Usinas

São Martinho aposta no açúcar: “Não temos como vocação fazer trading de etanol”


Agência Estado - 11 nov 2016 - 08:23

O diretor Financeiro e de Relações com Investidores do Grupo São Martinho, Felipe Vicchiato, disse nesta quinta-feira, 10, durante teleconferência com analistas e investidores, que a companhia não pretende importar etanol para atender eventuais compromissos e o mercado em geral. "Não temos como vocação fazer trading de etanol", destacou.

Devido à quebra da safra de cana e à preferência do setor como um todo pela produção de açúcar, mais remunerador, a fabricação de álcool neste ano foi menor, o que acarretou em disparada de preços.

Conforme o relatório mais recente de acompanhamento de safra da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), na parcial da temporada, iniciada em abril, até outubro, a fabricação de etanol hidratado somava 12,3 bilhões de litros, 9% a menos na comparação anual.

Na quarta à noite, o Grupo São Martinho, com quatro usinas de cana-de-açúcar nos Estados de São Paulo e Goiás, reportou lucro líquido de R$ 68,91 milhões no segundo trimestre do ano-safra 2016/17, correspondente aos meses de julho, agosto e setembro. O montante é 184,7% maior na comparação com o de R$ 24,20 milhões de igual período do ano passado. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado totalizou R$ 368,70 milhões (mais 15,6%).

Déficit de açúcar

O diretor Financeiro e de Relações com Investidores do Grupo São Martinho afirmou ainda que as projeções da companhia apontam para um déficit de açúcar de 5 milhões de toneladas na safra global 2016/17, iniciada em outubro.

"Cobrir esse déficit dependerá da resposta do Brasil em aumentar a produção do alimento", acrescentou. Déficits de oferta registrados tanto neste quanto no próximo ano respondem pela disparada de quase 50% do açúcar na Bolsa de Nova York.

Nova política de preços para combustíveis

O diretor disse que a queda no preço da gasolina, anunciada pela Petrobras em outubro e também nesta semana, "prejudica" a vantagem do etanol.

Mesmo assim, ele elogiou a nova política da estatal para definir as cotações. "Isso dá uma boa previsibilidade. Agora sabemos que, quando o petróleo subir, a gasolina também vai subir, e nossos ativos vão ganhar competitividade", afirmou.

Ainda conforme ele, a redução no valor do diesel na refinaria pode acarretar em uma economia de até R$ 20 milhões para a companhia por ano. "Temos um volume de diesel de R$ 200 milhões por ano. É um volume bastante relevante. Fazendo uma conta, essa queda de 10% (anunciada pela Petrobras) representaria uma economia de R$ 20 milhões", disse.

Parceria com a Petrobras

Vicchiato comentou que ainda não há nenhuma informação sobre uma eventual saída da Petrobras da joint venture na usina Boa Vista, em Quirinópolis (GO). "Quando tivermos, prontamente responderemos ao mercado por meio de comunicado", afirmou.

Ele fez referência ao novo plano de negócios da estatal de petróleo, que prevê deixar o setor de biocombustíveis. Anunciado em setembro, esse novo plano afeta, principalmente, o Grupo São Martinho e as sete usinas da Guarani, empresa com a qual a Petrobras também tem joint venture para fabricação de etanol.

Ainda de acordo com o executivo, a colheita de cana pela usina Boa Vista deve se encerrar "nos próximos dias".

Com edição novaCana.com

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