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Tradicionais usineiros viram minoritários


O Estado de S. Paulo - 03 fev 2014 - 08:15 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

A crise do setor sucroalcooleiro tirou da linha de frente algumas das mais tradicionais famílias de usineiros que fizeram nome e fortuna com a cana-de-açúcar no País. De controladoras, algumas se tornaram acionistas minoritárias do próprio negócio, como reflexo do movimento de concentração observado nesses últimos anos.

Um dos casos mais emblemáticos envolve as famílias Biagi e Junqueira Franco. Cada uma delas construiu um verdadeiro império da cana na região de Ribeirão Preto (SP).

Em 2007, auge da expansão do setor, o empresário Cícero Junqueira Franco, considerado um dos pais do Proálcool, programa criado nos anos 70 pelo governo federal para estimular o etanol como combustível, recebeu uma oferta do Grupo Cosan, comandado por Rubens Ometto Silveira Mello, para obter o controle de sua usina, a Vale do Rosário. A oferta foi rejeitada pela família. Mas, meses depois, os Junqueira Franco se uniram aos Biagi, donos da Santa Elisa, para criar a Santelisa Vale, uma das maiores fusões de usinas àquela época. A aliança teve como objetivo fortalecer os negócios das duas famílias.

Abatida pela crise, a Santelisa Vale acabou sendo comprada em 2009 pela francesa Louis Dreyfus. Hoje, os Biagi e Junqueira Franco tornaram-se acionistas do grupo e têm, juntos, 5,9% da companhia, que foi rebatizada como Biosev. As duas famílias arrendam terras e fornecem cana para o controlador.

Esse foi o mesmo caminho da família Rezende Barbosa, importante produtora de cana e laranja do País. Dona da Nova América, que era detentora da marca de açúcar União, líder de mercado, a companhia foi incorporada pela Cosan em 2008. Os Rezende Barbosa são acionistas da Cosan, um dos poucos grupos que se diversificaram e não têm a cana como principal negócio.

Maurílio Biagi, que já não tinha mais participação na Santa Elisa, quando sua família fez aliança com a Vale do Rosário, vendeu o Grupo Moema para a Bunge e é seu acionista.

"Os mesmos grupos internacionais que foram consolidadores no setor também cogitaram sair do negócio por causa crise. A questão é que não há, no momento, interesse por esse ativos", disse uma fonte.

MÔNICA SCARAMUZZO


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