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Resultado ruim da Biosev impediu operação no ano passado


Valor Econômico - 20 mar 2013 - 10:09 - Última atualização em: 21 mar 2013 - 17:48

A Biosev tentou abrir o capital em junho do ano passado, mas carregava resultados ruins desde a aquisição da Santelisa Vale - tradicional grupo sucroalcooleiro de São Paulo, resultante da fusão das usinas Santa Elisa e Vale do Rosário. Quando foi comprada, a Santelisa Vale tinha dívidas que superavam R$ 4 bilhões e pouco mais de R$ 20 mil no caixa.

À época, em 2009, a Dreyfus já tinha usinas que reuniam condição de processar 20 milhões de toneladas de cana. Com a Santelisa Vale, tornou-se a segunda maior processadora de cana-de-açúcar do país, com 40 milhões de toneladas de capacidade.

Mas, logo no primeiro ano pós-fusão, ficou evidente que estava difícil para a Dreyfus 'digerir' o ativo recém-adquirido. O ganho de sinergia alcançado, de R$ 190 milhões por ano, foi considerado pequeno pelo mercado. A dificuldade da trading em lidar com as complexidades agrícolas da cana-de-açúcar e as relações estabelecidas na cadeia - com fornecedores da matéria-prima, por exemplo - foi apontada como um agravante operacional.

Para piorar o quadro, adversidades climáticas em duas safras canavieiras seguidas - 2010/11 e 2011/12 - acabaram por reduzir significativamente a produtividade das áreas de cana da empresa, já sucateadas desde a crise financeira da Santelisa Vale.

Quando tentou abrir seu capital, a LDC Bioenergia já havia mudado seu nome para Biosev, mas os resultados ainda eram ruins. Em 31 de março de 2012, três meses antes da primeira tentativa de IPO, a companhia apresentou um prejuízo líquido de R$ 279,4 milhões, reflexo de uma ociosidade de 31% de sua capacidade em função da pouca oferta de cana. Tinha também uma dívida de curto prazo ainda alta, de R$ 1,8 bilhão, o que preocupava os investidores. Por essa razão, a oferta não foi bem-sucedida.

Em um ambiente de aparente otimismo com ativos do agronegócio, em que frigoríficos e usinas captam recursos a taxas de juros atrativas, a Biosev volta para convencer o investidor que melhorou - ainda que, para isso, tenha que oferecer garantias. O ponto forte, segundo apurou o Valor, é o alongamento da dívida de curto prazo, realizado pelos bancos credores neste ano.

Assim, o desempenho de uma ação como a da Biosev estaria diretamente ligado à flutuação dos preços do etanol e do açúcar. O mercado de açúcar passa por um mau momento, com excesso de oferta, mas o forte estímulo que se desenha para a produção de etanol no Brasil tende a enxugar a produção doméstica de açúcar. Desse modo, o superávit global da commodity, estimado em 7 milhões a 8 milhões de toneladas, pode cair para um patamar entre 2 milhões e 3 milhões.

Quanto uma possível guinada das cotações do açúcar pode influenciar as ações da Biosev depende do volume que a empresa tem de cana própria e de fornecedores. Pelo sistema de pagamento da cana adotado na maior parte das regiões brasileiras, quando o preços do açúcar e do etanol oscilam, há um repasse para o valor pago ao fornecedor. Se a cana vem de cultivo próprio, a usina fica com o ganho (ou perda).

No caso da Biosev, as 13 usinas do grupo têm, em média, 62% de cana própria, acima da média de 50% de todo o setor. No entanto, o maior desafio para a empresa, segundo analistas, será não apenas mostrar que pode ter bom desempenho diante de preços mais elevados do açúcar ou do etanol. Mas de construir resultados, apesar dos riscos que o setor sucroalcooleiro impõe aos seus integrantes. (FB)


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