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Usinas

O Rio de Janeiro ainda tem cana – canavieiros investem em retomada da usina Paraíso


Money Times - 06 out 2022 - 09:58
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Perspectiva é que unidade atinja pleno funcionamento em 2024

A precariedade da produção sucroenergética fluminense consegue ser driblada pelos produtores da região de Campos dos Goyatacazes. Para um grupo associativo que moeu em torno de 834 mil toneladas em uma safra inteira – volume que uma usina média do Centro-Sul é capaz de moer em menos de uma semana – há outra indústria pela frente.

A Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro (Coagro), de Sapucaia, vai botar para funcionar a Coagro Paraíso. O custo industrial do empreendimento está calculado em R$ 50 milhões; e a empreitada vai ser para 2023.

Esta foi uma das poucas unidades que restaram, em condições minimamente operacionais, após a bancarrota generalizada do setor no Norte fluminense. Assim como a usina de Sapucaia, a Paraíso foi adquirida durante a recuperação pelos cooperados, diz o empresário Tito Inosoja, que também é vice-presidente da cooperativa e presidente da Associação Norte Fluminense dos Plantadores de Cana (Asflucan).

No passado, o Rio de Janeiro teve mais de 22 usinas e 15 mil produtores. Hoje, a decadência se revela em três indústrias apenas, com a Agrisa, em Cabo Frio, e a Canabrava também na Baixada Campista. Além disso, no total, há de 70 a 80 mil hectares de cana, que atingem, em média, apenas 50 toneladas por hectare.

Microprodutores

O setor canavieiro do estado conta com 10 mil pequenos produtores com, no máximo, 15 hectares cada. Um dos maiores é Inosoja, cuja família começou produzindo em Alagoas e foi descendo até chegar no Rio de Janeiro. Seu pai, Evaldo Inosoja, foi presidente do Instituto Açúcar e Álcool (IAA), extinto por Fernando Collor em 1990.

A Asflucan, filiada à nacional Feplana, há 78 anos tenta manter a chama da produção no estado e foi a entidade que deu vida à Coagro Sapucaia.

Nesta safra, que já terminou porque não havia mais cana, a unidade processou 70% das 1,1 a 1,2 milhão de toneladas do total estadual. O valor não inclui a cana própria da usina Agrisa e a produção da Canabrava, grupo que enfrenta complicações jurídicas e que, segundo os produtores, “nunca informa nada”. A previsão para o ciclo era de 1,7 milhão de toneladas de cana, como no ano anterior.

Assim, a Coagro Sapucaia – que tem capacidade para moer 1,5 milhão de toneladas por safra – trabalhou 834 mil toneladas. Deste volume, 64% foi destinado à produção de açúcar e o resto se transformou em etanol anidro.

Com arrendamento de terras em torno da Coagro Paraíso, e novas plantações de cana, a unidade pode entrar em “operação experimental” em 2023, chegando ao pleno funcionamento a partir de 2024, conforme relata Tito Inosoja.

Infraestrutura deteriorada

Inosoja explica que parte da decadência da produção ainda precisa ser reparada e já vem de décadas. Com uma rede de canais de irrigação com mais de 1,4 mil quilômetros deteriorados, os canavieiros não conseguem aguentar o clima errático.

Quando não chove, como neste ano, os canais deveriam servir para irrigação. Já em caso de chuva, eles deveriam servir para o escoamento das águas em uma planície sem vazão. Em 2021, por exemplo, choveu demais.

“Perdemos cana na enchente e, neste ano, na seca”, conta, lembrando que muitos financiamentos conseguidos para manutenção e ampliação, inclusive no exterior, não foram concluídos. Ele atribui o insucesso a uma mistura de problemas políticos envolvendo o ex-governador e ex-prefeito Anthony Garotinho (União Brasil). “Ele perseguiu muito a gente”, diz, sem explicar.

Outros problemas envolvem o fim do IAA e as políticas de congelamento de preços vistas nos governos de José Sarney e de Dilma Rousseff.

Giovanni Lorenzon


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