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Recuperação do setor virá pelo açúcar, diz Maurilio Biagi


Valor Econômico - 27 mar 2014 - 08:14 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53
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O pavio de Maurilio Biagi Filho fica particularmente curto quando se trata dos problemas que há anos atrapalham o avanço do segmento sucroalcooleiro no país.

Protagonista no desenvolvimento dessa cadeia produtiva desde o início da década de 1970, o empresário, de 72 anos, perde a paciência quando questionado sobre o que precisa ser feito para que a crise seja deixada para trás. Lembra que os preços do açúcar estão baixos e concorda que a política de preços do governo federal para os combustíveis prejudica o etanol, mas não poupa a iniciativa privada e seus representantes pelas dificuldades que levaram dezenas de usinas a pedir recuperação judicial nos últimos anos e que continuam a gerar quebradeiras e demissões.

"Há duas formas de morrer, quieto ou brigando. Errar faz parte da vida de qualquer ser humano, mas algumas coisas precisam ficar claras. O governo precisa entender, por exemplo, que o setor é confiável e que o etanol é o melhor combustível à disposição, inclusive do ponto de vista ambiental. Seu consumo, portanto, tem que ser incentivado. Mas é preciso trabalhar nesse sentido", disse.

"Quando vendi a Moema [para a Bunge, em 2010], a percepção de que o setor entraria em dificuldade era clara. Havia um forte movimento de expansão, mas os resultados, em geral, não eram bons. Mas eu não imaginava que ficaria tão ruim quanto está". Ele evita responsabilizar pela crise os grandes grupos que passaram a liderar o segmento nos últimos anos, entre os quais multinacionais como a própria Bunge. Mas critica os reflexos das mudanças que aconteceram no mercado sobre a representatividade da indústria sucroalcooleira - que, acredita, está enfraquecida.

Biagi não faz mais parte do conselho da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) e não está mais à frente de nenhuma empresa da área. No segmento, a holding Maubisa, que administra os diversificados negócios de sua família, atualmente detém apenas uma participação minoritária na usina Aroeira, em Minas Gerais, na qual o empresário é conselheiro. Mas ele se transformou, talvez por força das circunstâncias, em um porta-voz "independente" do segmento.

Depois que foi convidado para ser candidato a vice-governador de São Paulo nas eleições deste ano na chapa petista encabeçada pelo ex-ministro Alexandre Padilha, Biagi passou até a atrair mais atenção do que antes, nos mais diferentes palcos. "É importante ter autocrítica e perceber quando você fica maior do que realmente é. Independentemente disso, recusei o convite porque sou brasileiro, independente, e trabalho com quem estiver no governo. Por isso não pude aceitar o convite".

Sem esperanças de que governo e iniciativa privada encontrem uma solução para aumentar a competitividade do etanol no curto e médio prazos, Biagi acredita que a recuperação do segmento virá pelo açúcar. Ele sabe que, hoje, o etanol até que está oferecendo uma remuneração às usinas melhor do que o açúcar, mas lembra que isso está acontecendo porque os preços do açúcar ainda estão muito baixos. "Mas isso é cíclico. Os preços certamente vão voltar a subir e o setor vai melhorar".

O empresário volta a se animar quando o assunto é Agrishow, feira agropecuária que preside e que neste ano vai começar em 28 de abril, em Ribeirão Preto (SP). O evento, que não depende dos negócios gerados pelo segmento sucroalcooleiro, terá como destaque o lançamento do Prêmio Brasil Agrociência, que tem por objetivo principal estimular pesquisas no setor de agronegócios.

Fernando Lopes