Usinas

Setor da cana pode sentir impacto da paralisação econômica em breve, diz Canaoeste

Em São Paulo, apesar da determinação do governo estadual de que o setor agrícola é essencial e, portanto, não precisa parar, menor demanda por produtos pode paralisar produção em usinas


Globo Rural - 26 mar 2020 - 07:25

Desde a última terça-feira, 24, todas as cidades do estado de São Paulo estão em quarentena para conter o avanço do coronavírus. A medida foi tomada via decreto pelo governador do estado, João Dória, e obriga o fechamento do comércio. Em funcionamento, seguem somente os serviços considerados essenciais.

Segundo o diretor da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste), Gustavo Chavaglia, o prolongamento desta paralisia da economia pode cobrar um alto custo do setor canavieiro.

A data limite para a quarentena no estado é 7 de abril, mas ela pode ser prorrogada. O estado registra até o momento 810 casos confirmados da doença, segundo o Ministério da Saúde.

O agronegócio paulista já começa a ser impactado por esta paralisia na economia, afirma Chavaglia. As usinas de açúcar e etanol irão começar os processamentos de cana-de-açúcar, mas a queda na demanda por etanol e açúcar podem trazer problemas.

“Com essa contenção das pessoas em casa há um consumo menor de combustíveis, por exemplo, e o setor do etanol, que já sofria um impacto com a queda mundial no valor do petróleo (e, consequentemente, dos combustíveis), pode ver a crise aumentar com essa parada na economia”, diz Chavaglia.

Segundo ele, a entidade que reúne as usinas do estado tem buscado junto ao governo maneiras de evitar um problema maior. “Começando a safra agora, todos irão produzir etanol. Mas, se não tem consumo, ao encher os reservatórios, as usinas irão parar de produzir e os produtores ficarão com a cana sem vender”, afirma.

De acordo com Chavaglia, o governador do estado decidiu incluir o agronegócio como um serviço essencial e que, portanto, não precisa parar suas atividades. “Nossa preocupação é a respeito de decretos municipais, que não respeitam a manutenção de serviços essenciais. Aqui no estado de São Paulo, o secretário de agricultura sensibilizou o governador que, por sua vez, assinou um decreto colocando a agricultura com um serviço essencial também”, completa.

Ele ainda afirma que os fiscais devem se atentar aos serviços que são fundamentais para que o agronegócio funcione integralmente. “O meu apelo é que todos os prefeitos estejam conectados com essa determinação do estado e mantenham os serviços básicos funcionando. Até para atender as necessidades de alimentação das próprias cidades”, afirma e completa: “Os fiscais precisam ter bom senso antes de autuar algum estabelecimento que prestem serviços para a área agrícola, como lojas de peças, borracharias, oficinas entre outras, que são necessárias para o funcionamento do setor”.


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