Usinas

Para UBS, Cosan ganharia mais se esquecesse a Biosev e comprasse outra empresa


Money Times - 29 out 2020 - 07:31

Desde que a Bloomberg noticiou que a Raízen, controlada pela Cosan, negocia a compra da Biosev, os analistas avaliam o que resultaria dessa união. Ganhos de sinergia e uma posição mais sólida no mercado sucroalcooleiro são as respostas óbvias. Para o UBS, contudo, isso não basta para justificar a transação.

Luiz Carvalho e Gabriel Barra, os autores do relatório do banco suíço, afirmam que, em termos de alocação de capital, “há outras opções com níveis maiores de retorno, principalmente num panorama mais amplo, como as oportunidades no negócio de refino e de gás.”

O pouco entusiasmo da dupla com a potencial união entre a Raízen e a Biosev se deve às características do próprio mercado sucroenergético. “O negócio de açúcar e etanol é bem conhecido pela sua volatilidade e baixo retorno, mesmo quando opera com bons níveis operacionais, devido ao elevado nível de investimentos e o baixo ROIC (retorno sobre capital investido, na sigla em inglês)”, afirma o UBS.

Mesmo as economias geradas pela junção das empresas não justificariam o acordo. “É difícil enxergar muita sinergia dessa combinação”, continua o banco.

O UBS estima que a nova companhia controlaria cerca de 20% da capacidade de moagem de cana-de-açúcar na região Centro-Sul. Isso corresponderia a uma capacidade para moer, anualmente, 105 milhões de toneladas de cana em 34 usinas. Se a nova empresa já existisse na última safra (2019/20), teria produzido cerca de 5 milhões de toneladas de açúcar e 3,9 mil metros cúbicos de etanol.

O UBS observa que as melhores chances de capturar sinergias estão na logística, no arrendamento de terras e na aquisição de matérias primas e insumos. Outra opção seria ampliar o raio de atuação das usinas, por meio do aumento da capacidade instalada e da redução de custos operacionais.

O banco suíço sublinha que nenhuma proposta formal foi apresentada pelas partes. Seria a hora, portanto, de a Cosan considerar outras oportunidades com maiores taxas de retorno e menor investimento, como as que seriam abertas pela malfadada tentativa de IPO da Compass, empresa de gás natural da Cosan.

Apesar de tudo, o UBS manteve a recomendação de compra para as ações da Cosan, com preço-alvo de R$ 84.

Márcio Juliboni