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[Atualizada] Usina Naviraí tem novos gestores: sai Infinity Bio Energy, entra Cargill


Portal Sul News - 11 mai 2016 - 10:59 - Última atualização em: 28 out 2016 - 08:51

Atualização (28/10): O texto abaixo foi alterado após esclarecimento da Cargill de que o grupo de investimentos CarVal não faz parte da companhia. "A Cargill esclarece que não tem relações comerciais e investimentos relacionados à Infinity Bio-Energy ou a Amerra Capital Management. Dessa forma, a Cargill reforça que não controla a Usina Naviraí", afirma a companhia em nota.

O juizado da terceira região do Tribunal Regional Federal (TRF - 3 para SP/MS), em São Paulo, decidiu refazer o processo de recuperação judicial da Usinavi (Usina Naviraí), que até o final do mês de abril estava sendo gerida pela infinity Bio Energy, de controle acionário (70%) do grupo Bertin de Lins (SP).

Agora a responsabilidade da gestão deve ser de uma associação feita pelo fundo CarVal, formado por funcionários norte-americanos da multinacional Cargill, e a brasileira Santa Terezinha (que está montando a usina Rio Paraná, em Eldorado). O sonho da CarVal era o decreto de falência para que não gerisse o passivo contábil (dívidas) da massa falida, mas um acordo com os credores, principalmente dos bancos Santander e Banco do Brasil, permitiu a renovação do processo de recuperação judicial.

A nova peça jurídica a ser homologada pelo juizado do TRF 3, se possível, em aproximadamente dez a vinte dias, representa um alívio para os trabalhadores e produtores de cana. No caso dos industriários, o volume de ações trabalhistas que simplesmente deixariam de existir supera com folga a marca de R$ 30 milhões.

Se a falência tivesse sido decretada, os produtores de cana de açúcar perderiam mais de R$ 20 milhões em tonelagens de matéria-prima vendida e processada na transformação em álcool e açúcar pela Usinavi.

Contratações

Em um escritório instalado no Jardim Progresso, em Naviraí, a Usinavi já começa a receber os currículos dos trabalhadores. Os currículos também poderão ser deixados na Casa do Trabalhador, na rua dos Jardins, para posterior triagem.

Inicialmente, as informações extraoficiais são de que a Usinavi volte a operar em junho ou julho somente com a destilaria (industrialização de álcool), assim mesmo com uma produção muito abaixo do que se produzia anteriormente, quando a usina empregava mais de 2,5 mil pessoas.

Com a evolução dos serviços e do volume arrecadado, deve haver o aumento de produção e a volta da industrialização do açúcar. E ainda de acordo com as últimas informações extraoficiais, representantes da Cargill (multinacional do setor de alimentos) estiveram em Naviraí, em visita a Usinavi. Eles têm interesse em administrar os setores agrícola e industrial.

O projeto pode integrar a usina Rio Paraná, ainda em processo de instalação em Eldorado, na parceria da Cargill com o grupo Santa Terezinha, que poderá ceder áreas arrendadas e até fornecer cana para a moagem, pois não há trabalho de campo desenvolvido pela Usinavi para obter matéria-prima para a industrialização.

Enquanto a incógnita preocupava a comunidade de Naviraí, um pouco mais de 200 funcionários continuavam trabalhando na Usinavi, mas sem receber salários, durante os últimos meses, na esperança de que houvesse o acordo para que a Usinavi não fechasse e houvesse a garantia dos empregos. Eles ainda esperam negociar os salários atrasados, décimo-terceiro salários e demais itens em acerto de contas.

Os novos administradores têm ainda um outro problema a resolver até junho ou julho. A Usinavi teve equipamento sucateado e atualmente não há condição de moer a cana porque as peças essenciais para haver a dinâmica da indústria foram levadas para Goiás. O parque industrial da usina deve passar por uma rápida operação de manutenção, antes da volta do processo de moagem.

Edilson Oliveira


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