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Novo diretor-presidente da Coruripe destaca visão do grupo e desafios


Agência Udop de Notícias - 29 jul 2013 - 11:02 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53
Jucelino-Sousa, diretor presidente da Coruripe
A Agência UDOP de Notícias entrevistou o novo Diretor-Presidente da Usina Coruripe, Jucelino Sousa. Economista formado pela Universidade Católica de Salvador, Sousa assumiu o cargo da Companhia em janeiro deste ano. Com 46 anos de idade, o executivo trabalhou por 24 anos no segmento de distribuição de combustíveis, 15 deles na Alesat SA, companhia de distribuição de combustíveis de Belo Horizonte, Minas Gerais, onde chegou a ser vice-presidente.

Agora, à frente da Coruripe, Sousa enfrenta o desafio de administrar uma das maiores produtoras de açúcar, etanol e energia com unidade no Nordeste brasileiro e outras quatro usinas em Minas Gerais. Nesta safra, a Coruripe deve moer 12 milhões de toneladas de cana e estima atingir a capacidade plena em 2014.

Na reportagem, Sousa fala sobre o desafio de substituir os acionistas, que cresceram em meio ao setor, e ainda aprender sobre o processo de produção agrícola da companhia. Tudo isso em pouco tempo, mas ele conta com o apoio de outros sete diretores.

Jucelino Sousa é Alagoano, de Maceió, e segue a filosofia de trabalho da companhia: transparência e confiança nas pessoas. Confira a entrevista.

O senhor foi empossado como diretor-presidente da Usina Coruripe em janeiro deste ano. Foi um desafio profissional assumir essa função?
Tem sido um enorme desafio. Como vim de fora do segmento, tive que aprender rapidamente os principais aspectos relacionados às áreas agrícola e industrial e me adaptar à volatilidade do mercado de açúcar e do câmbio. Tudo isso foi novo para mim. Porém, o mais desafiador foi substituir os acionistas que tocavam a empresa no seu dia a dia até a minha chegada. Eles nasceram dentro da usina, conhecem o segmento como ninguém e conquistaram uma credibilidade junto ao mercado difícil de ser superada. A principal característica da gestão do grupo era a valorização das equipes, o clima interno era muito saudável, além de um ótimo relacionamento com o público externo (fornecedores, governo e comunidades). Sem o apoio incondicional de todos os acionistas e sem a presença deles no Conselho de Administração eu não estaria conseguindo executar essa transição com tanta tranquilidade.

A empresa passou por uma grande mudança administrativa. Como foi esse processo de profissionalização do Grupo?
Tudo foi muito bem planejado, o processo iniciou-se três anos atrás. Um novo acordo de acionistas foi assinado e uma reestruturação acionária foi implementada para que todos os acionistas se sentissem seguros e pudessem acompanhar e contribuir com o desenvolvimento da empresa. Os 13 acionistas que representam os três ramos da família Wanderley possuem três cadeiras no Conselho de Administração. As outras duas posições são ocupadas por conselheiros externos. Usamos a Bain Company para nos ajudar na montagem da nova estrutura organizacional e a Egon Zhender para selecionar os executivos. Após seis meses de trabalho já implementamos a nova estrutura e montamos todo o time. A diretoria, formada por oito profissionais, onde me incluo, possui a metade vinda de fora da empresa e de outros segmentos e a outra metade composta por pessoas que já estavam na Coruripe.

Qual o papel do Conselho de Administração na nova gestão da Coruripe?
Passam pelo Conselho todas as decisões estratégicas da empresa, os quase 80 anos de experiência e tradição do grupo estão lá representados. A chegada de dois ex-presidentes de grandes empresas para compor o Conselho elevou o nível de governança da empresa e trouxe ainda mais suporte para que a diretoria possa desenvolver o seu trabalho.

Qual é hoje a capacidade de produção das unidades do grupo? Quanto elas devem produzir na safra 2013/14? Esta produção equivale a um aumento ou redução no comparativo com a safra 2012/13?
O Grupo tem capacidade de moagem de 13 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Vamos moer nessa safra 12,2 milhões de toneladas, crescimento de 15 % em relação à safra 2012/13. Na próxima safra atingiremos nossa capacidade plena.

