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Seis empresas estrangeiras analisam compra de usinas de açúcar e etanol no Brasil


novaCana.com - 16 jan 2017 - 12:18
  1. O Valor Econômico listou seis empresas que estão sondando a compra de usinas de açúcar e etanol no Brasil.
  2. São elas: Grupo Cevital (maior companhia privada da Argélia), Fatima (um dos maiores grupos do Paquistão) e as gestoras de fundo e consultorias Amerra, Proterra Investments Partners (do fundo Blackriver que tem a Cargill como um dos acionistas), Castlelake e RK Partners.
  3. O grupo Fatima está de olho na usina Madhu, da Renuka, e nos ativos da Abengoa.
  4. O grupo Cevital demonstrou interesse na Usina São Fernando, de Bumlai.
  5. "Há uns cinco ou seis negócios para sair neste ano", avalia a consultoria Czarnikow.
  6. De acordo com a EXM Partners, em 2016 as usinas foram vendidas por um preço por tonelada de cana de capacidade instalada que variou entre o mínimo US$ 19,10 e o máximo US$ 67,90.
  7.  Como comparação, em 2010, no auge da euforia, o preço alcançou US$ 116 por ton/cana.
  8. Para 2017, a EXM acredita que o valor pode ir a US$ 75 por tonelada de capacidade instalada, mas há quem acredite que não passará de US$ 60.

Apesar de algumas multinacionais do setor de commodities terem demonstrado perda de interesse nas companhias sucroenergéticas nacionais, novos investidores e potenciais compradores têm em seu radar os ativos disponíveis no país. Entre os interessados, a maioria são fundos de investimento com visão de curto prazo, que pretendem ficar cerca de três anos no negócio. Entre as gestoras de fundos e consultorias estão empresas como Amerra, Proterra Investments Partners (que tem como um dos acionistas a Cargill), Castlelake e RK Partners. No entanto, companhias com foco no longo prazo também fazem sondagem, como os grupos Cevital, da Argélia, e Fatima, do Paquistão.

As informações foram divulgadas pelo jornal Valor Econômico.

Para os fundos – interessados nos preços atrativos de investimentos com maior risco –, a motivação vem do cenário mais favorável para o açúcar no mundo e para setor sucroenergético brasileiro.

Segundo as fontes consultadas, espera-se que alguns desses negócios sejam firmados ainda este ano. Para o diretor de finanças corporativas da Czarnikow, Luis Felipe Trindade, a expectativa é que sejam fechados “cinco ou seis negócios” em 2017.

No auge dos investimentos no setor sucroenergético, em 2010, fusões e aquisições foram negociadas a US$ 166 por tonelada de cana que a usina é capaz de moer. Com a crise no setor, esse valor caiu consideravelmente, conforme aponta um estudo da consultoria EXM Partners. A expectativa da empresa é que os próximos negócios alcancem em torno de US$ 75 a US$ 85 por tonelada – mas, no mercado, há quem acredite em valores máximos de R$ 60/ton.

Compra e venda de usinas em 2016, preço por tonelada de cana

Renuka

De acordo com o divulgado, o Fatima, um dos maiores grupos do Paquistão, está avaliando a possibilidade de adquirir a usina Madhu, atualmente da indiana Renuka. O grupo – que atua no setor sucroalcooleiro em seu país, além de ter negócios de trading de commodities, fertilizantes, têxteis, mineração e energia – já tem uma relação comercial bastante próxima com a companhia indiana. Entretanto, quando procurado pelo Valor, o representante do grupo no Brasil não quis comentar.

Contudo, o Fatima não é o único interessado nos ativos da usina Madhu. O Proterra Investments Partners e o Castlelake já assinaram acordo de confidencialidade para acessar a base de dados disponibilizadas sobre a unidade. Isso significa que eles têm interesse em dar lances, embora não seja uma garantia de que isso ocorra.

Os detalhes sobre o segundo leilão da usina Madhu estão disponíveis na página criada pelo grupo.

Porém, segundo uma fonte ligada à Renuka informou ao Valor, é mais provável que os investidores interessados façam propostas pela totalidade dos ativos da companhia indiana no Brasil depois do leilão.

O Proterra já fez sua primeira incursão no segmento em 2016, quando assumiu a gestão do Grupo Ruette, após o fundo de private equity norte-americano Black River acertar a aquisição em 2015. À época, o sócio fundador da gestora, Brent Bechtle, afirmou que o Proterra estava aberto para comprar novas usinas no Brasil. 

Já a entrada do Castlelake seria uma novidade para o setor. Procurado pelo Valor, o Proterra não quis se manifestar, enquanto representantes do Castlelake não retornaram os pedidos de entrevista.

Para completar, a brasileira RK Partners, que tem uma joint venture com a Cerberus Capital Management (uma das maiores gestoras de private equity do mundo), entrou em contato com representantes da Renuka para avaliar uma possível aquisição de ativos. A empresa é especializada em negócios com ativos "distressed" (depreciados), ou seja, estaria interessada em um investimento de curto prazo no setor, apostando em ativos considerados como sendo de risco.

Também existem companhias que já negaram qualquer interesse. A Cofco Agri, controlada pela estatal chinesa Cofco, chegou a prospectar com a Renuka e outras companhias, mas desistiu dos negócios. A empresa já possui quatro usinas em São Paulo, adquiridas com a incorporação dos ativos da Noble Group.

Em entrevista ao Valor, o presidente global de açúcar da Cofco Agri, Marcelo Andrade, disse que a empresa está focada em preencher com cana a capacidade de suas usinas e que os preços atuais de venda dos ativos estão “fora da realidade”.

Abengoa

Outra possibilidade para o Fatima está nos ativos da Abengoa Bioenergia, que busca reestruturar sua dívida desde o ano passado. A crise da companhia ficou mais evidente depois que a matriz espanhola entrou com um processo de recuperação judicial no país. Pouco depois, a companhia afirmou que pretendia vender todas as unidades de etanol pelo mundo.

No Brasil, o Fatima já está em negociação, existindo a possibilidade da companhia assumir dívidas da espanhola como parte do negócio.

Usina São Fernando

Outros interessados nas usinas brasileiras são o grupo Cevital, a maior companhia privada da Argélia, e o fundo Amerra. Ambos demonstraram interesse na Usina São Fernando, da família do empresário José Carlos Bumlai e que está em recuperação judicial.

Atualmente, a companhia argelina é dona da maior refinaria de açúcar do mundo e atua em diversos segmentos na Ásia e na Europa.

Já o Amerra está presente no setor sucroenergético nacional como um dos principais credores da Infinity Bio-Energy, tendo assumido a Usina Ibirálcool, em Ibirapuã (BA). O fundo também divide o controle da Usina Usinavi, em Naviraí (MS) com outro fundo de investimentos americano, o CarVal.

novaCana.com
Com informações do Valor Econômico


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