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Usinas

Raízen prevê crescimento de produção sem grandes investimentos


Valor Econômico - 27 nov 2012 - 09:10
Diretores e executivos da Raízen e Cosan
O presidente da Raízen, Vasco Dias, informou que a companhia deverá manter o crescimento da moagem de cana-de-açúcar, sem fazer grandes investimentos.

Na safra 2011/12, o total de investimento (capex) recorrente da companhia foi de R$ 1,6 bilhão e deverá se manter o mesmo em 2016/17. O que irá se reduzir serão os investimentos em expansão em usinas brownfield (já instaladas e em operação), cogeração de energia e outros aportes não previstos.

Em 2011/12, o total investido foi de R$ 2,4 bilhões e deverá atingir R$ 2,2 bilhões em 2016/17. No mesmo período, o investimento unitário por tonelada de cana cai de R$ 31 para R$ 20.

Dias também afirmou que a companhia ganhará em produtividade. A empresa tem 24 usinas de açúcar e álcool tradicionais e terá até 2024 oito usinas de segunda geração. "Teremos maior eficiência em produtividade", disse Dias.

Cosan vai focar no crescimento orgânico

Com o DNA focado em expansão de seus negócios, o grupo Cosan deve puxar o freio em aquisições, mas isso não significa que a companhia deixará de investir para avançar em infraestrutura e energia, novas apostas do conglomerado, que aos poucos está se desvinculando do setor de agronegócios, como produtor de açúcar e álcool. O Valor apurou que o grupo deverá fazer aportes de mais de R$ 5 bilhões nos próximos cinco anos, sobretudo em combustíveis e gás canalizado (Comgás), promovendo seu crescimento orgânico.

A empresa tem se diversificado e a compra da Esso marcou a mudança do foco da companhia. Neste ano, a oferta pelo controle da Comgás e a negociação para entrar no bloco de controle da América Latina Logística (ALL) foram os sinais mais claros de que a companhia não quer ser mais uma empresa sucroalcooleira.

A compra do controle da Comgás foi anunciada em maio. Entre 2009 e 2014, serão investidos entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões por ano para a expansão da companhia. O novo plano de expansão do grupo ainda não foi fechado, mas deverá se manter no mesmo ritmo dos últimos anos para garantir a expansão da rede e atingir os 5 milhões de potenciais clientes residenciais que a companhia pretende atingir nos próximos anos. Hoje, são cerca de 1,1 milhão de residências atendidas pela Comgás. A operação foi concluída recentemente e custou R$ 3,4 bilhões ao grupo.

Com um discurso menos agressivo, Marcos Lutz, CEO da companhia, afirmou que a fotografia da Cosan será parecida daqui a cinco anos, só que com maior robustez e tamanho. O grupo não deixará de crescer, mas seu modus operandi será diferente dos anos anteriores, marcado por fusões e aquisições.

Em combustíveis, a Raízen briga palmo a palmo pela vice-liderança, hoje nas mãos do grupo Ultra (Ipiranga). O grupo planeja aumentar de 22 bilhões de litros atuais para 28 bilhões de litros a comercialização de combustíveis até 2017, afirmou Vasco Dias, presidente da Raízen - resultado da fusão entre Shell e Cosan. "Aquisições não estão sendo contempladas", disse Dias. Segundo o executivo, a expansão dos postos será por embandeiramento e expansão de postos existentes. O grupo tem foca crescimento em lojas de conveniência.

Uma das maiores produtoras de açúcar e álcool do país, o grupo tem hoje 24 usinas e não pretende expandir seus negócios por meio de aquisições. Dias afirmou que o grupo quer avançar em eficiência, com aumento de produtividade. Para isso, deverá manter um capex em torno de R$ 1,6 bilhão por safra até o ciclo 2016/17. A empresa terá oito novas usinas até 2024 de etanol de segunda geração.

O discurso da Cosan parece bem diferente. E é. O grupo quer gerar mais caixa, ter maior previsibilidade dos negócios (focando em setores menos voláteis, como infraestrutura e energia), além de aumentar os dividendos para os acionistas, afirmou Marcelo Martins, vice-presidente de finanças e relações com o mercado. "Queremos gerar mais caixa, a partir da melhoria operacional", disse.

A companhia espera que a transação com a ALL (América Latina Logística) tenha um final feliz. A Cosan fez uma oferta para entrar no bloco de controle do grupo em fevereiro, mas o desfecho depende da aprovação de todos os acionistas da companhia ferroviária. A Cosan fez uma proposta de quase R$ 900 milhões para ter 49,1% de participação (o que significa 5,6% do capital total do grupo). Lutz espera um desfecho entre os acionistas até o fim do ano.

Rubens Ometto Silveira Mello, fundador e acionista controlador do grupo, afirmou que o processo de deslistagem [da Cosan Limited, na bolsa de Nova York] está sendo estudado exaustivamente e que terá um desfecho em breve. "Também sou acionista. Boa parte do meu patrimônio está na empresa." Silveira Mello acredita que esta questão será resolvida nos próximos meses, sem um desfecho ainda para este ano.

Mônica Scaramuzzo

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