O Grupo é um dos principais responsáveis pela produção de açúcar, etanol e energia no Nordeste do país. Gostaria que o senhor comentasse sobre os impactos da seca na safra de vocês do Nordeste e se existe possibilidade de expansão de produção naquela região?
Conseguimos ultrapassar o período de estiagem sem grandes perdas, pois a maioria da nossa produção é feita em áreas irrigadas. Infelizmente o restante da região sofreu bastante e estimo uma redução de 15 a 20 % na próxima safra. Não aposto numa expansão da produção da região, não existem muitas terras disponíveis e ainda teremos o desafio da mecanização nos próximos anos. Acredito, sim, num processo de consolidação na região.

Só a Usina Coruripe gera cerca de 7.000 empregos diretos e 35.000 indiretos. O grupo tem investido na qualificação profissional de seus colaboradores?
A Usina Coruripe tem investido fortemente em capacitação de seu corpo de colaboradores. Há 3 anos criamos uma divisão específica para atender as demandas internas, com programas voltados para as necessidades operacionais do campo, do desenvolvimento de técnicos, líderes e gerentes. Em 2011, quando os profissionais discutiam a falta de mão de obra qualificada, focamos em três fatores: o início da profissionalização, a mecanização e a tecnificação intensiva dos processos agrícolas. Em média realizamos 500.000 horas de treinamento por ano e investimos cerca de R$ 4 milhões por ano.

Como a empresa está lidando com esse momento de crise no setor?
A experiência dos acionistas ajuda muito neste aspecto. Este é um segmento cíclico, altas e baixas são comuns, todos já viveram momentos de bonança e de dificuldades e estão sempre nos orientando no sentido de manter a calma, planejar, ter disciplina de caixa e de ter sempre uma visão de longo prazo. Esses são pré-requisitos para sobreviver nesse negócio. O momento é de busca de eficiência, aumento de produtividade e redução de custos, não adianta ficar esperando soluções que venham de fora do segmento. É óbvio que mais clareza na política energética do país ajudaria, porém não dá para ficar sentado esperando que as soluções surjam, temos que arregaçar as mangas e encontrar as saídas por conta própria. O setor já deu prova de sua capacidade de adaptação e certamente vai superar essa crise. Infelizmente alguns ficarão pelo caminho, isso faz parte do jogo. Acredito também que alguns paradigmas precisam ser quebrados. Defendo uma maior aproximação do setor com as distribuidoras de combustíveis, pois existem sinergias que poderiam ser capturadas pelos dois lados.

O Grupo lançou a pedra fundamental da nova unidade no município de União de Minas (MG). Já definiram uma área para a construção? E a perspectiva é de que o novo projeto seja concluído quando? Qual deve ser a capacidade final de produção da nova unidade?
Além de União de Minas temos outros projetos greenfields. Porém, infelizmente, o momento não permite que façamos previsões. Estamos investindo em licenças e projetos, contudo, para que esses saiam do papel, precisaremos ter uma visão mais clara para qual direção o segmento vai caminhar.

No quesito mecanização de colheita, qual o percentual de colheita por máquinas hoje no grupo? Vocês têm observado alguma mudança na qualidade da matéria-prima colhida mecanicamente? E na indústria, existem impactos significativos com esta "nova cana"?
Nas quatro usinas de MG já temos cerca de 95% da cana com colheita mecanizada. Em Alagoas, o processo de mecanização está se iniciando esse ano. Acredito que todo o setor ainda está na curva de aprendizado, alguns mais adiantados e outros ainda com atraso. Portanto, não capturamos ainda 100% de todos os benefícios da colheita mecanizada. Os investimentos em capacitação de pessoal, agricultura de precisão e na seleção de variedades mais adequadas vão otimizar a produtividade. A indústria também está se transformando, se adaptando, além da chegada do etanol 2G. Ou seja, temos ainda um longo caminho pela frente.

Patrícia Mendonça