Usinas

Reativação de usinas pode ser realidade já nas próximas safras, diz RPA Consultoria


RPA News - 20 jan 2020 - 07:33

Depois de um 2019 com recorde de usinas entrando em recuperação judicial, as próximas safras podem ser marcadas pela reabertura de algumas destas unidades. No entanto, a situação ainda muda pouco em 2020. A perspectiva é do sócio-diretor da RPA Consultoria, Ricardo Pinto.

Segundo ele, a tendência é crescer o número de reativação de boas usinas que estavam paradas ou boas usinas em situação financeira ruim trocando de mão, principalmente aquelas em recuperação judicial.

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“Se os juízes definirem que estas usinas vão para leilão, devemos ter um crescimento de unidades viáveis em regiões de menor competição por cana e por terra. Sendo assim, existe sim uma boa possibilidade – eu diria que nas próximas duas a três safras – de termos reativação ou ligamento de parte das usinas que foram desativadas e desligadas”, explica.

Ricardo Pinto, porém, não vê um cenário de mudanças radicais no ano que acabar de chegar em comparação com o passado. “Digo que falar de 2020 é falar no curtíssimo prazo. Sendo assim, esperamos poucas mudanças”, afirma.

De acordo com ele, o cenário de preços também não será muito diferente na comparação com 2019/20. “[Os canaviais terão uma] produtividade agrícola não tão diferente, com canaviais ainda envelhecidos e as usinas brasileiras ainda enfrentando problemas de liquidez. Ou seja, para 2020/21 não esperamos muitas mudanças” relata.

Fases da retomada

Em sua análise, ele divide o período de reabertura de usinas em três etapas. Na primeira fase, segundo Pinto, as usinas que estão com mais capacidade de moagem do que tem de cana disponível devem recuperar seus volumes. Isso deve acontecer entre 2020/21 e 2022/23.

“Acredito que nos primeiros três anos teremos os grupos mais saudáveis enchendo sua capacidade de cana. Isso porque eles estão com as indústrias ociosas, ao redor de 20%. Junto com essa primeira fase, mas acontecendo em paralelo e durando talvez até cinco safras, acontece a recuperação de unidades que estavam desligadas ou paradas concomitantemente ao crescimento da produção de cana-de-açúcar”, projeta.

Na terceira fase, que deve começar a partir da safra 2023/24, ele acredita que surgirão alguns novos projetos. “De 2023/24 a 2029/30, voltaremos a ter greenfields, onde há espaço, onde há perfil de custo de terra menor, agora aliado com a disponibilidade de água para a irrigação, próximos de novos portos. Hoje, o açúcar praticamente só sai por Santos, teremos novas oportunidades. Será um novo momento”, finaliza.