Usinas

Produtoras de biocombustível emitiram 26,28 milhões de CBios na safra 2020/21

Considerando o número de créditos disponíveis e os aposentados em 2021, o equivalente a 47% da meta anual do RenovaBio já poderia ser cumprido pelas distribuidoras


NovaCana - 06 abr 2021 - 15:17

O encerramento oficial da safra 2020/21 de cana-de-açúcar na última quarta-feira, 31, foi também um marco para o programa RenovaBio. Um ano antes, o processo para o início da comercialização de créditos de descarbonização (CBios) estava sendo concluído, com os primeiros títulos sendo registrados na B3 em 28 de abril.

De lá para cá, 26,28 milhões de créditos já foram cadastrados no programa pelas usinas certificadas, o que inclui produtoras de etanol – de cana e de milho –, biodiesel e biometano.

No momento, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 261 unidades participam do RenovaBio; destas, uma fabrica biometano e 23, biodiesel. Dentre as 237 usinas de etanol certificadas, 231 utilizam apenas a cana-de-açúcar, quatro processam milho e cana, uma, apenas milho, e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.

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Considerando apenas os dados de 2021, as unidades participantes do programa já acumularam 7,72 milhões de CBios na B3, que atua como única entidade registradora do RenovaBio.

De acordo com a ANP, por sua vez, as produtoras cadastraram notas fiscais suficientes para a geração do lastro de 7,86 milhões de CBios. A expectativa é que esta diferença de 142,9 mil créditos seja registrada nos próximos dias.

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Embora a cultura de cana vivesse a entressafra na região Centro-Sul no período analisado, a geração de CBios é vinculada à comercialização do etanol. Assim, a negociação do estoque permite a continuidade da emissão dos títulos, mesmo que as sucroenergéticas tenham pausado a produção.

CBios disponíveis e aposentados

Considerando todos os CBios emitidos que ainda não passaram pelo processo de aposentadoria – que os retira de circulação –, há 11,4 milhões disponíveis no mercado.

Dentre eles, a maior parte está em posse das usinas, que possuem 7,38 milhões de CBios, enquanto as distribuidoras detêm 3,99 milhões. Por fim, investidores sem metas a cumprir possuem 33,2 mil créditos. A posição é relativa a 5 de abril.

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Seguindo a regulamentação do RenovaBio, a ANP publicou o rateio das metas no final de março levando em conta a participação de mercado de cada distribuidora; anteriormente, já havia sido apresentada uma divisão preliminar. O documento também inclui pendências das empresas que não cumpriram suas obrigações referentes a 2019 e 2020.

Quando o número de CBios em circulação é somado aos 278,73 mil que foram aposentados ao longo de 2021, o total é de 11,67 milhões. Esta quantia é suficiente para atender a 47% da meta anual de compra imposta às distribuidoras com atuação no mercado de combustíveis fósseis, de 24,86 milhões de créditos.

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Vale lembrar, porém, que a B3 não informa quem solicitou a aposentadoria dos CBios. Assim, é possível que uma parcela dos títulos retirados de circulação seja referente a investidores que não têm compromissos com o programa.

Ainda que esteja previsto que as aposentadorias feitas pelas chamadas “partes não obrigadas” possam ser deduzidas dos objetivos finais do RenovaBio, este mecanismo ainda não foi regulamentado pela ANP, tendo entrado em consulta pública no final de novembro.

Preço dos CBios

Em março, a B3 contabilizou 1,74 mil negociações de CBios bem-sucedidas; destas, mais de mil aconteceram na segunda quinzena. “Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.

Conforme os números divulgados, os preços atingiram um valor médio de R$ 29,45 no mês e de R$ 28,80 na quinzena, caracterizando uma tendência de queda. O valor quinzenal está 6,5% abaixo da média de 2021 (R$ 30,80) e 29,4% aquém da histórica (R$ 40,79).

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Na última quinzena, o valor mais alto ocorreu no dia 26 de março, R$ 30,70; já o mais baixo foi observado nos dias 30 e 31, R$ 28. Apesar de terem ocorrido flutuações ao longo do período, a tendência geral foi de queda no preço médio das negociações.

Desde o início da comercialização dos CBios, em junho do ano passado, seu valor variou entre R$ 15 e R$ 72. Apenas em 2021, a variação foi menos ampla, indo de R$ 28 a R$ 35,70.

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Segundo projeção do banco Santander, os preços devem seguir em torno de R$ 30 a unidade ao longo do ano, uma vez que produtores de etanol e biodiesel não teriam tanto interesse em vender abaixo deste patamar.

“Não vejo muita volatilidade nestes preços neste ano porque não tem justificativa para subir demais, pois tem oferta grande e não tem disponibilidade de CBio abaixo de R$ 30”, disse o responsável da mesa de commodities e CBios do Santander, Boris Gancev, em entrevista à Reuters no final de março.

Renata Bossle – NovaCana


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