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Usinas cooperativistas no Nordeste anunciam criação de conglomerado

Empreendimento responderá por 6% de toda a cana processada na região


AFCP - 03 nov 2020 - 07:53
O projeto reúne duas usinas de Pernambuco e duas de Alagoas, todas geridas por fornecedores de cana

Na última quinta-feira, 29, gestores de quatro usinas nordestinas geridas por cooperativas de fornecedores de cana se reuniram na usina Coopervales, em Atalaia (AL). Na pauta comum, nasceu o projeto da primeira central de unidades sucroenergéticas cooperativadas do país, a entrar em operação na região Nordeste.

Juntas, a Coaf (Timbaúba-PE), CooafSul (Ribeirão-PE), Pindorama (Cururipe-AL) e a Coopervales respondem por 6% das 50 milhões de toneladas de cana previstas para safra atual do Nordeste. A implantação do negócio pioneiro está programada para a próxima safra.

“Será um dos principais conglomerados do setor sucroenergético do Nordeste”, afirma o presidente da usina Coaf, Alexandre Andrade Lima, que também lidera o conselho do setor agropecuário da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) de Pernambuco.

De acordo com ele, a central de usinas cooperativadas tem como objetivo potencializar o plano de negócios das quatro unidades, que continuarão com sua autonomia na gestão interna, mas passarão a atuar em bloco no mercado, otimizando sua filosofia cooperativista neste setor.

Assim, ao invés da usina negociar de forma isolada, a central ampliará, por exemplo, a margem de todas em relação aos preços na compra de insumos para as fábricas, como também para os canaviais dos cooperativados. O mesmo ocorrerá referente à venda do etanol, açúcar, cachaça e energia produzidos pelas unidades.

“Vamos comprar insumos em uma quantidade quatro vezes maior e vender nossos produtores na mesma proporção, qualificando o nosso plano de negócios tanto para compra como para venda”, diz Lima.

Esta margem qualificada será redimensionada para a própria cadeia produtiva, pois o cooperativismo não visa o lucro, mas o desenvolvimento socioeconômico de todos que participam dele: os fornecedores de cana, que são responsáveis pela maior parte da contratação da mão de obra do setor canavieiro do Nordeste. Assim a central contribuirá para todo setor.

As quatro usinas são registradas na OCB e estão adimplentes e ativas no sistema do cooperativismo profissional brasileiro. Segundo Lima, as unidades têm pressa em iniciar a central.

Pelo cronograma definido durante a reunião, que contou com suporte do gerente de desenvolvimento de cooperativas da OCB-PE, Adriano Fassini, a assembleia para a oficialização do empreendimento será realizada com os cooperados das quatro usinas até maio do ano que vem.

Além de Lima e de seu colega da Coaf, Tarcísio Calábria, também estiveram presentes os dirigentes da Pindorama, da CooafSul, e da Coopervales. Eles aprovaram o plano de ação e vão levar para discussão nos respectivos conselhos de administração de cada unidade industrial.


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