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Usinas controlam oferta e etanol retoma ponto de alta nas negociações com distribuidoras


Money Times - 05 set 2019 - 08:57

O preço do etanol hidratado está em vias de recuperar os valores médios da primeira quinzena de agosto, quando transitou nos R$ 2,14 base Ribeirão Preto. Concorre para isso a volta das distribuidoras às compras, ao mesmo tempo que as usinas mais capitalizadas já mantêm um ritmo menor de vendas.

Dois fatores marcam o cenário de mercado nesta quarta (4), com o litro abrindo os negócios a R$ 2,10, depois de fechar a segunda quinzena do mês passado no nível de R$ 2,07. Na avaliação de CEO da SCA Trading, Martinho Ono, as distribuidoras ficaram 15 dias comprando apenas o necessário, enquanto aguardavam uma definição sobre a tarifa de etanol importado, que poderia ser zerada totalmente.

Porém, a cota livre de tarifas foi aumentada em 150 milhões de litros, totalizando 750 milhões (acima disso o imposto de importação é de 20%), ainda dentro de um patamar confortável para se evitar a concorrência no Centro-Sul.

O segundo fator, também analisado por Ono, é que, de abril a agosto, as indústrias venderam entre 1,5 e 1,6 bilhão de litros a mais em relação ao mesmo período de 2018. Com isso, os estoques precisam ser administrados, já tendo em vista a entressafra, que ocorre de janeiro a abril.

Desse modo, com demanda de um lado – e consumo acima de 1,8 bilhão de litros mensais – e oferta mais regulada, o executivo considera que não seria tão improvável que o hidratado alcance R$ 2,20/l ao final deste mês. “Não podemos cravar, mas no mínimo se garante a média da segunda quinzena de agosto (R$ 2,14)”, diz o CEO da SCA Trading, uma das mais ativas comerciantes de etanol do mercado.

Ele ainda observa que o petróleo em baixa, que se reverte em uma gasolina mais barata, já não tirava sustentação do consumo do etanol. Mas, mesmo sujeito à volatilidade, o petróleo devolve perda de ontem após novo twitter de Donald Trump pressionando a China – o que dificulta previsões. A relação entre os preços da gasolina e do biocombustível em São Paulo, entre R$ 1,35 e R$ 1,40, é vista como “amplamente favorável” às vendas de hidratado.

A previsão da SCA para a safra 2019/20 é de uma produção de 32 bilhões de litros de etanol (computando também o produzido do milho), com uma moagem de, no máximo, 580 milhões de toneladas de cana.

Giovanni Lorenzon