Usinas

[Vídeo] Usina fecha as portas e compromete economia de Monte Aprazível, SP


G1 - 14 jan 2013 - 09:24 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

A economia de pequenas cidades do noroeste paulista está ligada diretamente ao setor de açúcar e álcool. Os salários dos trabalhadores que vêm de outros estados movimentam o comércio. O problema é quando esse dinheiro deixa de circular.

Em Monte Aprazível (SP), várias pessoas vão ter que voltar para os estados de origem por causa do fechamento de uma usina. Mais de 200 funcionários foram dispensados.

Depois de sete anos trabalhando como operador de caldeiras em uma usina de cana de Monte Aprazível, Edvan Candido resolveu fazer as malas e voltar para o Pernambuco. Ele e mais 200 funcionários estão sem emprego depois que a empresa decidiu fechar. "Se ficar aqui vou gastar o que ganhei, aí fico a ver navios depois. Daqui três meses vai aparecer emprego, mas não vai compensar a gente a ficar aqui", afirma.

O fechamento da usina não é o único problema. Os funcionários até poderiam procurar outras vagas no setor, já que os canaviais estão espalhados pela região. Mas a safra terminou em dezembro e só deve recomeçar em abril. Até lá, os trabalhadores ficam desempregados.

Enquanto uns tentam se manter procurando atividades temporárias, a maioria deixa a cidade. Reflexo direto na economia do município. Em um supermercado, as vendas já caíram 10%. "Essa economia que gera na cidade faz diferença no comércio, porque eles acabam gastando na cidade. De uma maneira geral, todos percebem a mudança", diz a gerente do supermercado, Adriana Mestrinari.

Além dessa queda natural do movimento por conta do retorno dos cortadores de cana às cidades de origem, que ficam geralmente nas regiões norte e nordeste do país, outra situação tem preocupado o comércio. É que de uns anos para cá, o sistema de colheita nos canaviais tem mudado com a mecanização. O que diminuiu a contratação de mão de obra.

Na padaria que fica em um bairro onde moravam muitos trabalhadores, o movimento caiu pela metade. "Aumentando o número de máquinas, diminui o número de trabalhadores. Com máquinas eles não veem para cá, aí fica difícil", diz a gerente Priscila Salvioni.

O impasse econômico atinge várias cidades da região que dependem da produção da cana. Em Palmares Paulista (SP), por exemplo, por ano chegam três mil trabalhadores do setor. Nesta época, muitos vão embora. Diante da situação, quem tem um comércio já sabe que o período é de por o pé no freio. "Damos uma segurada nas compras, não compramos da mesma forma de um mês normal. É ir comprando devagar até as coisas estabilizarem", afirma Adriana. Nenhum responsável pela usina foi encontrado para falar sobre o assunto.