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Usina cearense arrematada em leilão continua parada


Diário do Nordeste - 19 set 2013 - 10:47 - Última atualização em: 10 abr 2014 - 14:00

Mesmo arrematada pelo Governo do Estado no mês de junho deste ano, por R$ 15,4 milhões, ainda não há perspectiva de funcionamento para a Usina Manoel Costa Filho, que está localizada em Barbalha (CE) e poderá empregar de forma direta, após modernização do equipamento, cerca de 250 pessoas. Na área indireta, com a retomada do cultivo, há perspectiva de ampliação do plantio, que passou a ser irrisório diante da necessidade de cana-de-açúcar para manter em funcionamento a usina. Durante os últimos anos, poucos engenhos sobreviveram. A agroindústria chegou a empregar, nos anos 90, cerca de 1.600 pessoas. Ex-funcionários do empreendimento aguardavam ansiosos à compra, para receber as dívidas trabalhistas, o que foi considerado um dos maiores empecilhos para a venda.

O leilão foi promovido pelo Tribunal Regional do Trabalho do Ceará (TRT/CE). Segundo o secretário de Desenvolvimento Agrário do Estado, Nelson Martins, está sendo realizado o levantamento de área produtiva. Segundo ele, o Estado estará na responsabilidade de incentivar o cultivo da cana. Para isso, está sendo concluído estudo de capacidade de retomada do plantio.

Um levantamento inicial da área cultivável de cana-de-açúcar na região foi feito, por meio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce). Conforme o projeto de viabilidade, a área atualmente cultivável na região, que inclui cidades como Missão Velha, Barbalha, Crato, Jardim é de 8.500 hectares. São locais de maior umidade, com área de brejo, onde o cultivo poderá ser favorecido. Ainda conforme o secretário, a câmara municipal de Barbalha fez o convite para sua participação em uma sessão, onde se prevê esclarecimentos relacionados ao andamento do projeto de reativação da Usina Manoel Costa Filha.

Comemoração
A aquisição da usina de açúcar e álcool foi comemorada pelo titular SDA, Nelson Martins, e pelo presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Estado (Adece), Roberto Smith.

A ideia é que haja investidores do setor privado sulcroalcooleiro. Para isso, vem sendo realizada uma mobilização da Adece no intuito de atrair novos investidores para o segmento na região. O Governo do Estado, Cid Gomes, segundo Nelson Martins, esteve participando de reunião, no Ministério da Agricultura, para tratar do assunto.

Há grande expectativa dos produtores locais, e dos agricultores, em relação á tão sonhada retomada. Grande parte dessas pessoas teve que mudar de atividade para sobreviver. O êxodo rural aumentou significativamente na cidade e milhares de trabalhadores se deslocam todos os anos, para trabalharem em área de cultivo da cana e outras culturas, no interior do Pernambuco, Bahia, Paraná e São Paulo.

Outro levantamento para viabilidade da compra da usina pelo Governo do Estado foi realizado em 2009, pela União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida), tendo à frente o presidente da entidade, Alexandre Lima. Segundo o secretário de Agricultura de Barbalha, Elismar Vasconcelos, os produtores e ex-produtores continuam na expectativa, já que a compra agora é uma realidade.

O secretário defende o sistema de cooperativa como o mais viável para tocar a usina. A ideia é fortalecer o fornecimento de cana e álcool no Nordeste. Atualmente, estão em funcionamento quatro engenhos, mantidos comercialmente, principalmente em virtude das grandes romarias de Juazeiro. Com a reativação do setor, também deverá haver o fortalecimento desse segmento.

O arremate do empreendimento aconteceu na presença gestores públicos, produtores rurais e antigos trabalhadores da Manoel Costa Filho. A compra da usina remonta uma discussão de vários anos, relacionada à revitalização do cultivo da cana-de-açúcar na região. O valor inicial era de mais R$ 25, 8 milhões.

A perspectiva de modernização da usina anda junto com a retomada do cultivo da cultura canavieira. O governo fez um estudo e identificou que serão necessários cerca de R$ 35 milhões para recuperação. Para o titular da SDA, a usina deve gerar um grande benefício social à região do Cariri quando estiver em pleno funcionamento. Num raio de 100 Km, deverá abranger pelo menos 19 municípios com aproximadamente mil produtores de cana-de-açúcar.

Por isso, ressalta, será necessário um trabalha voltado à retomada da produção agrícola de cana-de-açúcar na região, com a ajuda do projeto Cinturão das Águas. Ainda não há uma definição de como será o sistema de gestão da usina, se passará por uma regime cooperado. Para a Adece, esse poderá não ser o melhor meio de administração do empreendimento. A gestão da iniciativa privada fará com que os investimentos para a compra, no futuro retornem aos cofres do Estado. A Usina Manoel Costa Filho chegou a representar na década de 80, auge da produção, cerca de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB), do Ceará. "O que não deve acontecer hoje, pelo crescimento no Estado, mas terá uma repercussão positiva em relação aos municípios onde haverá produção direta", afirma o secretário.

Elizângela Santos


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