cana-de-Açúcar 2015.

GILBERT, R.A.; SHINE JUNIOR, J.M.; MILLER, J.D.; RICE, R.W.; RAINBOLT, C.R. The effect of genotype, environment and time of harvest on sugarcane yieds in Florida, USA. Field Crops Research [S1], v. 95, p. 156-170. 2006.

MARIN, F. R. et al. Sugarcane crop efficiency in two growing seasons in São Paulo State, Brazil. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 43, n. 11, p. 1449-1455, nov. 2008.


* Fabiana Quaggio é engenheira agrônoma (Esalq-USP) e associada de sucesso do cliente na Arable

** Pedro Barbieri é engenheiro agrônomo (Esalq-USP) e gerente geral de operações na Arable

*** Juliana Chini é economista (Esalq-USP) e gerente de marketing na Arable


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